La Remontada e a classe de Verratti


Iniciar a actividade regular deste espaço com tão belas imagens não pode ser considerado como menos do que um início épico para um projecto que se pretende cimentar e ver cimentado na blogosfera nacional. O Barcelona efectivamente virou uma eliminatória que parecia terminada, assassinada, pelo “cavalão de Unay Emery” no Parque dos Príncipes. A derrota em Paris também parecia indiciar, assim à vista desarmada, o fim do ciclo Luis Enrique em Barcelona. Dias mais tarde surgiria o desabafo do técnico espanhol quando este veio a público afirmar que “está farto do futebol” – quando muito já traçavam o fecho deste ciclo no clube catalão, eis que Messi, Neymar, Suarez e Companhia nos enchem as vistas e até a alma (pelo menos a dos puros amantes do futebol) com uma das melhores senão a melhor reviravolta da história da Liga dos Campeões…

Confesso que ao longo de 20 anos nunca vi uma reviravolta tão épica numa grande competição internacional de clubes e selecções como esta. E vi muitas. Vi aquela do Deportivo frente ao Milan na Champions da temporada 2003\2004. Vi aquela fantástica e impossível reviravolta do United frente ao Bayern em Nou Camp. Vi aquela reviravolta ao estilo de David e Golias do Mónaco frente ao Real Madrid no Louis II para a Champions 2003\2004 assim como outras, de menor grau de dificuldade. Como esta muito sinceramente não vi nenhuma. Esta reviravolta não ficará somente na história como a mais épica de todas pelo resultado que os catalães tiveram de inverter mas sim como a eliminatória em que uma equipa precisou de ir ao mais baixo de grau de profundidade (literalmente ao fundo do poço) buscar as energias e a força anímica para poder subsistir e continuar a triunfar. Se dúvidas existiam foram ontem dissipadas: este Barça é a equipa mais completa da História do Futebol e ainda o seria mais se por exemplo ainda lá estivesse Xavi Hernandez.

Ao longo do dia fui vendo todo o feed publicado sobre a partida. Vi quem aproveitasse o momento para se auto intitular catalão desde pequenino. Vi portugueses a tornarem-se sócios virtuais do Barcelona para esquecer as derrotas dos seus clubes. Vi toda a prosa escrita pela imprensa afecta ao Barça. Vi toda a inveja bolsada pela imprensa afecta ao Real. Vi o desalento dos franceses e principalmente o desalento do técnico do PSG. Afinal de contas, quando Cavani fez o 1-3, Emery acreditou que por mais rotações que os jogadores do Barça tivessem, a passagem aos quartos da Champions estava assegurada. Eu próprio duvidei que os catalães tivessem qualquer palavra a dizer no jogo da 2ª mão, acreditando apenas que bastaria ao PSG manter o seu organizado bloco baixo para defender o resultado. Vi neste PSG muita qualidade para se afirmar finalmente no plano europeu e continuo sinceramente a ver. Com um médio centro como é Marco Verrati, só se podem esperar coisas boas do meio-campo para a frente mas o que é certo é que a defesa dos parisienses tremeu muito no jogo de ontem e falhou como as notas de mil.

Contudo, dentro daquilo que fui lendo ao longo do dia o que me marcou mais foi as palavras d0 médio internacional italiano. Quando instigado a pronunciar-se sobre a grande penalidade muito duvidosa que reabriu as esperanças aos catalães, o jovem médio respondeu com a categoria com o distingue de muitos outros dentro das quatro linhas: “Temos de arranjar agora forças para levantar a cabeça. Temos de ser homens. Perdemos 6-1 e não foi por causa do árbitro. Antes dele, somos nós os responsáveis” – quando assim o é, está tudo dito!

 

Um pensamento em “La Remontada e a classe de Verratti”

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