Não vás, Xabi


xabi

Foi assim, repleto do estilo que sempre o caracterizou dentro e fora das 4 linhas que se decidiu despedir antecipadamente um dos melhores médios da nossa geração. Na próxima temporada não voltaremos a ver em campo o maestro dos passes longos: Xabi Alonso vai mesmo retirar-se do futebol.

Quem nos dera que os deuses fossem eternos!

Quem nos dera que os deuses pudessem jogar para sempre. Pedimos incessantemente à vida que prolongue a carreira de alguns jogadores ano após ano, temporada após temporada. Existem jogadores tão marcantes mas tão marcantes, que, custa vê-los partir. Pretendemos portanto vê-los a constituir legado como por exemplo ainda o está a constituir Gigi Buffon ou a ganhar títulos aos 40 anos como ganhou Ryan Giggs. O médio basco é um desses jogadores que custa ver partir, pela classe que demonstrou sempre, partida após partida, dentro e fora de campo, chegando inclusive a contrariar o cliché do senso comum que alvitra que os jogadores são pouco abonados ao nível da inteligência. Ao longo da carreira, Xabi brindou-nos com um conhecimento profundo sobre música, sobre arte e sobre economia. Não é à toa que os companheiros no Real Madrid tratavam-no por “Indie” e não é à toa que o altíssimo quociente de inteligência do espanhol foi efectivamente a sua maior arma e o seu maior atributo ao longo da sua extensa carreira.

Dentro do campo, bem, dentro do campo há muito por contar. O carácter facilitador que Xabi coloca nas transições ofensivas, o escorreito e veloz pensamento do jogo aliado à perfeição técnica no capítulo passe (delicioso ver aquele passe longo de ruptura) e à noção clara que o médio espanhol sempre teve no departamento da gestão dos tempos de jogo, colocando sempre o pace mais benéfico para a equipa em cada momento da partida. A capacidade posicional, a capacidade de ler bem o jogo adversário, a capacidade de antecipação (e de recuperação de bolas sem ter que recorrer constantemente à agressividade faltosa) e o temível remate de meia distância que infelizmente se foi perdendo nos últimos anos em virtude de um ligeiro recuo no terreno desde que o médio saiu de Liverpool. A inteligência na procura de linhas de passe que acrescentassem sempre vantagens às suas equipas. Ou seja, tudo características que fizeram do médio espanhol, formado na Real Sociedad (um dos primeiros grandes produtos da fabulosa academia do clube basco) imprescindível em qualquer equipa por onde passou e cobiçado por qualquer treinador que tivesse objectivos europeus na última década.

Para a história pessoal de Xabi também ficará aquela exibição magnífica em Istambul na final da Liga dos Campeões 2004\2005. Foi aí, ao serviço do Liverpool que eu fiquei finalmente rendido ao jogador e percebi que este era efectivamente um dos médios que eu costumo designar por médio de geração. Arrisco-me a dizer que nesse jogo, Xabi Alonso e Steven Gerrard fizeram eventualmente a melhor exibição das suas carreiras. Vale portanto sempre a pena recordar:

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