Breve análise: Juventus 2-1 Milan


A Juventus cimentou hoje a liderança da Série A ao bater o Milan por 2-1 no Juventus Stadium em Turim. Com um penalty (batido de forma soberba por Paulo Dybala; faltou um bocadinho para o jovem Gigi Donnarumma fazer uma defesa histórica que seria a cereja no topo do bolo na grande exibição que fez em Turim) muito duvidoso ao cair do pano, assinalado pelo árbitro de baliza, motivo que levou Carlos Bacca a tentar agredir o dito já no acesso aos balneários, os bianconeri reforçaram a liderança da prova (possuem agora 11 pontos de vantagem para a Roma; os romanos tem menos um jogo) e deram um passo de gigante rumo à conquista do histórico hexacampeonato.

Do jogo desta noite saliento 3 aspectos, todos muito breves, sem ir à raiz dos problemas:
O primeiro está relacionado com as grandes exibições da noite: Dani Alves e Paulo Dybala no lado da Juventus; Gigi Donnaruma e Andrea Bertolacci no lado do Milan.

O lateral brasileiro actuou num posicionamento mais interior ao que nos habituamos a ver no Barcelona e até mais interior do que o posicionamento normal que Allegri pede a Stephen Lichsteiner. O veterano cumpriu bem a sua missão ou pelo menos o que se esperava dele naquela posição interior, entrosando-se por completo com o fortíssimo jogo interior que os bianconeri possuem à entrada da área. Realizando muitas tabelas com Pjanic e Dybala, Dani Alves deu muita vivacidade à interior direita da equipa, acabando por ser fulcral no sucesso dos processos de jogo da equipa.
Já o jogador argentino é sem dúvida o grande fantasista desta equipa.

O jovem guardião italiano, guardião de uma elasticidade e agilidade ímpar, voltou a fazer um vistão. Só lhe faltou mesmo coroar a exibição com uma defesa monumental ao penalty muito bem puxado de Dybala.
Já Andrea Bertolacci é o motor da transição ofensiva deste Milan. Jogador de fino recorte técnico, o médio internacional italiano, antigo jogador do Genoa, é uma autêntica mota nas transições para o contra-ataque. Jogador destemido que não tem medo de assumir o jogo e queimar linhas com a bola nos pés para o estender até ao ataque e poder servir os dois pontas-de-lança da equipa.

O desempenho do médio leva-me imediatamente ao segundo ponto. Há sensivelmente 8 meses no cargo, Vincenzo Montella já se apercebeu o quão difícil está a ser a missão de reerguer o colosso milanês. Com pouco investimento de Sílvio Berlusconi nas últimas temporadas, o AC Milan tem andado à deriva sem que alguém, até mesmo Adriano Galliani, possa delinear uma estratégia. Sim, uma estratégia. Boa ou má. O clube precisa de uma visto que nas últimas 5 temporadas não a teve. E isso não se deve considerar um facto normal num clube habituado a vencer durante os últimos 31 anos. A falta de estratégia têm levado os vários treinadores que tem passado pelo clube milanês a ter que fazer omoletes sem ovos. Montella não é a excepção nesta equação difícil de resolver.

O italiano já se apercebeu que com a equipa que possui terá obrigatoriamente que jogar num bloco baixo para explorar o potencial que a equipa apresenta no meio-campo e na frente de ataque para o contra-ataque. Com excelentes lançadores de jogo no meio-campo (Bertolacci; Juraj Kucka, Keisuke Honda) capazes de funcionar como pêndulos, e jogadores rápidos e fortes no drible na frente de ataque como Suso ou Giacomo Bonaventura, auxiliados por um avançado que destrói por completo defesas com as suas movimentações, como é Carlitos Bacca, não é possível ao treinador italiano trabalhar processos ofensivos em ataque organizado com uma circulação curta e apoiada. Falta-lhe ali um jogador criativo, um número 10 capaz de inventar soluções quando encontra equipas que defendem de forma compacta com linhas baixas. Contudo, ao contrário do que Montella trabalhou primordialmente na Fiorentina, não só não vejo grande trabalho realizado com o quarteto defensivo habitualmente utilizado como acredito que para subir um patamar, ou seja, para colocar este Milan a lutar por um lugar na Champions League (digamos que este plantel mal dá para conseguir a Liga Europa) será preciso ao clube milanês renovar por completo o quarteto defensivo. Sinceramente não me recordo de um elenco defensivo tão fraco neste clube nas últimas duas décadas.

O último ponto está relacionado com a arbitragem. Arbitragem muito difícil para Davide Massa e para a sua equipa. Um penalty perdoado ao Milan logo aos 8″ por falta grosseira de Zapata sobre Dybala, num lance em que o argentino trocou as vistas ao central colombiano, foi o primeiro erro de uma noite muito pouco feliz da equipa de arbitragem. Carlos Bacca está em posição de fora-de-jogo quando sai a assistência no golo do empate mas a posição irregular milimétrica do colombiano é muito difícil de descortinar para o árbitro auxiliar. Aceita-se a decisão visto que o critério nestes lances deve ser o de beneficiar quem ataca. A equipa de arbitragem de resto já tinha utilizado o mesmo critério aos 30″ quando Mehdi Benatia aproveitou a distracção do central milanês Alessio Romagnoli (possui uma enorme dificuldade em subir para colocar os adversários em offside) para se colocar em linha de forma a inaugurar o marcador. O penalty assinalado aos 90+4″ a favor dos homens da casa, numa altura em que o Milan já jogava com 10 em virtude da expulsão de José Sosa (correctíssima; dois amarelos por duas entradas muito feias) foi claramente a cereja no topo do bolo, empurrando a Juventus para uma vitória que ajuda praticamente a selar a conquista do campeonato, com a marcação de uma grande penalidade num lance muito duvidoso em que me parece que o cruzamento é feito à queima roupa e que Mattia DeSciglio não tem intenção de cortar a bola com o braço. Pareceu-me bola no braço até porque o jogador tinha o braço colado ao corpo.

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