Portugal 59-0 Moldávia; o verdadeiro espírito do Lobo


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Créditos: Federação Portuguesa de Rugby

Nota prévia: o jogo desta tarde pode ser visto ou revisto na íntegra aqui, no site da Rugby Europe.

Numa tarde de gala, metemos a sexta! 6ª vitória em 6 jogos sob o comando de Martim Aguiar, na vitória caseira mais expressiva da nossa história, vitória que garante praticamente a vitória no Rugby Europe C e a possibilidade de irmos lutar pela subida de divisão para o Torneio B (Rugby Europe Championship) presumivelmente contra a Bélgica (neste momento é a última classificada do grupo B) e de podermos aspirar a jogar a repescagem mundial de qualificação para o Mundial 2019.

Nos minutos que antecederam à partida, em declarações à Sporttv Martim Aguiar desvalorizou, com muita humildade diga-se, as 5 vitórias obtidas desde que foi chamado a tomar conta dos destinos da selecção no passado mês de Setembro. O seleccionador nacional considerou em parte, e esta é pelo menos a leitura que eu faço das suas declarações, que as vitórias se deram em grande parte ao facto de termos descido um degrau no nível competitivo. As exibições dos Lobos nas últimas 5 partidas já tinham demonstrado, na minha opinião, que está a ser realizado um trabalho bastante interessante pelo seleccionador nacional com o grupo de jogadores com quem trabalhado mais regularmente (e intensamente, diga-se em abono da verdade). Para além do mais, os primeiros dois testes realizados pelo novo seleccionador, contra selecções (Brasil e Bélgica) que estão a disputar provas com um grau de competitividade bem acima do nosso, deram-se numa altura em que o novo seleccionador ainda estava numa fase experimental do seu trabalho a implementar ideias novas no grupo de jogadores.


Desde o jogo com a Suiça, esta selecção cresceu imenso no plano ofensivo. Acompanhando as selecções portuguesas desde 2002, confesso que até este novo elenco, só vi uma selecção nacional melhor que esta no plano ofensivo: a que venceu precisamente o antigo Torneio Europeu das Nações B na temporada 2003\2004. Não é portanto à toa que esta selecção está a dois jogos de igualar o melhor recorde de vitórias dessa selecção. É certo que vencer uma Roménia não é o mesmo que vencer uma Moldávia, mas as vitórias no Rugby contam da mesma maneira indiferentemente do resultado e indiferentemente do potencial da selecção que se vai defrontar. A cultura estabelecida no jogo assim o faz imperar: todos os adversários devem ser tratados com o mesmo respeito. Todos os adversários colocarão dificuldades. Não existem almoços grátis nos dias que correm porque todas as selecções estão a tentar desenvolver o seu o jogo bem como a prática da modalidade do país. Aliás, ainda há um ano atrás uma das interrogações que me colocava era se a descida ao grupo C da nossa selecção não serviria de barómetro para comparar a presumida “regressão” do nosso rugby em relação à ascenção do rugby dos países desta poule. Os resultados obtidos pela nossa selecção confirmam que o nosso rugby não está assim tão mal como querem fazer crer alguns arautos da desgraça (alguns deles conheço-os bem, sendo agentes que nada acrescentam ao rugby nacional para além de boatos e discórdia) assim como o rugby dos outros, dos emergentes europeus, não subiu assim tanto. Felizmente, todas as selecções que defrontamos também possuem os seus jogadores a alinhar nas principais divisões do Rugby Francês e Inglês. Nós não podemos utilizar os nossos melhores jogadores, o que não deixa de ser uma pena porque efectivamente seriamos muito mais fortes com um Bardy, com um Beco, com um Pedro Ávila ou com um José Lima. No entanto, o facto de não os podermos utilizar também traz virtudes a quem cá está: dá minutos de experiência e visibilidade internacional aos jovens talentos do nosso campeonato, algo que tem faltado ao rugby português nos últimos anos.

Em dia de convívio juvenil no Jamor, os nossos atletas voltaram a dar uma lição de humildade e de espírito combativo aos mais novos, jogando no limite do primeiro ao octogésimo minuto.A selecção moldava criou obviamente as suas dificuldades; com jogadores com uma disponibilidade física tremenda, principalmente os avançados (puras influências do vizinho romeno), a selecção do leste obrigou-nos a cometer faltas desnecessárias, apesar de nenhuma ter sido passível de gerar pontos. Não quero com isto dizer que não tenhamos sido fortes no jogo no breakdown, nas fases de conquista e nas formações porque efectivamente fomos, cumprindo os nossos jogadores nos momentos em que tinham que cumprir ou seja, nas nossas introduções, por exemplo. Agora, ofensivamente, fomos muito fortes. Fomos destemidos nas penetrações. Fomos destemidos no ataque na ponta (o Adérito e o Foro fizeram um jogo maravilhoso, ganhando metros atrás de metros com as suas arrancadas e com os seus side steps) e muito criativos na circulação da oval. Fomos criativos porque temos uma dupla de médios (Kiko Pinto Magalhães\Penha e Costas) muito inteligente na organização do jogo ofensivo, em especial, na gestão dos timings de saída do passe (para cruzamento) para a entrada dos centros e dos pontas naquele espaço que faz gerar superioridade numérica e por conseguinte vantagens.

Na 2ª parte, ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos, a equipa não se deixou adormecer, corroborando contra a selecção do leste a mesma atitude que já tinha aplicado na 2ª parte do jogo de Amesterdão. Pelo meio deu-se a estreia de sonho de Afonso Rodrigues do CDUP. O fullback do clube português acaba por realizar a melhor acção individual do encontro quando meteu no bolso 5 jogadores moldavos com aquela espantosa e criativa corrida de 50 metros para o ensaio. Venham portanto mais estreias, mais exibições e mais talentos (talento puro) deste calibre! O rugby português necessita deste tipo de jogadores. Claro que é importante ter jogadores como o Pedro Ávila ou como o José Lima. Neste momento são jogadores que em virtude de estarem a jogar ao mais alto nível são aqueles que reduzem o nosso gap para selecções do Grupo B. Contudo, perante a sua continuada indisponibilidade (pelos motivos que se conhecem e não por outros que tem sido escalpelizados pela imprensa e pelas pessoas que referi ali em cima) precisamos que o “nosso campeonato” construa alternativas de qualidade; essas alternativas não serão apenas benéficas para a construção que se deseja para a nossa selecção mas até para o próprio campeonato (fomentando o empenho de todos os jogadores) e para os próprios jogadores visto que estes jogos fazem aumentar os seus índices de experiência e o seu raio de exposição e visibilidade no estrangeiro.

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