Análise: Roma 2-1 Lyon


Um dos parâmetros que utilizo para avaliar se um jogo de futebol é bom prende-se com o tempo. Se o jogo que estou a ver é bom, nem dou pelo tempo a passar. Quando é mau, por norma, não perco mais tempo no seu visionamento e mudo imediatamente de canal. Os dois jogos que vi desta eliminatória despertaram-me a primeira sensação. O Lyon avança para os quartos-de-final da prova, mais pelo que fez na segunda parte do jogo da 1ª mão do que aquilo que fez no jogo da 2ª em Roma. A Roma, um dos principais favoritos à vitória na prova cai com um enorme sentido de injustiça. Os Romanos fizeram uma primeira mão fantástica no Gerland e fizeram um jogo muito aceitável no Estádio Olímpico, pecando apenas no capítulo da finalização.

A Roma entrou a todo o gás no Olímpico. Os Romanos conseguiram impor o seu jogo perante um Lyon muito bem organizado defensivamente e pressionante q.b a meio campo para impedir a circulação de bola dos romanos para as alas, preenchidas com o irrequieto mas pouco objectivo Bruno Peres (conseguiu conquistar na velocidade as oportunidades de cruzamento mas nem sempre tomou as melhores decisões) e Raja Naingollan na esquerda, e para os temíveis lançamentos para a velocidade de Salah nas costas dos defesas. Logo nos primeiros minutos, as acções do internacional egípcio permitiram a conquista de vários cantos a favor dos italianos e a criação de lances de muito perigo para a baliza de Anthony Lopes: o primeiro seria um “balázio” do central alemão Antonio Rudiger (que dureza; uma actuação certinha do fortíssimo central germânico, sem falhas, apesar de não ter sido, como é seu apanágio, pouco conseguida no plano estético; já Kostas Manolas falhou um bocado na marcação e cometeu muitas faltas infantis ao longo da partida) à trave seguido de um cabeceamento no ressalto da bola por parte de Salah para uma defesa de Anthony Lopes. Em destaque, o internacional português fez uma exibição muito segura e ajudou de sobremaneira aos objectivos da sua equipa.

A jogar com o seu habitual esquema de 3 centrais em 3x4x2x1, a equipa de Luciano Spalleti pecou apenas pela falta de dinâmica ofensiva da sua asa esquerda quando comparada com a dinâmica da sua ala direita. Coberto por Rudiger (os centrais que jogam mais descaídos pelos flancos assumem a marcação aos extremos contrários) pedia-se um bocado mais de atrevimento a Mário Rui nas suas subidas com bola pela esquerda.

O Lyon acabaria de marcar primeiro quando na marcação perfeita de um livre na direita por parte de Mathieu Valbuena, o central Mouctar Diakhaby (teve também ele uma actuação muito boa; não é fácil manter o discernimento durante 90 minutos quando se tem pela frente jogadores como Edin Dzeko ou Mohammed Salah) usou de toda a sua força física para subir lá em cima (contra os centrais da Roma) e ganhar a bola de cabeça que só parou no fundo das redes do brasileiro Alisson. A Roma respondeu imediatamente com o empate através de Kevin Strootman num lance de bola parada e virou o resultado na 2ª parte numa jogada de insistência fantástica de Stephen El Shaarawy, jogador que tinha substituído minutos antes o pouco objectivo Bruno Peres, que terminou com o auto-golo do médio Lucas Tousart.

Spaletti arriscou tudo nos últimos minutos quando tirou o lateral-esquerdo português Mário Rui (está um senhor jogador a defender mas a atacar ainda é um pouco tímido; sobe pouco e ainda não cruza bem) para colocar Diego Perotti e quando nos 10 minutos finais colocou já em desespero Totti para tentar jogar directo para a área. Na 2ª parte, a eliminatória poderia ter caído para os dois lados. Se no meio-campo, assistimos a uma imensa batalha pela posse do esférico protagonizada pelas duplas De Rossi\Strootman e Gonalons\Tousart, no ataque tudo poderia ter acontecido nos minutos finais: Dzeko teve várias bolas para fuzilar Anthony Lopes assim como mesmo ao cair do pano Kevin Strootman viu um letal remate à entrada da área a ser salvo na hora h pela intervenção de Diakhaby. No plano ofensivo do Lyon, Mathieu Valbuena e Maxwell Cornet tentaram no contra-ataque estender o jogo para o lado contrário (para assim poderem refrear o ímpeto ofensivo dos romanos), contando muitas vezes com o apoio próximo de Lacazette para o efeito. O francês teve nos minutos finais oportunidade de fechar a eliminatória na cara de Alisson num lance em que me parece ter ficado por assinalar um fora-de-jogo crasso. O brasileiro foi rápido a sair dos postes para anular a investida do avançado francês. Noutro lance de génio de Valbuena pela esquerda, o francês entrou na área com tudo para assistir Cornet (Lacazette arrastou os centrais com a sua movimentação) que no coração da área não conseguiu encostar, mandando a bola literalmente para a bancada.

Os últimos minutos foram de autêntico sofrimento para a equipa de Bruno Genesio. O treinador francês foi obrigado a páginas tantas a tirar de campo o “amarelado” Mammana para colocar Yanga-Mbiwa. O central francês, jogador que já passou pela Roma, foi fundamental para garantir a passagem aos quartos-de-final pois foi capaz de acrescentar a assertividade no desarme e no alívio das bolas que iam pingando para a área de Anthony Lopes.

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