O Manchester City foi ao Mónaco passar umas férias e esqueceu-se dos quartos.


Resumidamente. O golo de Leroy Sané ainda disfarçou a passividade, a atitude desleixada e a falta de capacidade que a equipa demonstrou ao longo de 90% da partida e ao longo de 70% da eliminatória. O resto, bem, o resto foi uma lição de humildade e luta aplicada por uma equipa muito bem montada e muito bem organizada como é apanágio das equipas de Leonardo Jardim. O português e o principado do Mónaco estão de parabéns: o seu clube volta, 13 anos depois, ao convívio dos grandes da Europa e pode não ficar por aqui a viagem dos monegascos se a atitude competitiva demonstrada nesta eliminatória se prolongar nos quartos-de-final.

Ao contrário do que eu previa, o Manchester City não se apresentou de acordo com a identidade de jogo que sempre acompanhou Pep Guardiola ao longo do seu percurso como treinador. Com as linhas recuadas, ao invés de contrariar a estratégia que foi novamente montada por Leonardo Jardim (pressão altíssima) com linhas mais subidas e pressão mais alta, para recuperar a bola em terrenos mais altos e assim aniquilar o ímpeto inicial que era expectável por parte dos monegascos, assistimos a um City muito expectante que se deixou adormecer na sua própria teia. A equipa per si já revela muitas dificuldades a sair a jogar a partir de trás. Mais dificuldades revela quando tem a central um jogador sem rotinas para a posição de central como o é Kolarov e um jogador ineficaz a realizar transições, por clara falta de recursos, como é Fernandinho. Os monegascos trataram portanto de capitalizar todos os erros que foram cometidos pelos citizens. Aplicando uma pressão altíssima, no qual sobressaiu o posicionamento exímio das duas linhas (sempre muito próximas; sempre a dar “no osso” do adversário) e um jogador (Bakayoko; foi para mim o Homem do Jogo pela forma abnegada com que pressionou, correu, recuperou bolas, iniciou transições; enfim, encheu verdadeiramente o meio-campo), os monegascos repetiram a dose que já lhes tinha granjeado uma excelente exibição (pese embora o resultado) no City of Manchester.


A estratégia acabou por resultar em cheio em todas as vertentes. Se defensivamente, na primeira parte, o Mónaco não deixou que os citizens respirassem (porque a bola não chegou à fase de criação, ou seja, a David Silva e a Kevin De Bruyne) ofensivamente, o autêntico “blitzkrieg” montado na frente de ataque dos monegascos, voltou a brilhar. E os comandados de Leonardo Jardim não foram obrigados a muitos esforços para fazer os dois primeiros golos da partida, precisando apenas de aplicar a sua receita habitual: os passes de ruptura para as desmarcações de Mbappé e a habitual criatividade nas alas, garantida por Lemar e Mendy na esquerda e por Fabinho e Bernardo Silva na direita, com o brasileiro a assumir a dupla função de destrutor e construtor. Embora mais discreto, o internacional português teve dois pormenores muito interessantes ao longo da partida. Na esquerda, Lemar e Mendy agradeceram o facto de Bacary Sagna ter ficado perdido no “aeroporto” no primeiro golo (em que o lateral-direito nem sequer está lá, encontrando-se a carimbar o passaporte no 2º poste) e de ter “chegado atrasado ao Taxi” no 2º, obrigando Stones a ter que ir fazer a dobra. No entanto, em ambos os golos, reparem na atitude completamente relaxada de Aguero, Sané e Silva. Se no primeiro golo, aos 7″, o argentino e o alemão ficaram impávidos e serenos a olhar para Bernardo Silva aquando do ressalto do desarme de John Stones, no 2º golo dos monegascos, o espanhol manda John Stones “à morte” frente a Lemar e não acompanha a sobreposição de Mendy. No desfecho do lance, o central acabou por fazer falta no sítio certo para desviar aquele cruzamento e Fabinho só teve que aproveitar.

No plano ofensivo, na primeira parte, a equipa de Guardiola não escreveu qualquer página de realce, constituindo-se como uma perfeita nulidade. O que me espanta na atitude da equipa inglesa no jogo desta noite foi a sua incapacidade (não sei se provocada ou não por Guardiola na preparação para este jogo) para alterar um modelo de jogo que já tinha sido provado no jogo da 1ª mão como ineficiente. Com claras dificuldades para sair a partir da área porque Fernandinho não tem recursos técnicos para furar linhas de pressão em terrenos mais recuados nem é um jogador com um passe longo por aí além (ao contrário de Yayá Toure), porque os centrais utilizados também não são grande espingarda neste tipo de situações, e porque Silva encontrava-se sempre muito longe (o que não é normal na equipa de Guardiola visto as dinâmicas de jogo construídas pelos espanhol oferecem sempre a qualquer jogador que está com a posse do esférico pelo menos 2 linhas de passe seguras) não compreendo a razão que levou a equipa ter continuado a insistir em sair a jogar a partir da área ao invés de tentar tomar as rédeas da partida através de um futebol mais directo que permitisse estender o jogo para a área contrária. Por norma as equipas que não estão a conseguir furar esquemas de pressão alta procuram dar mais profundidade ao seu jogo mesmo que isso custe a prática de um futebol mais feio num primeiro momento.

A 2ª parte acabou por ser generosa para o City. Jardim mandou recuar as linhas para tentar adormecer o jogo. Com tal comportamento, os jogadores do Mónaco estiveram prestes a ser vítimas do seu próprio veneno porque a linha de criação do City cresceu efectivamente no jogo. Podendo finalmente receber de frente para o jogo no interior como tanto gosta, David Silva pode finalmente mexer na batuta da construção ofensiva da equipa, lançando Sané na esquerda e oferecendo o golo a Aguero na cara de Subasic. O guardião croata acabaria por compensar em duas ocasiões o frango sofrido em Manchester no jogo da 1ª mão.

O susto inicial não compensou uma mudança de atitude. Os citizens voltaram literalmente a marimbar-se para o jogo e o Mónaco voltou a capitalizar, desta feita num lance de bola parada. Se no primeiro tempo, Thomas Lemar já tinha colocado muitas dificuldades a Willy Caballero num “canto curto” batido da direita (obrigando o argentino a ter que sair a punhos), aos 77″ decidiu a partida quando colocou a bola redondinha na zona da marca de penalty para a entrada de cabeça de Tiémoué Bakayoko. O internacional sub-21 francês beneficiou do exímio cruzamento do seu colega de meio-campo, de uma falha de marcação e da falta de sincronização demonstrada pela linha defensiva dos citizens na abordagem ao lance.

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