Os paradoxos de Pep Guardiola


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“Com a eliminação de quarta-feira podemos aprender muitas lições. Temos vários jogadores que jogaram a Champions pela primeira vez e só fomos eliminados pelos golos marcados fora… Defender o resultado era a única coisa que eu não queria. É claro que temos de defender melhor mas, por exemplo, no Mónaco criámos cinco ou seis ocasiões de golo em quinze minutos. Quantas equipas fazem isso? Quantas oportunidades teve o adversário na segunda parte? Zero! Temos muito espaço para melhorar na próxima época e os títulos não mudam o meu estilo de jogo”

Não sei se o espanhol pensa mesmo isto ou se é um mero paradoxo na sua cabeça para justificar a derrota numa eliminatória em que se esperava muito mais do City. É preciso recortar estas declarações em várias partes para as contrastar com a realidade dos factos:

1. Quantos jogadores do City é que jogaram pela primeira vez a Champions? Se olharmos para o plantel dos citizens, entre todos os utilizados na Liga dos Campeões por Guardiola, excluindo o brasileiro Gabriel Jesus por ter sido reforço de inverno e por se ter lesionado antes de se poder estrear na prova, só 1 jogador é que se estreou na prova na presente temporada: o central John Stones.

2. “Defender o resultado era a única coisa que eu não queria” – não queria mas foi defender. O City não fez mal do que defender (mal) durante a primeira parte e ofensivamente foi nulo nessa mesma primeira parte do jogo do Louis II, não fazendo um único remate à baliza do Mónaco.

3. “É claro que temos de defender melhor mas, por exemplo, no Mónaco criámos cinco ou seis ocasiões de golo em quinze minutos.” – Guardiola está a tentar disfarçar o erro que tem custado tantos pontos e tantos dissabores com a ideia de que a 2ª parte foi uma avalanche ofensiva da sua equipa. Guardiola esquece-se por exemplo que na 1ª mão Falcao falhou uma grande penalidade num momento capital da partida. Se o colombiano faz o 3-1, os jogadores do City iriam quebrar no plano anímico e muito dificilmente voltariam à partida e até à eliminatória.

4. “Quantas equipas fazem isso? Quantas oportunidades teve o adversário na segunda parte? Zero!” – Quantas equipas é que neste contexto competitivo não realizam um único remate à baliza em 45 minutos? Quantas equipas é que sofrem 6 golos nos oitavos-de-final de uma champions? Quanto à falta de oportunidade de golos do Mónaco de Leonardo Jardim? O golo marcado por Bakayoko não conta como uma oportunidade de golo?!

5. “Temos muito espaço para melhorar na próxima época e os títulos não mudam o meu estilo de jogo” – os títulos não mudam o estilo de jogo mas por vezes mudam treinadores. A falta de títulos por vezes obriga a mudanças no estilo de jogo. O único que não mudou o seu estilo de jogo perante a escassez de títulos foi Arsène Wenger. Os resultados do francês na última década são perfeitamente “invisíveis” assim como se consegue enxergar nitidamente como é que vai acabar o ciclo do francês no Arsenal.

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