Supresa na Milão – San Remo


O antigo campeão do mundo, o polaco Michal Kwiatkowski venceu de forma surpreendente ao sprint na chegada a San Remo, batendo na chegada a San Remo dois ciclistas com uma ponta final muito mais forte, nada mais nada menos que Peter Sagan e Julian Alaphilipe. O all arounder polaco confirmou o seu grande momento de forma no início desta temporada (carimbou a 2ª vitória depois de ter vencido há 15 dias em Itália na Strade Bianchi) e confirmou também o grande arranque de temporada que está a ser protagonizado pela Sky, equipa que tem apresentado várias soluções para a vitória nas provas em que tem participado quer pelo polaco, quer por homens como Geraint Thomas, Ian Stannard ou o seu sprinter Elia Viviani.

Momento auge da longa prova que liga Milão ao mar é a subida ao Poggio de San Remo. A inclinação colocada a poucos quilómetros da linha de meta do primeiro dos denominados “5 monumentos do ciclismo mundial”, dista em 3,7 km a uma percentagem de inclinação média de 3,6% com rampas máximas de 8%. O Poggio não é uma barreira que impossibilite a chegada em sprint massivo porque os sprinters conseguem ultrapassar a inclinação mas uma coisa é certa: quem não chegue ao Poggio (após 6 horas e 45 minutos de corrida) bem posicionado e com companheiros que possam desgastar a concorrência na subida, muito dificilmente vencerá no centro de San Remo. Quem ficar no Poggio, muito dificilmente conseguirá recuperar na descida até San Remo. O primeiro cenário foi precisamente o que sucedeu a Mark Cavendish, um dos principais candidatos à vitória na prova. O inglês não conseguiu chegar integrado no grupo principal e foi o maior ausente da fase de discussão da etapa. De resto, a nata do sprint mundial “esteve lá toda”. À cabeça estava o vencedor em título de 2016, o francês Arnaud Demare. Homens como Peter Sagan (Bora), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Alexander Kristoff (Katusha), Fernando Gaviria (Quickstep), Greg Van Avermaet (BMC), Juan José Lobato (Movistar), Elia Viviani (Sky), Nacer Bouhanni (Cofidis), Julian Alaphillipe (Quickstep) tinham ambições à conquista da prova. Outros ciclistas muito fortes neste tipo de etapas como Phillipe Gilbert, Michal Kwiatkowski, Tom Dumoulin ou Enrico Gasparotto poderiam efectivamente surpreender no Poggio com um ataque explosivo.

Na aproximação ao Poggio todas as equipas tentaram posicionar bem os seus “candidatos” para poderem controlar na frente do pelotão a subida. A estratégia de corrida de praticamente todas as equipas assim o imperava. Era preciso controlar na frente para endurecer a subida de forma a eliminar a potencial concorrência e poder controlar bem eventuais ataques que pudessem surgir. Os ataques viriam a surgir no Poggio, embora tímidos. O supersónico Phillipe Gilbert da BMC foi o primeiro a sair. A iniciativa foi curta e dela saiu um trabalho exemplar de Tom Dumoulin. O holandês bem tentou esticar a corda para ver se conseguir desbravar o caminho para o seu colega equipa Michael Mattheus mas o australiano não correspondeu às intenções do holandês. Quando Dumoulin arrumou para o lado saiu o espectacular ataque de Peter Sagan, levando consigo Kwiatkowski e Alaphillipe.

O eslovaco admitiu no final da corrida que não tinha previsto na preparação da etapa a possibilidade de atacar no Poggio como veio a atacar, referindo que o fez instintivamente. O que é certo é que o ataque do ciclista eslovaco deixou grande parte dos favoritos sem resposta.  Bluff ou não, é correcto presumir que todos os favoritos pensavam que Sagan (que até só dispunha de um gregário, Maciej Bodnar; a sua colocação na frente era portanto muito difícil) iria tentar adoptar uma estratégia defensiva no Poggio para depois colocar todas as suas reservas energéticas no sprint final.

Chegados à descida com uma vantagem generosa na ordem dos 15 a 20″, Kwiatkowski e Alaphillipe foram muito inteligentes na gestão da corrida ao obrigar literalmente Peter Sagan a trabalhar na frente para o sucesso da fuga. As energias que o campeão do mundo gastou na descida faltaram-lhe no sprint final para bater Kwiatkowski. Não tenho a mínima dúvida que se o polaco tivesse que passar pela frente nos últimos quilómetros, a vitória iria escorregar com facilidade para Peter Sagan.

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