O Jornalismo desportivo bateu no fundo


record 4

Colocar um jornalista de cronómetro em punho a rever o Porto vs Vitória de Setúbal para contabilizar os tempos de paragem dos jogadores para saber se existiram ou não motivos para o árbitro da partida dar 12 minutos de compensação no referido jogo é um sinal visível que o jornalismo desportivo português está a bater no fundo. Não posso achar esta infografia menos do que absolutamente ridícula. Qualquer dia veremos o Record a encomendar pelo menos 2000 cronómetros para que os seus trabalhadores possam registar os tempos de paragem de todos os jogos que se disputam no nosso país de forma a encherem pelo menos 10 páginas com a detalhada informação no que concerne a este aspecto.

São este tipo de notícias que me causam a repulsa aqui descrita. Para além de desnecessárias, porque não acrescentam qualquer conhecimento ao leitor, este tipo de notícias só servem para aumentar o clima de crispação existente no futebol português. O jornalismo desportivo está efectivamente doente no nosso país. E não há ninguém capaz de travar esta marcha sensacionalista que não cumpre os principais requisitos da profissão: informar bem e com a qualidade.

2 opiniões sobre “O Jornalismo desportivo bateu no fundo”

  1. Estive a ler o seu post, e de facto João Branco, tudo isto cheira a ridículo. Alguns jornalistas parecem estar mais próximo da imbecilidade do que da racionalidade e do bom senso!
    Como se no futebol estas coisas não fizessem parte do próprio jogo. Podemos até discutir se o tempo de jogo deveria ou não ser cronometrado, como por exemplo na basquetebol, mas aí teríamos de dar descontos de tempo, se calhar os atacantes não podiam estar mais de meia dúzia de segundos dentro da área, etc…
    Se acham isto anormal, o tempo de jogo no FC Porto – Vitoria de Setúbal, então tenho de aconselhar os atuais jornalistas desportivos a verem o jogo, Brasil – Suécia, apitado por um árbitro do Pais de Gales, no Mundial de 1978 na Argentina.
    No último minuto de jogo, o árbitro marca um canto a favor do Brasil, por indicação do seu fiscal de linha. Na sequência direta da jogada, o Brasil marca um golo, mas antes da bola entrar, o árbitro apita para o final da partida sem qualquer tempo de compensação. Vê-se no relógio do Estádio. Isto deu tal celeuma tão grande, que a FIFA e a outras organizações tais como a UEFA, CONCACAF, passaram a obrigar os árbitros a anunciar o tempo extra, em cada uma das partes do jogo.
    Há alguma comparação com aquilo que está no link em baixo, e os sete minutos de compensação, dados pelo árbitro, no jogo do Domingo passado no Dragão.

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  2. Esse jogo e esse Mundial! Uma das maiores teorias da conspiração do mundo da bola. O Campeonato do Mundo que foi na opinião de muita gente manipulado do início ao fim para projectar o poder do regime militar argentino de Videla e credibilizá-lo internacionalmente por culpa da presença argentina na chamada “Operação Condor”. Essa prova teve 4 momentos marcantes:

    O primeiro quando o avançado brasileiro Reinaldo (na altura jogador do Atlético Mineiro) celebrou o primeiro golo do Brasil neste jogo de braço no ar, sendo arredado do onze no jogo seguinte porque na opinião pública brasileira, o regime militar plantou a ideia que Reinaldo era comunista.

    O segundo quando a Argentina venceu o Perú por 6-0, resultado preciso que permitiu aos argentinos eliminar os brasileiros e seguir em frente para as meias-finais da prova. O guarda-redes peruano (Ramón Quiroga) era um argentino naturalizado Peruano. O jogo entre a Argentina e o Peru não se disputou ao mesmo tempo do jogo do Brasil como as regras na altura obrigavam. Portanto, estando as duas equipas empatadas com o mesmo número de pontos, quando os argentinos entraram em campo para disputar a última partida (partida que se iniciou 1 hora depois do final do jogo do Brasil) sabiam qual era o resultado que lhes era mais favorável.

    http://gq.globo.com/Essa-e-nossa/noticia/2013/07/escandalos-da-copa-argentina-goleia-peru-de-forma-suspeita-em-1978.html

    Naquele mês o regime argentino pôs em marcha um enorme dispositivo de propaganda que visava dar a entender ao mundo que o regime não era assim tão autoritário. Naquele mês, o regime não fez desaparecer pessoas mas vários jornalistas internacionais declararam que ouviram em vários pontos da capital os gritos das pessoas que estavam a ser torturadas.

    O quarto. A capitalização política que o futebol pode promover. O regime de Videla estava consciente de dois aspectos: como a Argentina nunca tinha ido até ali longe nos mundiais, em caso de vitória, o regime sairia bastante fortalecido na opinião pública. Em caso de derrota, poderia ser o fim do regime.

    Quanto a certos pontos do seu comentário:

    Bem, eu acredito que mais dia menos dia o futebol terá que evoluir neste aspecto. Com a possível entrada do videoárbitro na modalidade, só vejo uma solução: parar o cronómetro quando o árbitro pedir ajuda ao videoárbitro. As decisões do videoárbitro não deverão ser tomadas em breves segundos. A experiencia da função no rugby diz-me que em média o videoárbitro demora pelo menos 1 minutos a analisar as imagens que lhe são fornecidas antes de tomar uma opinião. Grande parte dos videoárbitros do rugby pedem aos realizadores as imagens do lance em vários ângulos. Nenhum videoárbitro no rugby influencia a decisão da equipa de arbitragem se não tiver 100% de certeza.
    É natural por outro lado que as equipas mais pequenas usem e abusem destas manhas para fazer “render o peixe” – Só haverá portanto uma forma de acabar com este tipo de comportamentos que é parar o cronómetro sempre que se der uma paragem para que um jogador seja assistido ou para realizar substituições. Duvido que algum dia a International Board o faça porque muitos argumentam que a paragem do cronómetro iria travar o ritmo de jogo (a perda de tempo no fundo já o faz, portanto, este argumento é furado) mas creio que seria benéfico para a modalidade porque finalmente terminaria com a falta de profissionalismo de determinados jogadores.

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