A paragem cerebral de Robin Lopez


Na derrota dos Bulls por 122-120 (após prolongamento) em Toronto na madrugada de ontem.

Robin Lopez não tinha necessidade nenhuma de fazer o que fez. O jogo “dos postes” estava durinho mas os Bulls estavam a conseguir controlar o jogo. Acabaram por perder a partida e deitar literalmente para o lixo uma oportunidade flagrante que permitiria ainda lutar pelos playoffs quando faltam 11 jogos para o final da temporada regular.

As coisas em Chicago não estão fáceis.
Não estão fáceis porque em primeiro lugar, o proprietário da equipa Jerry Reinsdorf parece estar acomodado aos imensos lucros que o franchise lhe dá anos após ano, quer vá a equipa aos playoffs, quer fique a equipa no último lugar da sua conferência. O United Center está sempre esgotado para toda a temporada indiferentemente da qualidade de basquetebol que é praticada pela equipa. A estrutura de Chicago parece ainda estar a viver da fama que a vencedora equipa dos anos 90 granjeou e pelos vistos desconhece que já passaram 19 anos desde o último título, ou seja, que a NBA mudou radicalmente: quem não vencer ou não tiver capacidade para esporadicamente ir lutar pelo título entra em ciclos viciosos negativos sem fim.

Essa atitude de completa resignação, tem permitido a perpetuação de dois agentes que nada tem feito pela evolução do franchise. Falo dos decisores da equipa: o vice presidente Gar Forman e do General Manager John Paxson. A lista de más decisões tomadas por estes dois agentes nas últimas duas décadas é tão longa que eu arrisco-me a dizer que teria motivos para escrever mais de 50 posts sobre o assunto. De forma a ser breve e sucinto vou apenas referir-me aos erros cometidos nas últimas temporadas:

– Forman e Paxson desenharam em 2008\2009 uma estratégia de reconstrução da equipa em torno do então prodígio Derrick Rose. Nesses anos, os Bulls transformaram com alguma mestria jogadores que não eram tidos como promissores nas análises que eram feitas aos drafts. Exemplos foram as evoluções feitas com jogadores como Noah, Taj Gibson ou Jimmy Butler. Por outro lado foram reforçando até 2012 a equipa com jogadores mais tarimbados como Brad Miller, John Salmons, Nate Robinson, Richard Hamilton, Carlos Boozer, Mike Dunleavy, Kirk Hinrich, Kyle Korver, Marco Belinelli, entre outros, a juntar aos bons jogadores que a equipa já tinha como Luol Deng. A estratégia caiu por culpa essencialmente das lesões de Rose. Em 2012, a lesão sofrida pelo base na eliminatória contra Philadelphia na 1ª ronda dos playoffs aniquilou por completo uma equipa que tinha tudo para jogar pelo menos a final de conferência.

As esperanças depositadas em Derrick Rose, goradas com as constantes e longas paragens do base, levaram os responsáveis da equipa a baixar as expectativas para as temporadas 2012\2013 e 2013\2014 (poupando assim algum dinheiro) para esperar pela total ou quase total recuperação do seu base, com o intuito de voltar a investir a partir de 2014. Veio Pau Gasol. E o investimento nada gerou ao nível de resultados. Os Bulls acabaram por despachar tardiamente toda a geração na qual apostaram durante 7 anos para tentar reconstruir novamente a equipa.

– Na presente temporada, os Bulls foram pescar ao mercado dos agentes livres. Foram contratados Wade, Rondo, Carter-Williams, entre outros. A temporada até parecia promissora e Fred Hoiberg teve uma nova oportunidade para mostrar serviço já que no ano anterior, ao nível de qualidade de jogo os Bulls foram um desastre. A irregularidade de exibições e resultados manteve-se. Como sabem que a próxima free-agency poderá vir a libertar jogadores de valor, os 2 decisores máximos dos Bulls decidiram na última janela de trocas libertar Gibson e Doug McDermott em troca (literalmente) de nada. Uma decisão completamente incompreensível excepto se a analisar-mos pela óptica financeira, se efectivamente existir disposição e capacidade financeira para atacar um dos free-agents de topo. É portanto correcto afirmar que Forman e Paxson são horríveis a negociar trocas se analisarmos o comportamento passado dos dirigentes no chamado “mercado livre de verão”: Forman e Paxson são os dirigentes que se comportaram de forma desastrosa noutras “janelas de mercado livre” quando deixaram passar ao largo jogadores como LeBron, DWade, Chris Bosh, Chris Paul, Carmelo Anthony entre outros. Quem é que pode avançar que neste verão os 2 dirigentes serão finalmente capazes de trazer um dos all-star presentes na Free-Agency?

Voltando ao comportamento de Robin Lopez, o cenário para a presente temporada agravou-se com a atitude do poste alto. Com DWade lesionado, Lopez praticou uma atitude que lhe valerá um castigo mínimo de 4 jogos. Não creio que a Liga o irá castigar com 4 jogos mas sim com um castigo entre os 8 e os 12 jogos, o que impossibilitará o poste de dar o seu contributo na recta final do campeonato. A atitude hipotecou portanto a ida aos playoffs, se é que alguma vez os Bulls pretenderam ir aos playoffs desta temporada. É aí que realço novamente o deserto que são os planos estratégicos a curto, médio e longo prazo traçados por Forman e por Paxson: ou se luta constantemente pela ida aos playoffs ou o melhor é fazer tanking durante 2 temporadas para se voltar a reconstruir a partir dos talentos que o draft ofereça.

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