Ajax 2016\2017: Talentos puros


Kasper Dolberg, Amin Younes, Bertrand Traoré (emprestado pelo Chelsea) e Hakim Ziyech: talento confirmado.

A magia do futebol do Ajax reside essencialmente no roaming, nas dinâmicas ao nível de movimentações e na fantasia que este “quarteto de luxo” acrescenta ao jogo, inventando constantemente soluções que são efectivas e que trazem espectacularidade ao jogo. Debruço-me em primeiro lugar no médio dinamarquês de 19 anos contratado no verão passado ao modesto Silkeborg da Dinamarca:


Kasper Dolberg é actualmente o centro de jogo do Ajax. O médio ofensivo nórdico é o centro da criação, o cérebro da criação da equipa. Sem Dolberg, Ziyech e Younes não teriam tanto volume de jogo e tanto espaço para desequilibrar nas alas, mas a preponderância do jogo do médio ofensivo não se esgota na abertura de espaços nas alas através da concentração de adversários nas suas acções e no seu raio de acção, para, no momento certo libertar o esférico para os dois jogadores citados. Kasper Dolberg é um jogador rapidíssimo e muito vertical que está sempre com os olhos postos na baliza adversária. O dinamarquês é um daqueles jogadores que gosta de ter bola de frente para o jogo de forma a acelerá-lo e a encetar aqueles dribles maravilhosos que rasgam qualquer defesa. Dono de uma capacidade de remate formidável, é um jogador que não precisa de entrar com a bola na área para rematar. Assim que desequilibra toda a linha média com o seu drible ou com as suas formidáveis tabelas, o médio só precisa de chegar à entrada da área para rematar.

A influencia do médio dinamarquês no futebol ofensivo do Ajax não limita por outro lado a magia que existe nos pés de Amin Younes ou de Hakim Ziyech.

Embora Ziyech seja um jogador mais objectivo que Younes quando se trata de sair em transição para o contra-ataque (este Ajax tem as transições muito bem trabalhadas; ) e um jogador mais finalizador, ambos, em virtude de jogarem com o pé contrário (Amin Younes é um destro a jogar preferencialmente na esquerda e Ziyech é um canhoto a jogar preferencialmente na direita) tem um drible cut inside muito forte quando tem oposição na suas respectivas alas. Kasper Dolberg facilita em muito o trabalho destes dois extremos quando prende adversários no corredor central mas quando é preciso desequilibrar contra equipas que povoam muito bem as alas com a presença de 2\3 jogadores, o drible desconcertante destes dois jogadores que acaba quase sempre com o adorno da bola para zonas interiores de forma a poderem puxar do seu técnico remate em arco.

Outro aspecto que é saliente na manobra ofensiva do Ajax é a questão dos apoios, principalmente nas transições. Assim que a equipa recupera a bola no seu meio-campo, o seu quarteto da frente inicia automaticamente um mecanismo dinâmico de movimentações que permite suplantar a pressão dos adversários e fazer chegar a bola ao último terço em velocidade. Em ataque organizado, essa mesma dinâmica de movimentações é oportuna, muito eficaz e muito bem trabalhada por Peter Bosz. Veja-se por exemplo a construção ofensiva dos “alfaiates” neste jogo contra o Twente ou no jogo contra o NEC. Nestes exemplos vemos um colectivo a mexer com tabelas e 1×2 aprimorados, criação de boas situações de sobreposição nas alas, cut insides por parte dos extremos e de Bertrand Traoré, troca posicional constante na frente de ataque na qual todos os jogadores mudam sistematicamente de posição (contra o NEC, Ziyech aparece na direita, no centro e na esquerda nos distintos momentos de jogo).

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