Bloco de Notas da História #6 – A despedida de Lukasz Podolski


Quando idealizei a criação desta rubrica, pretendia accionar e assinalar no presente a memória pessoal ou colectiva de acontecimentos históricos do mundo do desporto. Contudo, nada me impede de utilizar a rubrica para narrar a História presente do mundo do desporto. Ontem fez-se história no jogo amigável disputado em Dortmund entre a selecção alemã e a selecção inglesa. E que História! O icónico Lukasz Podolski despediu-se para sempre da Mannschaft num jogo marcado para homenagear o jogador, fazendo jus à sua maior qualidade enquanto futebolista: o poderoso e apurado pontapé canhão (de canhota) que o celebrizou e que o fez alinhar em três das maiores equipas mundiais.

Nascido na Polónia a 4 de Junho de 1985, Lukasz Podolski teve uma carreira de altos e baixos. Dotado de uma força física perfeita, de uma técnica individual apurada, com especial incidência para o poder do seu remate, o avançado alemão destacou-se no Colónia, o seu clube de formação, marcando 51 golos em 85 jogos. Na temporada 2004\2005 ajudou o modesto clube da região da Renânia do Norte-Vestefália a subir à Bundesliga ao apontar 24 golos. Na temporada seguinte, o avançado pode afirmar-se, pese embora o facto do Colónia ter sido novamente despromovido ao 2º escalão. Com 12 golos no seu ano de estreia na Bundesliga, o alemão mereceu a confiança do Bayern, clube pelo qual viria a assinar e do seleccionador alemão Joachim Low para figurar entre os 23 eleitos que disputaram em casa o Campeonato do Mundo. No campeonato do Mundo, “Poldi” como é carinhosamente tratado pelos alemães, marcou 3 golos na campanha alemã, campanha que só viria a ser interrompida nas meias-finais contra a cínica Itália, campeã do mundo: 2 à Suécia e 1 ao Equador.

No Bayern, as coisas não correram de feição ao craque, sendo durante várias épocas um jogador que manifestou um estado psicológico muito frágil e um rendimento muito aquém do que era expectável pelos adeptos e pela imprensa. Suplente de Luca Toni nos bávaros, o internacional alemão viria a ter que voltar a Colónia para relançar a carreira.

O regresso ao seu clube do coração acabou por ser profícuo para a carreira do jogador. De 2009 a 2012, o internacional alemão ajudou o clube a solidificar a sua posição como clube de primeira divisão, ao apontar 33 golos em 88 partidas.

Joachim Low nunca desamparou o seu “menino” voltando a convocá-lo para os jogos de qualificação para o mundial de 2010 e para os 23 eleitos para o Mundial da África do Sul. O avançado respondeu da melhor maneira possível com 3 golos (1 contra a Austrália na fase-de-grupos e 2 contra a Inglaterra no controverso jogo dos oitavos-de-final) apesar de ter falhado um penalty na fase-de-grupos na derrota alemã contra a Sérvia por 1-0. Nos quartos-de-final, o avançado destacou-se pela grande exibição que fez contra a Argentina, exibição que não pode repetir contra a Espanha nas meias em virtude de uma marcação directa impiedosa que foi feita pelos centrais espanhóis Puyol e Sérgio Ramos.

O avançado haveria de se vingar no Brasil, sagrando-se campeão do Mundo.

Ao nível da sua carreira nos clubes, 2011 marcaria um turning point na carreira do jogador, quando Arsène Wenger foi resgatar o jogador ao Colónia, construindo no clube londrino uma nova fase que foi apelidade de “fase germanica de Wenger” devido às contratações de jogadores como Podolski, Ozil e Per Mertesacker. O jogador almejava nesse altura objectivos maiores, coisa que o modesto Colónia não tinha para lhe oferecer. No Arsenal, o avançado até arrancou bem na primeira temporada com 11 golos em 33 jogos mas rapidamente surgiu o “síndrome do peso da camisola”, acabando por ser emprestado na 2ª metade da 3ª temporada em Londres (2014-2015) aos italianos do Inter de Milão, clube pelo qual teve uma actuação mediana com 1 golo em 17 partidas. Deu nas vistas em Itália pelo seu estilo poderoso mas acabou por não consumar algumas boas exibições em golos. O avançado acabaria por rumar nesse ano para o futebol turco, mais concretamente para o Galatasaray, clube onde ressurgiu novamente com 13 golos em 30 jogos na época 2015\2016.

Na equipa turca, equipa que obteve um péssimo resultado na Liga na temporada passada (6º lugar a 28 pontos do líder Besiktas) se considerarmos que o objectivo do Galatasaray é a conquista de títulos, o avançado teve um início de temporada irregular, não assumindo de início a titularidade com Claudio Taffarel no comando técnico. O brasileiro acabou por ser despedido na 1ª metade da temporada e Podolski entrou paulatinamente no 11 da equipa de Istambul. Jogando solto na frente de ataque, o alemão beneficiou imenso do facto de ter um dos grandes “assistentes” mundiais a jogar nas suas costas, nada mais nada menos que o holandês Wesley Sneijder. Na presente temporada, o Galatasaray fez juntar ao holandês jogadores como o portugueses Josué (quer se queira quer não, é um jogador com uma qualidade de cruzamento formidável) e Bruma (regressado do empréstimo à Real Sociedad), jogadores que melhoraram qualitativamente a equipa. Contudo, o Galatasaray ainda não parece estar em condições de disputar o título com o “forte” Besiktas de Ricardo Quaresma, equipa que tem nas suas fileiras um avançado mortífero: Cenk Tosun. No entanto, Lukasz Podolski já apontou 15 golos na presente temporada, incluíndo uma “manita” (ver o vídeo acima postado) ao Erzincanspor para a Taça da Turquia, valendo-lhe em grande parte dos golos o poder do passe de Wesley Sneijder, jogador que já leva 18 assistências (11 no campeonato) na presente temporada.

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