Volta à Catalunha – Uma decisão controversa e a vingança de Valverde


Após a vitória de David Cimolai na primeira etapa da prova, a 2ª etapa da Volta à Catalunha apresentou o primeiro grande desafio aos candidatos à vitória na geral da prova e às suas equipas: um contra-relógio colectivo longo em Banyoles. A Movistar de Alejandro Valverde foi a equipa mais rápida na estrada mas a vitória haveria de ser retirada pela UCI na sequência de um protesto por parte da equipa BMC, a 2ª classificada no crono.


A BMC alegou à União Ciclista Internacional que na prova da Movistar existiu um “empurrão irregular de Rojas” ao seu companheiro de equipa, o costa-riquenho Andrey Amador. A UCI fez cumprir a regra (não é permitido a qualquer ciclista em qualquer circunstância dar um impulso a outro ciclista) e decidiu primariamente acrescentar mais 3 minutos ao sprinter Rojas, 2 a Andrey Amador e 1 ao português Nélson Oliveira, o que possibilitaria a ascensão do chefe-de-fila Alejandro Valverde, ciclista que não esteve envolvido na situação, subir à liderança da geral individual da prova. Passadas algumas horas, mediante protesto da BMC, a UCI decidiu revogar a decisão tomada, atribuindo 1 minuto de penalização a todo o colectivo Movistar, numa decisão que gerou muita controvérsia entre o pelotão, apesar da sua justiça porque se tratava de uma “prova colectiva” – assim sendo, foi atribuída a vitória na etapa à equipa de Samuel Sanchez, ascendendo o seu colega de equipa Ben Hermans à liderança da geral individual da prova.

O justo pagou portanto pelo pecador. Mas regras são regras. Valverde foi efectivamente prejudicado nas suas ambições à vitória na prova por culpa do acto do seu companheiro de equipa e os principais beneficiados da sanção acabaram por ser os líderes da BMC Tejay Van Garderen e Samuel Sanchez, e a dupla da Sky Chris Froome e Geraint Thomas, visto que a penalização aplicada permitiu aos dois corredores da Sky ultrapassar por 2 segundos todos os elementos da Movistar.

A 3ª etapa, disputada entre Mataró e La Molina, prometia um bom espectáculo dado o autêntico traçado “rasga pernas” desenhado pela organização para os km´s finais. A etapa acabou por ser pouco movimentada no final porque os candidatos à vitória na geral individual da prova não quiseram arriscar uma estratégia ofensiva. Alberto Contador, acompanhado pelo seu gregário para a ocasião Bauke Mollema (será motivo de curiosidade num futuro muito próximo saber se a Trek utilizará o holandês como gregário de luxo do espanhol no Tour; será um pena ver o holandês a desempenhar tais funções na prova francesa porque estamos a falar de um ciclista que já conseguiu atingir o top-10 da prova por 3 vezes; por outro lado, Contador é Contador e pelas mais recentes afirmações que foram proferidas pelo espanhol, o mesmo encontra-se em grande momento de forma física, com 3,7% de massa corporal gorda o que é absolutamente fabuloso) ainda tentou dar um esticão no grupo principal (controlado durante quase toda a prova pela Sky, equipa que anulou com relativa facilidade a fuga do dia protagonizada por Natnael Berhane, Diego Rubio e Pieter Serry) para perceber o estado físico dos adversários. Quando o espanhol “ginga” na bicicleta, como gingou na ascensão final, é sinal que está com pernas para fazer coisas bonitas. Esperemos pelas etapas finais para perceber se o espanhol tem ou não condições para fazer estragos na montanha, numa prova em que a montanha não tem feito diferenças de maior nas últimas edições.

A etapa acabou por permitir que todos os favoritos chegassem praticamente juntos à linha de meta, altura da prova em que Alejandro Valverde mostrou ser mais forte na finalização que o vencedor da prova Daniel Martin. Os dois trilharam diferenças diminutas para toda a concorrência (Froome, Van Garderen, Bardet, Geraint Thomas, Adam Yates, Contador) mais as bonificações obtidas pelos lugares na classificação da etapa, segundos que permitiram a ascensão do espanhol ao 4º lugar da geral individual (a 45 segundos do novo líder Tejay Van Garderen; Ben Hermans ficou para trás como era previsível) à frente de Chris Froome por 4 segundos. Alberto Contador também ascendeu ao top-10 da prova (a 1:03m da liderança) e Daniel Martin ao top-20. O irlandês muito dificilmente conseguirá anular os 2:02m de diferença para a liderança em virtude do péssimo contra-relógio colectivo que foi realizado pela sua equipa, a Quickstep.

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