Volta à Catalunha – O “comeback” de Alejandro Valverde


Após a vitória ao sprint por parte de Nacer Bouhanni na etapa 4, a Volta à Catalunha voltou aos terrenos inclinados daquela região espanhola na etapa 5. Numa etapa com o final marcado para uma chegada em alto em Lo Port (subida que foi aposta da organização da prova pela 3ª vez) aqueles que puderam ver a subida final puderam finalmente ter direito ao espectáculo depois do fim algo tristonho (muito calculista, na verdade) apresentado pelos favoritos à vitória na geral na chegada ao alto de La Molina na etapa 3. Alejandro Valverde voltou a confirmar que estava com vontade de recuperar o minuto que perdeu no contra-relógio colectivo na 2ª etapa da prova devido à controversa mas justa decisão da UCI motivada pelo impulso de Rojas a um companheiro de equipa da Movistar. O espanhol voltou a confirmar o excelente início de temporada que está a realizar (5 vitórias em 13 dias de competição) e continua justamente a ser o rei das Voltas de 1 semana. Os anos realmente não passam por este portento que pecou apenas em não ter vencido o seu maior objectivo de carreira: o Tour. A prova francesa será efectivamente o maior fracasso da carreira de um ciclista que ficará no passeio da glória do ciclismo.

A etapa não revelaria contudo uma Movistar ao ataque, antes pelo contrário. Na ascensão final, a equipa comandada por Eusébio Unzué entregou o esforço de corrida à Sky de Chris Froome (o inglês caiu nos primeiros quilómetros da etapa; apesar de não ter tido dificuldades para se recolocar no pelotão, a queda chegou a assustar os responsáveis da equipa inglesa) e à Trek de Alberto Contador. Não se tratou de uma decisão por falta de unidades porque Valverde acabou por ter os seus dois gregários de luxo em acção. Tanto Ruben Fernandez como Marc Soler (abençoado com uma presença no pódio da prova durante o dia de hoje) apareceram para ajudar o seu líder a alcançar os seus objectivos quando ele mais precisou. A retracção da Movistar deveu-se simplesmente a uma opção táctica. O risco assumido em não endurecer a corrida, corrida que acabou por ser endurecida com muita voracidade por Mikel Landa (Sky) e por Bauke Mollema (Trek) acabou por resultar para o lado de Valverde. O espanhol guardou todas as suas energias para ir ao choque quando Alberto Contador tentou dar um golpe final na corrida (partida por Bauke Mollema; o trabalho do holandês arrumou com grande parte dos trepadores presentes no grupo da frente; Tejay Van Garderen ficou sem resposta possível, acabando por perder tempo que lhe custaria a liderança da prova no final da etapa), acabando por sobressair novamente a sua poderosa ponta final para bater o seu compatriota da Trek.


Antes de passar ao resumo\comentário da 6ª etapa da prova, devo dizer que apreciei bastante esta subida a Lo Port. Sendo uma subida de uma dificuldade média\alta pela sua longa extensão (17 km, com uma pendente média de 9,7%, com especial incidência de rampas nos 10\12% a partir dos 13 km finais; rampas máximas de 20% de inclinação em alguns trechos, nunca muito prolongadas) a inclinação pareceu-me extremamente agradável de se fazer. Claro que o meu feed positivo também se deve em parte à espectacularidade que a prova proporcionou. No entanto, a escolha de Lo Port quando comparada com algumas das subidas realizadas nos últimos anos, foi uma excelente escolha da organização para que os grandes trepadores da actualidade pudessem dar um bom espectáculo. Não tenho dúvidas que a partir de ontem a ASO, empresa que organiza o Tour e a Vuelta, terá anotado a subida a Lo Port como uma subida muito válida para incluir nas próximas edições da grande prova espanhola de 3 semanas.

O calvário de Chris Froome

A etapa 6 da prova provou que no ciclismo não existem corridas lineares e dados adquiridos. Previa-se que a 6ª etapa da prova pudesse trazer mais um confronto entre o triunvirato da fama (Froome, Valverde e Contador) mas a corrida haveria de trocar as voltas ao fenómeno inglês, arredando-o da conquista da prova logo na sua fase inicial, aos 25 km, quando Vroome Vroome ficou retido num corte (juntamente com toda a sua equipa) e não conseguiu regressar ao grupo da frente, grupo onde estavam Alejandro Valverde e Alberto Contador.

Lá na frente no grupo principal, vários foram aqueles que tentaram a vitória na etapa. O italiano Alessandro Di Marchi esteve bastante próximo de o conseguir. No entanto quem é que haveria de aparecer novamente a discutir a etapa ao sprint? Sim, ele mesmo! Alejandro Valverde, o dominador! No entanto, o espanhol não teve ponta final para o sul-africano Daryl Impey da Orica, ciclista que também possui uma poder de finalização bastante interessante.

A “eliminação” de Froome da disputa pela vitória na geral individual, abriu portas à subida de Alberto Contador à 2ª posição na classificação a 47 segundos de Alejandro Valverde.

A consagração de Valverde

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