Desfecho infeliz no regresso de Ronaldo


No dia em que Ronaldo regressou ao arquipélago da Madeira para exibir pela primeira vez entre as suas gentes a sua classe com a camisola da selecção vestida e o troféu conquistado em França, o golo apontado pela “Lenda” não bastou para levar de vencida a “renovada” selecção sueca e não foi suficiente para apagar uma intermitente exibição da nossa selecção. Gostei muito do que vi na primeira parte. Já na 2ª confesso que não gostei de tudo o que vi.

Fernando Santos cumpriu na íntegra o plano que veio a traçar na antevisão da partida, alterando de forma substancial o elenco titular da selecção das quinas. Os jogos amigáveis, indiferentemente dos resultados, servem precisamente para os treinadores poderem dar minutos a quem não tem sido utilizado com frequência nos jogos oficiais e para acima de tudo, poderem testar novas soluções para determinadas posições, novos processos de jogo e dinâmicas que foram trabalhadas no decorrer da última semana com os jogadores. Fernando Santos utilizou o jogo, muito bem a meu ver, para preparar a participação da selecção na Taça das Confederações, testando novos modelos de jogo para poder perceber se os pode trabalhar como alternativa ao modelo de jogo base que a selecção tem apresentado desde que o seleccionador chegou ao cargo, de forma a aplicá-los como planos de recurso na prova que terá lugar no próximo verão na Rússia.  Na primeira parte gostei de praticamente tudo o que vi. Gostei essencialmente das dinâmicas ofensivas construídas no flanco direito. Perante uma Suécia que defendeu num bloco médio\baixo, as dinâmicas de movimentação construídas nesse flanco com a colocação de Gelson e Ronaldo muito próximos de Bernardo Silva e João Cancelo criaram a superioridade numérica que permitiu a obtenção dos dois golos. Se no primeiro Gelson serve na perfeição a movimentação de Ronaldo nas costas de Herlander, no 2º golo (autogolo de Granqvist) é a movimentação de CR7 na linha de fundo (para estender jogo e servir a entrada de Gelson na área) que apanhou de surpresa a defensiva sueca. Com Moutinho a pautar muito bem a construção ofensiva, colocando muito critério na circulação, Gelson e Bernardo Silva ganharam vida.

O extremo do Sporting fez uma primeira parte fenomenal pois foi ele quem acrescentou velocidade e pragmatismo na criação de jogo da selecção no último terço. Se no plano ofensivo tudo correu bem ao jovem do Sporting, no plano defensivo Gelson cometeu alguns erros quando não foi capaz de acompanhar devidamente a subida do lateral esquerdo Niklas Hult nas situações em que Sam Larsson ou Isaac Thelin procuravam construir jogo pela esquerda através de simples tentativas de overlaping com o seu lateral (jogando para as costas de Cancelo, o que obrigava portanto Gelson a ser integral no acompanhamento de Hult).

Defensivamente, a primeira parte foi relativamente tranquila para a selecção portuguesa. Tirando uma situação ou outra em que Danilo não conseguiu matar as investidas que os suecos esporadicamente realizavam em velocidade no contra-ataque, não se pode dizer que a baliza defendida por Marafona tenha estado em constante sobressalto. Os suecos haveriam de criar apenas uma situação de perigo por intermédio do seu ponta-de-lança Christoffer Nyman.

Cumprida uma primeira parte aceitável num modelo de jogo diferente (só com um avançado, Ronaldo, mais móvel) com movimentações muito diferentes das que habitualmente são apresentadas, Fernando Santos decidiu voltar ao seu esquema habitual com a entrada de Éder no jogo, voltando a colocar um jogador de área ao lado de CR7. As entradas do jogador do Lille para o lugar de Bernardo Silva, de William Carvalho para o lugar de Danilo, de Pizzi para o lugar de João Moutinho e de Nelson Semedo para o lugar de Eliseu (obrigando João Cancelo a mudar-se para o flanco esquerdo; Fernando Santos desvitalizou propositadamente o flanco esquerdo na primeira parte com a colocação estratégica de Gelson mais colado ao flanco direito; o seleccionou presumiu que Cancelo seria capaz de continuar a manter a estabilidade defensiva da ala esquerda, o que não aconteceu porque os dois primeiros golos dos suecos são marcados precisamente por Claesson) estragaram a fórmula que tantos resultados tinha dado no primeiro tempo.

No regresso ao habitual 4x4x2, Portugal perdeu capacidade de pressão a meio-campo e perdeu o critério que Moutinho estava a garantir no capítulo da primeira fase de construção porque Renato Sanches revelou uma atitude apática e escondeu-se por completo do jogo. Em 3 lances nos quais é solicitado para pegar no jogo por William no círculo do terreno, o médio deixou-se antecipar por adversários, concedendo aos suecos a possibilidade de praticarem o futebol que mais lhes interessava. Num desses lances, iria nascer o 2º golo dos suecos.

A apatia do jogador do Bayern obrigou Pizzi, algo frustrado na ala esquerda pelo parco volume de jogo que aí recebeu, a ter que vir ao meio pegar no jogo como tanto gosta de forma a acrescentar critério e velocidade na construção com as rápidas aberturas que promoveu para o flanco direito para Gelson e Ricardo Quaresma. Se após a saída de Ronaldo aos 58″, o extremo do Sporting já revelava algum desgaste físico num contexto de jogo completamente diferente daquele que foi verificado na primeira parte (os suecos começaram a colocar 2 jogadores no flanco direito; Nélson Semedo apareceu mais por dentro; já não se verificava a situação de clara superioridade numérica que tantos desequilíbrios permitiu no 1º ao jogador do Sporting), com a entrada de Quaresma, a ala direita voltou a ganhar alguma vivacidade.

Quando a selecção ainda procurava dar uma alegria aos 10 mil que presenciaram este jogo histórico nos Barreiros 16 anos depois da última visita da selecção aquele estádio, eis que os suecos já em tempo de descontos, numa prodigiosa jogada desenrolada no flanco esquerdo, curiosamente numa das sobreposições que os suecos tanto puseram em prática nesse flanco, aproveitaram a falha da asa direita da selecção nacional para obter o seu tento da vitória, golo em que João Cancelo teve alguma infelicidade na forma em como abordou o cruzamento, inserindo o esférico no fundo das redes da baliza de Marafona.

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