Qué bien juega tu equipo, Julen! Pero no és tuya!


Os jogadores criam os treinadores. Qué bien juega la Roja com Julen Lopetegui. As sobreposições interiores que os alas e médios (no caso de Iniesta) fazem para oferecer as linhas de passe que acrescentam verticalidade e desequilibram qualquer defesa. A pressão que é feita assim que a equipa perde a bola. A velocidade de execução. As roletas que são executadas pelos jogadores menos técnicos da equipa para suplantar a primeira linha de pressão adversária de forma a tornar uma situação complicada num contragolpe coroado com o êxito. A tabelinha entre David Silva e Jordi Alba, tabelinha que rachou por completo o lateral adversário e permitiu ao lateral do Barça servir sem oposição a entrada na área do companheiro.

Pergunta-se: foi Julen quem trabalhou tudo isto? A resposta é óbvia, não, não foi Julen Lopetegui. E isso é prova mais que significativa do currículo de Julen nas selecções espanholas. É muito fácil pegar numa selecção quando se tem a magia dos jogadores do Barça, a velocidade de execução dos jogadores do Real Madrid, a intensidade com que jogam os jogadores do Atlético. Os jogadores chegam “feitinhos”. Construir equipas de raiz? Isso é mais difícil. A construção de equipas de raiz implica em primeiro lugar conhecer todos os jogadores no plano técnico, táctico, mental e perceber se o lote de jogadores satisfaz o modelo de jogo que se pretende implementar. Se não satisfaz, o treinador precisa de saber quem é que satisfaz esses critérios e pedir a contratação desses jogadores. Em segundo lugar, já com o plantel formado, o treinador precisa de construir esse modelo de jogo, ou seja, construir as dinâmicas de circulação de jogo, as dinâmicas que cada jogador terá que fazer para que essa circulação seja eficaz e proveitosa para a equipa, a atitude defensiva da equipa, o comportamento da equipa nas bolas paradas, o sistema de marcações, o sistema de pressão, entre outros aspectos. Quando o treinador consegue construir as chamadas rotinas da equipa, deverá ter em conta sempre a existência de planos B que possam suplantar eventuais lesões de peças-chave e adequação da sua equipa aos adversários que esta vai defrontar, preparando devidamente a equipa para se adequar ao jogo desse mesmo adversário.

Na passagem do técnico espanhol no Porto, provou-se, principalmente no primeiro ano que o técnico teve muitas dificuldades para cumprir esta necessária checklist. A prova disso mesmo? A rotatividade promovida pelo espanhol nos primeiros meses dessa temporada, sinal indicador que o trabalho que o espanhol deveria estar a fazer para construir minimamente aquela equipa não estava a ser feito. O espanhol tentou resultados a curto prazo, utilizando para o efeito em cada semana, literalmente, os “onze” que lhe davam mais garantias de sucesso ao invés de trabalhar um “onze” a longo prazo.

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