Um empate que sabe a pouco quando foi feito tanto


Tudo na mesma depois do jogo do título: o empate acaba por ter um sabor agridoce para ambas as equipas. O ponto não satisfaz os interesses traçados pelo Benfica para esta jornada nem reflectiu o que os encarnados fizeram ao longo dos 90 minutos. Há que dizê-lo abertamente: o Benfica fez por merecer a vitória apesar do empate também se justificar pelo excelente arranque de segunda parte que a equipa de Nuno Espírito Santo realizou e pelos problemas que causou à construção de jogo dos encarnados. Por outro lado, um empate na Luz foi um mal menor para os portistas. Estou certo que se vendessem aos adeptos do Porto um empate, 80 a 90% compravam-no antes da partida começar. Como referiu e bem Rui Vitória, o campeonato será disputado até às últimas jornadas. Restará ao Porto continuar a marcar os 3 pontos e ao Benfica ultrapassar o jogo de Alvalade.

Com um início demolidor de jogo (mesmo apesar da pressão no osso que os jogadores do Porto fizeram a meio-campo) principalmente dos jogadores que compõem o seu flanco direito (nos primeiros minutos foi essencialmente Nelson Semedo quem foi carregando a equipa para a frente com as suas fintas e progressões com bola no flanco direito) os encarnados, tal como eu previ neste post de antevisão, tomaram as rédeas do jogo, alcançando o primeiro tento numa grande penalidade que não existe. Jonas cria o desequilíbrio, tirando a bola do raio de acção de Felipe para depois dar aquele impulso enganador a Carlos Xistra porque precisamente teve a noção que poderia não chegar novamente ao esférico. No entanto, acredito que à velocidade a que se disputou o lance, Carlos Xistra tenha sido iludido pela ilusão que o brasileiro criou com o seu movimento. Felipe tenta pisar o pé de Jonas (é notória essa tentativa do central brasileiro nas imagens televisivas que a BTV cedeu) mas creio que acaba por não acertar no pé do brasileiro. Valeu-lhe a experiência para sacar a grande penalidade e convertê-la com muita classe, deixando Casillas cair para um lado antes de rematar para o meio da baliza.

Nuno pedia aos jogos para avançar no terreno. E os jogadores do FC Porto tiveram que o fazer perante um Benfica que demonstrou uma organização defensiva perfeita. Com as duas linhas avançadas muito compactas no corredor central e a linha defensiva estendida a toda a largura do terreno, esta foi a estratégia ideal para enfrentar uma equipa do Porto que rapidamente fez baixar Danilo para junto dos centrais de forma a poder fazer subir os seus laterais, ficando Brahimi numa posição mais interior (na primeira parte, o argelino sempre que teve bola foi óptimo a acelerar o jogo mas perdeu-se em fintinhas desnecessárias quando deveria ser mais objectivo; teve muitas hipóteses para rematar de meia distância quando conseguia flectir em finta para o corredor central mas acabava sempre por rodar para procurar o 1×2 com Alex Telles) e Corona mais aberto na direita. Do mexicano pouco ou nada vimos que uns cruzamentos à procura de Soares, evitando em muitas ocasiões o 1×1 contra Eliseu. Desapoiado na primeira parte (Maxi teve sempre que lidar com o perigo Rafa; o extremo causou perigo naquele lance em que foi lançado em profundidade no corredor esquerdo, rematando contra o uruguaio), o mexicano acabou por fazer jus a um jogo que teve dois flancos distintos: o esquerdo do Porto\direito do Benfica forte, o outro fraco. O jogo passou essencialmente pelo primeiro e isso obrigou o Porto a colocar mais unidades naquele flanco a seguir ao golo do Benfica, aparecendo Marcano a fazer a dobra a Telles nos lances em que Sálvio (aos repelões) conseguia estender o jogo até à linha de fundo. Dos centrais do Porto, não tenho nada a apontar. Conseguiram lidar melhor com os dois avançados do Benfica do que aquilo que previa.

Outro dos aspectos em que a equipa de Nuno Espírito Santo demonstrou dificuldades foi em aliviar correctamente a bola da sua área ou sair a jogar assim que a bola era recuperada no último terço. Brahimi arriscou em alguns lances saíndo a jogar em drible. Se o argelino tivesse perdido algumas das bolas em que miraculosamente conseguiu sempre arranjar solução, o Benfica poderia ter criado situações muito perigosas para a baliza de Casillas.

Os portistas fizeram pela vida mas as duas principais bolas da primeira parte pertenceram ao Benfica, mais concretamente a Mitroglou e a Luisão. No fundo, a único lance de verdadeiro perigo para a baliza de Ederson foi quando o brasileiro foi obrigado a defender aquele livre de Brahimi. Não foi uma defesa do século como quiseram entender os (hoje) mais comedidos comentadores da BTV mas sim uma defesa apertada, visto que a visão do guardião é atrapalhada por um conjunto de unidades à sua frente.
O congestionamento a meio-campo pedia a Danilo e a Oliver mais rapidez de processos na construção do jogo a meio-campo. Os dois jogadores foram na primeira parte algo lentos a fazer chegar a bola às alas pese embora o facto de terem sido efectivos no capítulo do passe. Contudo, perante o sistema de pressão forte feita pelo Benfica a meio-campo e a excelente organização do seu quarteto defensivo\flancos, pedia-se mais rapidez na construção a meio-campo.

A necessidade aguça o engenho dos artistas

Para bem dos objectivos da equipa, o argelino soube transformar-se no 2º tempo. Prova disso foi o trabalho feito no lance do golo. A sorte que assistiu aos portistas no golo de Maxi (há efectivamente nesse lance um pormenor de inteligência por parte de Soares, obrigando Lindelof a errar) foi a mesma sorte que não quis nada com Jonas quando obrigou Casillas a 1 defesa interessante (muito parecida com a de Éderson no livre de Brahimi) e a 2 defesas monumentais. O espanhol repetiu a dose que já tinha aplicado no jogo do Dragão contra o Sporting, “crescendo” quando a equipa estava completamente nas cordas.

Porém, o caudal ofensivo realizado pelo Benfica na 2ª parte (pecou por falta de finalização dos avançados nos momentos em que preferiram à entrada da área realizar tabelas; pelos fracos cruzamentos vindos da esquerda de Eliseu) poderia ter sido apanhado pelo directo e pragmático contragolpe do Porto. O lance em que Tiquinho Soares dá um toque a mais na bola (permitindo uma saída fantástica de Éderson) depois de ter sido lançado em velocidade contra os centrais do clube da Luz foi o exemplo mais crasso de uma estratégia que poderia ter dado certo em mais duas ou três ocasiões. Numa delas, faltou claramente frescura nas pernas de Brahimi quando foi lançado para as costas da defensiva encarnada, 2 minutos antes do jogador ter dado o seu lugar a Otávio. Com a equipa do Benfica totalmente balanceada no ataque, qualquer bola perdida por Pizzi (correu que se fartou) ou por Samaris poderia ter resultado no imediato lançamento da bola para as desmarcações de Soares ou para as corridas de Brahimi na esquerda.

As substituições: quer de um lado quer de outro, as substituições realizadas pelos treinadores não surtiram grande efeito. No lado do Porto, os 3 jogadores que entraram (Jota, André Silva, Otávio) acabaram por ficar comprometidos na estratégia defensiva que o Porto adoptou a seguir ao golo do empate. No lado do Benfica, Cervi veio dar alguma dinâmica que faltou claramente com Rafa mas à excepção de um ou dois cruzamentos, foi devidamente controlado por Maxi. O uruguaio acabou por levar o seu amarelo da ordem num lance em que trava precisamente o argentino quando este ia colocar velocidade na transição. Já Carrillo entrou para fazer duas caixinhas e para realizar um remate que valia uns dignos 3 pontos no rugby.

A arbitragem

Carlos Xistra deixou-se iludir no lance do penalty e acabou por manchar negativamente uma exibição que foi pautada pelo “deixa andar”. A estratégia utilizada pelo árbitro até acabou por ser a mais correcta para o jogo em questão. Os jogadores acabaram por não complicar o jogo, apesar de Jonas ter tentado tirar nabos da púcara nos primeiros minutos quando foi (propositadamente) espicaçar Nuno e Maxi junto ao banco do Porto. O árbitro fez bem em avisar o brasileiro porque o conselho serviu de bitola para a actuação dos 22 jogadores em campo: Xistra não estava para tolerar muitas palhaçadas. Tirando um fora-de-jogo ou outro (há um mal assinalado a Corona na 2ª parte que poderia levar perigo à baliza do Benfica porque o jogador tinha condições para receber na direita nas costas da defensiva encarnada) e uma dúzia de faltas a meio-campo, a arbitragem acabou por ser mediana.

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