A classe de Phillip Gilbert


Eu bem avisei! No post que ontem lancei a propósito do momento de forma actual do super campeão belga, acreditava piamente que o ciclista da Quickstep poderia surpreender todos aqueles que previam uma corrida mais ou menos linear, ou seja, a ser discutida pelos dois tubarões das clássicas da actualidade: Peter Sagan e Greg Van Avermaet.

Com um ataque forte na primeira passagem pelo difícil e inclinado paralelo do Oude Kwaremont (a 55 km da linha de chegada; o Oude Kwaremont é uma inclinação de 2,2 km feita em estrada de paralelo com uma percentagem máxima de 11%, constituindo-se portanto conjuntamente com o Patterberg um dos pontos-chave de decisão da prova) o belga voltou a repetir a dose que já o tinha feito sorrir nos 3 dias de Panne. É correcto afirmar porém que a conjuntura de corrida foi benéfica para a estratégia de corrida tomada pelo belga naquele preciso momento. Inserido no grupo da frente sem Sagan, Avermaet, John Degenkolb e André Greipel por perto, Gilbert teve a “sua” corrida ligeiramente facilitada no momento do ataque. Contudo, mais uma vez valeu ao belga a excelente leitura de corrida que soube fazer, atacando no preciso momento em que o pelotão poderia estar muito próximo de fazer a junção entre os principais candidatos.


O grande erro dos candidatos.

Sagan e Greg Van Avermaet ou como quem diz a Bora e a BMC cometeram o erro crasso de deixar sair um grupo muito perigoso do seu seio na aproximação aos locais-chave da corrida. Com Gilbert saíram homens perigosos como o seu companheiro de equipa Tom Boonen (acompanhados por uma preciosa unidade da equipa, Matteo Trentin) Alexander Kristoff, Sylvain Chavanel, Brian Coquard, Jasper Stuyven ou o belga Sep Vanmarcke. Aproveitando alguma desorganização na perseguição que era feita pelo pelotão (organização que teve que ser imposta pela BMC e pela Trek, apesar da Trek ter Stuyven no grupo principal; contudo, a equipa estava em primeiríssimo lugar a trabalhar para Degenkolb) este grupo conseguiu imediatamente ganhar uma vantagem confortável que permitiria aos ciclistas mais interessados na situação de corrida existente (Boonen e Gilbert) preparar com calma os ataques que poderiam surgir quer da parte de Boonen quer da parte de Gilbert no Oude Kwaremont ou no Paterberg, o local chave onde decerto poderia atacar Tom Boonen. Ironia das ironias, o lendário ciclista belga haveria de furar na primeira passagem pelo seu local favorito da prova.

Esta foi uma das várias peripécias que marcou a prova de hoje. Quando o belga já seguia isolado na frente da prova a cumprir o seu fabuloso solitário, no grupo de trás, Sep Vanmarcke caiu e arrastou consigo Luke Rowe da Sky. Já na parte final, após a junção do grupo de onde saiu Gilbert com o grupo de Sagan e Greg Van Avermaet, quando o eslovaco estava (a sensivelmente 20 e picos km´s da meta; devidamente acompanhado por Van Avermaet) a iniciar uma perseguição feroz ao homem da frente, acabou por perder de forma invulgar o controlo da sua bicicleta, arrastando consigo para o chão o ciclista belga da BMC. Greg Van Avermaet ainda conseguiu reagir e continuar a perseguição enquanto Sagan “finou-se” por ali.

Com uma gestão perfeita do tempo conquistado nos primeiros quilómetros do seu ataque (Gilbert chegou a ter 1:20 sobre toda a concorrência) o belga provou novamente que em grande forma é um ciclista a ter em conta para qualquer prova de um dia ou até para a conquista de vitórias em etapas nas grandes voltas porque é capaz de gerar energia suficiente para impor um andamento muito aceitável por longos quilómetros.

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