Gelson Dala: um diamante em bruto


A minha opinião em nada se alterou com o poker obtido pelo jogador frente ao Olhanense. Assim como nada alteraram naquilo que penso sobre o jogador aquela finta maluca que rachou dois adversários no jogo da sua estreia ou os maravilhosos e prodigiosos slaloms que o jogador faz pelo meio de vários adversários. Gelson Dala é efectivamente um diamante em bruto mas como qualquer diamante em bruto, qualquer descuido na sua lapidação poderá deitar a perder um jogador que tem potencial para render muito no plano desportivo e no plano financeiro. Não nos podemos esquecer que estamos a falar de um miúdo de 20 anos que até há bem pouco tempo jogava num futebol de baixo índice competitivo, num campeonato que é disputado a ritmo de samba, com baixa intensidade, com uma expansividade e criatividade 1000 por parte dos jogadores. Não podemos também esquecer as insuficiências tácticas do futebol africano se bem que no que concerne a este aspecto, a presença regular de técnicos portugueses na Girabola tem auxiliado o futebol angolano a trilhar alguma evolução nos últimos anos. Também não poderemos descurar o facto do jogador ainda demonstrar algum individualismo no futebol. O individualismo é preciso no futebol desde que devidamente controlado e desde que seja capaz de acrescentar benefícios ao jogo colectivo. Denoto que Gelson Dala precisa obrigatoriamente de saber o que é uma triangulação ou uma tabelinha para crescer como jogador.

Ponta-de-lança, segundo avançado, extremo ou médio ofensivo? Quais são as posições em que o jovem Jacinto Muondo Dalá, conhecido no mundo do futebol por Gelson (não confundir com o Martins), jogador que foi adquirido por valores ainda hoje desconhecidos ao 1º de Agosto de Angola, pode actuar? No fundo, no fundo, as 4. Instinto de killer, poder de desmarcação, finalização a um toque e poder de finalização em potência não lhe faltam para ser um bom ponta-de-lança. Poder de movimentação no último terço, uma boa capacidade de finta, uma mediana capacidade de cruzamento ou de execução do chamado “último passe” (características que terão de ser muito trabalhadas nos próximos meses) e poder de finalização a um toque ou em potência (a sua principal característica de resto) não lhe faltam para ser um bom segundo avançado. Finta, magia e criatividade são argumentos que o angolano tem de sobra para ser extremo e até se pode dar ao luxo de jogar no flanco esquerdo porque ou muito me engano ou será um jogador que poderá primar pela diferença se executar os clássicos movimentos em drible para o miolo de forma a aplicar o seu poderoso remate. E médio ofensivo poderá ser? Sim, também poderá ser. O angolano tem um argumento muito favorável para poder jogar como médio ofensivo nas costas de dois avançados se melhorar o último passe: é artista para entrar em slaloms pelo meio de vários jogadores, factor que é importantíssimo para romper em determinadas situações a primeira linha de pressão adversária (de forma a criar o desequilíbrio que permite o lançamento do contra-ataque em superioridade numérica) ou para abrir jogos contra equipas que apresentem sistemas defensivos profundos nos últimos 30 metros do campo com pressão imediata ao portador da bola.

Mas é preciso ter calma. Pelo que a imprensa tem especulado nos últimos dias, o jogador cumprirá com o plantel de Jorge Jesus a próxima pré-temporada. Mas não deverá cair imediatamente na equipa principal do Sporting sem cumprir o necessário empréstimo a uma equipa de primeira liga. Nestes casos, ou seja, em casos de jogadores que saem de um nível pouco exigente para um nível de futebol de exigência média alta, os empréstimos para rodar fazem todo o sentido para que o jogador possa jogar com mais regularidade, possa aprender com técnicos mais ou menos qualificados e possa evoluir em vários planos do jogo, principalmente no defensivo que é aquele que o jogador me parece actualmente num estado mais impuro. Meio ano numa equipa que alinhe essencialmente no contra-ataque no plano ofensivo e que seja extremamente recuada e organizada no plano defensivo só poderá fazer bem ao jogador porque irá obrigá-lo a desenvolver as características onde neste momento me parece insuficiente (cobertura de espaços, acompanhamento de adversários directos, p.e laterais contrários). O jogador e o Sporting só tem portanto a ganhar com esse empréstimo como ganharam por exemplo no caso de João Mário ou Daniel Podence.

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