Análise: Manchester United 1-1 Everton


O desvio de um remate com a mão por parte do central internacional pelo País de Gales Ashley Williams perdoou uma exibição muito cinzenta do Manchester United de José Mourinho no jogo realizado em Old Trafford. Faltaram muitas ideias aos Red Devils para contornar o bem montado esquema defensivo de Ronald Koeman (em bloco médio\pressão a meio-campo na 1ª parte; num bloco mais recuado nos seus últimos 30 metros no 2º tempo) em virtude da baixa velocidade de execução nas transições para o ataque e da falta de largura e profundidade dado ao jogo pelos homens da casa durante praticamente todo o jogo. O empate castiga mais o que os jogadores da equipa de Liverpool fizeram em campo (um jogo tacticamente perfeito; os seus processos de jogo ofensivos executados com mestria) pese embora o facto do United ter visto um golo anulado a Zlatan Ibrahimovic que poderia ter modificado o desfecho final do resultado.

Podendo em caso de vitória ficar com o rival Manchester City a apenas 2 pontos de diferença à condição (os citizens jogarão amanhã um clássico muito importante para as contas de ambos, por motivos diferentes, contra o Chelsea) a equipa de José Mourinho fez uma primeira parte tenebrosa quando se pedia uma entrada a todo o gás perante uma equipa que é muito perigosa por vários motivos. Este Everton de Ronald Koeman é uma equipa que em primeiro lugar defende bem (nas últimas 9 partidas só sofreu 9 golos em 3 dessas 9 partidas) assentando a sua estratégia numa boa atitude defensiva para depois por em marcha os seus bem trabalhados processos ofensivos quando as partidas se encontram minimamente estáveis. Foi isso que aconteceu precisamente em Old Trafford. Com uma entrada muito tímida em que os comandados de José Mourinho preferiram jogar um futebol apoiado lento de passe curto, essencialmente pelo flanco esquerdo ou pela meia esquerda de forma a jogar com Zlatan Ibrahimovic ou a criar oportunidades para o dribblig individual de Marcos Rashford (o flanco direito do United foi uma mentira até aos 10 minutos finais), os Red Devils só criaram perigo em remates de fora da área por intermédio de Jesse Lingard (foi obrigado por falta de volume de jogo do seu flanco a ir ao meio explorar o espaço existente entre a linha média e a linha defensiva do Everton), Ander Herrera (para grande defesa de Joel Robles) ou Daley Blind na marcação de um livre directo à entrada da área, ligeiramente descaído para o flanco direito.  O guardião nascido em Getafe (arredores de Madrid) haveria de corresponder com uma brilhante parada ao livre marcado para a gaveta pelo holandês (hoje a lateral esquerdo) num lance que terminou com a bola na trave depois de Ander Herrera ter sido mais rápido a chegar ao ressalto.

Da primeira parte da equipa da casa no plano ofensivo viu-se muito pouco. Uma equipa que não consegue colocar um passe longo a acrescentar profundidade ao jogo, que não faz uma tabela, que não consegue fazer um 1×2 ou uma sobreposição ala\extremo para ganhar a linha de fundo jamais poderá ser campeã num futebol tão competitivo como é o inglês.

Com o jogo estabilizado, principalmente na sala de máquinas do meio-campo (a lentidão de processos de Ander Herrera e Fellaini na fase de construção foi um isco fácil para as formiguinhas que Ronald Koeman tem no seu meio-campo; excelentes exibições de Gareth Barry, Idrissa Gueye e Tom Davies) gostei particularmente de ver os Toffies colocar na perfeição os seus processos de jogo. A equipa de Ronald Koeman é uma das raras equipas na Premier League que não usa com abundância a lateralização do jogo para ser bem sucedida. Com uma linha média sempre em constante rotação dinâmica para obrigar a equipa adversária a andar ali à roda e um criativo chamado Ross Barkley (ele pega o jogo em todo o lado) os toffies procuraram sempre as suas referências do ataque (Mirallas e Romelu Lukaku) para praticar um futebol apoiado em que a dupla de avançados belga assume papeis de importância extrema quer na progressão ofensiva quer na criação de espaços que permitem a finalização. Foi precisamente numa movimentação peculiar de Lukaku (vir atrás buscar jogo) que iria surgir o lance que permitiu o golo ao central Phil Jagielka (primeira parte trabalhosa na qual o central teve que dobrar várias vezes o seu lateral-direito) inaugurar o marcador na sequência de um canto: o belga deu uns passos atrás para simular que vinha buscar um passe de Gareth Barry (arrastou a marcação consigo) para criar o espaço que seria aproveitado por Barkley para entrar e para receber a abertura do veterano médio inglês. Desta situação iria nascer o pontapé de canto que conduziu os toffies à vantagem num lance em que existe uma falha de comunicação gravíssima entre Marcos Rojo e David DeGea. Jagielka acreditou, colocou o pé na bola e bateu o guardião espanhol para desespero de José Mourinho.

Na 2ª parte seria portanto natural que o Everton alterasse a sua identidade de jogo para um bloco mais recuado e que José Mourinho alterasse o figurino do seu arrastado meio-campo. O português tentou mexer no meio-campo com a entrada de Paul Pogba mas o que é certo é que o francês ainda veio piorar a situação no que concerne à velocidade das transições para o ataque. O internacional gaulês ainda não se apercebeu que para ser bem sucedido em Inglaterra terá que deixar mais em campo. A situação só seria alterada com a entrada de Henrik Mkhytarian. O internacional arménio é o jogador mais rápido que o treinador português possui para acelerar o jogo a meio-campo. Depois de ver a diferença de velocidades entre Ander Herrera e o jogador que o United foi buscar a Dortmund continuo sem perceber porque é que Mourinho continua a insistir nas soluções Herrera e Pogba para a posição 8 em detrimento da utilização naquele lugar do pêndulo que é Mkhytarian.

O Everton modificou a sua forma de jogar. Koeman recuou linhas sem alterar a intensidade de pressão a meio-campo passando a apostar no cinismo do lançamento em profundidade dos seus avançados. Romelu Lukaku e Kevin Mirallas fizeram tremer os centrais do United, que o diga Marcos Rojo perante a ameaça do possante internacional belga. Eric Bailly fez felizmente uma exibição mais sóbria que o seu companheiro no eixo da defesa. No entanto sempre que Lukaku era lançado em profundidade no 1×1 contra Rojo, o jogador belga (em fim de contrato com os toffies; tem-se falado da hipótese de vir a reforçar o Chelsea no final da temporada; é desiderato do belga vir a jogar numa equipa que participe na Champions) conseguiu criar perigo junto da baliza de DeGea. Se alguém tivesse correspondido às suas múltiplas solicitações para a pequena área, a equipa de Liverpool teria levado os 3 pontos para casa.

Como tal não veio a acontecer e como o United pegou finalmente no jogo a partir dos 65″ graças a um aumento da lateralização do seu jogo no último terço, foram inúmeras as situações de finalização que foram criadas quer para Marouane Fellaini quer para Zlatan Ibrahimovic. O internacional belga esteve num dia não no que respeita ao capítulo da finalização. Já o sueco conseguiu colocar uma bola no fundo das redes de Joel Robles com um vistoso cabeceamento nas costas dos centrais. O lance haveria de ser injustamente anulado por motivo de fora-de-jogo no entender do assistente de linha lateral. Na repetição do lance nota-se que apesar de ter o tronco ligeiramente mais à frente em relação à postura do último jogador, os pés do sueco estão bem atrás dos pés deste. A cumprir o critério para situações duvidosas, o assistente deveria ter validado o golo.

O United carregou forte nos últimos minutos. Paul Pogba enviou uma bola à barra num cabeceamento na sequência de um lance de bola parada. Fellaini teve 3 oportunidades na área, não consigo rodar devidamente para finalizar. Com o jogo a caminhar para o seu final, seria já a poucos segundos do término da partida que Zlatan haveria de empatar na sequência de uma grande penalidade a castigar um corte com o braço do central Ashley Williams.  O cansaço toldou as emoções do galês num remate que levava selo de golo, perdoando como referi no início deste post, uma péssima exibição da turma de José Mourinho.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s