O adeus de Monchi Rodriguez ao Sevilla


 

Por detrás do trabalho que é realizado no campo e nos balneários pelos jogadores, treinadores, preparadores físicos, olheiros, enfermeiros, fisioterapeutas, médicos existe por vezes nos clubes, uns a trabalhar mais na penumbra que outros, uma figura que também é muito importante na conquista de resultados desse mesmo clube: a figura do director desportivo. O Sevilla acabou de perder o melhor da actualidade para a AS Roma: Monchi Rodriguez.

O grande obreiro da ascensão protagonizada pelo Sevilla na última década, quer no cenário espanhol quer no cenário europeu, ascensão coroada com a conquista de 6 títulos europeus e 3 espanhóis, irá mudar-se (em boa hora) para a AS Roma de James Palotta. O multimilionário americano (de origem italiana) apercebeu-se finalmente que a Roma só poderá aspirar a títulos quando tiver um director desportivo capaz de pensar uma estratégia a médio e longo prazo ao invés da estratégia temporada-a-temporada que tem sido pensada desde que o clube se sagrou campeão italiano pela última vez em 2001.

Monchi foi essencial no rumo que o Sevilla trilhou nos últimos 15 anos. Quando o dirigente assumiu o cargo de director desportivo do clube em 2001, 1 ano depois de se ter despedido das balizas do clube, o clube sevilhano era um clube afogado em dificuldades financeiras e sem um rumo definido, oscilando entre a primeira divisão e a segunda divisão. Monchi haveria de revolucionar por completo a política do clube, constituindo-se actualmente como um modelo de gestão desportiva a seguir: o Sevilla precisava em primeiro lugar de criar condições infraestruturais e técnicas para formar bem (ao nível dos maiores clubes espanhóis) e de contratar a baixíssimo custo sem olhar a nomes. Se olharmos actualmente para o clube pensamos que as conquistas europeias (6) custaram muita massa aos cofres do clube. Mentira! O jogador mais caro que os sevillhanos compraram nos últimos anos custou 15 milhões de euros (Franco Vasquez). Quem é que não gostaria de vencer 5 Ligas Europas com investimentos em contratações inferiores a 35 milhões de euros por temporada?


A gloriosa subida dos andaluzes ao topo do futebol espanhol foi efectivamente conquistada com base nos produtos da formação (José Antonio Reyes, Sérgio Ramos, Diego Capel, o falecido Antonio Puerta, José Luis Martí, Jesus Navas, Sérgio Rico) e com base numa política de contratação low-cost de jogadores semi-desconhecidos (Gary Medel, Federico Fazio, Adriano Correia, Daniel Alves, Ivica Dragutinovic, Seydou Keita, Coke, Diogo Figueiras, Geoffrey Kondogbia, Mariano Ferreira, Vitolo, Gregorz Krychowiak, Nico Pareja, entre outros; nenhum destes jogadores custou aos sevilhanos mais de 5 milhões) e de apostas de risco em jogadores promissores (Rakitic foi resgatado ao Schalke por 2,5 milhões de euros; Lautaro Acosta) ou em flops de outros clubes como Luis Fabiano (10 milhões), Javier Chevantón (8,9 milhões), Frederic Kanouté (6,5 milhões de euros), Romaric (8,5 milhões), Abdoulaty Konko (8,5 milhões), Álvaro Negredo (10 milhões), Martin Cáceres (3 milhões). 

Por outro lado, Monchi escolheu sempre os treinadores mais competentes para a conjuntura do clube. Joaquin Caparrós foi o técnico escolhido para estabilizar o clube em definitivo na primeira liga. Juande Ramos foi o treinador escolhido para dar o salto no cenário espanhol, acabando por inocentemente ser o obreiro dos primeiros títulos europeus. Pelo meio seguiram-se alguns flops como Gregório Manzano e Michel, até chegar Unay Emery, o homem que revolucionou tudo, dotando novamente o clube de capacidade para lutar e conquistar títulos europeus para além do “serviço de combatividade” doméstico que o clube já era capaz de realizar na Liga Espanhola.

As apostas de Monchi acabaram portanto por dar frutos no plano desportivo e no plano financeiro. Desde 2001, o Sevilla gastou 372,93 milhões de euros (o ano em que gastou mais foi precisamente este último com gastos de 71 milhões de euros; exceptuando duas temporadas em que o clube gastou 37 milhões de euros, durante 13 temporadas, o clube chegou a gastar menos de 20 milhões em contratações), facturando durante as últimas 16 temporadas nada mais nada menos que 519,23 milhões de euros em vendas. As mais-valias geradas em transferências foram portanto de 146,3 milhões. A esse valor se deve somar as mais-valias financeiras geradas pelo rendimento desportivo destes jogadores.

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