Ou fazes e demonstras aquilo que eu quero ou…


… podes começar a procurar clube. Esta foi basicamente a mensagem enviada por José Mourinho para o exterior com destino ao interior do balneário, mais concretamente, com destino ao lateral Luke Shaw.

Esta técnica de comunicação, desde sempre utilizada pelo treinador português para arrasar por completo (para não dizer queimar em praça pública) o desempenho, a atitude e a motivação de um jogador de forma em determinado momento para ver se ele altera radicalmente o seu profissionalismo, ambição, atitude, desempenho nos treinos e nos jogos foi uma fórmula eficaz que deu muitos resultados ao longo dos anos.

A lista de jogadores que já passaram por este tipo concreto de situação é longa. Só assim por alto lembro-me das críticas tecidas pelo técnico a Jorge Costa, Deco, Benny McCarthy, Eidur Gudjohnssen, William Gallas, Wayne Bridge, David Luiz, Cesc Fabregas, Samuel Eto´o, Eden Hazard, Marco Materazzi, Christian Chivu, Walter Samuel, Patrick Vieira, Sulley Muntari, Thibault Courtois, Mario Balotelli, Iker Casillas, Bastian Schweinsteiger, Marouane Fellaini.  A grande maioria destes jogadores foram aqueles que acabaram por se tornar em muitos dos casos os esteios que sustentaram as vitórias alcançadas pelo treinador português. A grande parte destes jogadores foram aqueles que quando findaram a sua ligação ao técnico português só conseguem dizer bem da sua personalidade, dos seus métodos de trabalho e de tudo o que este fez pela sua evolução enquanto jogadores de futebol.

Quando Mourinho não está satisfeito com o desempenho de algumas atitudes de um jogador é capaz de o arrasar, de o esfolar vivo, de lhe tirar o sono até que esse mesmo jogador seja capaz de render o que Mourinho exige. Se esse jogador corresponder, voltará a ser tratado como um filho. O jogador que não melhore o seu rendimento tem a porta da rua aberta para procurar outro clube. Foi o que aconteceu a William Gallas (apesar do jogador francês ter jogado como Mourinho queria em todas as posições da defesa depois de ter sido avisado), a David Luiz e mais recentemente a Bastian Schweinsteiger depois de um longo período de travessia no deserto porque Mourinho efectivamente encostou o alemão, assim como encostou Iker Casillas no Real Madrid e Cesc Fabregas, Eden Hazard, Thibault Courtois ou Diego Costa na última temporada no Chelsea. Isso explica muito do sucesso de José Mourinho no futebol. Olhe-se o exemplo do empréstimo de Jorge Costa ao Charlton e a vontade com que o jogador regressou de Inglaterra para ser bicampeão, vencedor da UEFA e campeão europeu. Olhe-se por exemplo a guerra mantida com Samuel Eto´o no Inter. O camaronês rejeitava na altura ser utilizado pelo português a extremo direito. A sua atitude levou José Mourinho a tomar semelhante atitude junto da imprensa, acusando na altura o avançado de ser um mau profissional. Samuel Eto´o viria a ser utilizado a defesa direito (de recurso) em Nou Camp no jogo das meias-finais da Champions dessa temporada. Olhe-se o exemplo de Marco Materazzi. Na primeira temporada no Inter, Mourinho queria dispensar o jogador porque considerava que o central era “um poço de defeitos cheio de vícios adquiridos” – o jogador viria a melhorar drasticamente o seu rendimento, sendo uma das pedras basilares das conquistas do português no clube e viria a comover meio mundo quando este se despediu do plantel quando já era certa a sua mudança para o Real Madrid. 

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