Algumas notas sobre a eleição de Fernando Gomes para a vice-presidência da UEFA



Foto: Tiago Petinga\Agência Lusa

A nomeação de Fernando Gomes para uma das vice-presidências no “Consulado Ceferin” na UEFA não me causou muita admiração. Por inerência do peso que o futebol português ganhou no cenário europeu em virtude da vitória da nossa selecção no Euro 2016, fiel da balança a favor deste em contraposição à perda de influência dos nossos clubes no cenário internacional, Aleksander Ceferin jamais poderia formar um executivo sem a presença do penumbroso rei do futebol português. A nomeação foi merecida? Não, não foi. Fernando Gomes tem feito muito pouco pelo futebol português ao longo da sua estadia no órgão que tutela o futebol português. Um resumo mais lato destes anos leva-me a referir que de bom dos mandatos de Gomes, apenas se trilhou uma evolução positiva no futebol feminino, dotando-o de uma maior competitividade no escalão sénior com a entrada dos “tubarões” do futebol masculino e de mais verbas para os clubes pequenos, os verdadeiros formadores do futebol feminino.


Nos outros campos dos seus mandatos, a selecção foi vendida como um produto comercial durante os primeiros anos para abater os gigantescos passivos da FPF, a Cidade do Futebol foi vendida como um projecto “inovador” quando de inovador nada tem (aliás, arrisco-me aqui a dizer sem qualquer tipo de pejo que a obra está 20 anos atrasada face às actuais necessidades do futebol português; para além do mais, é uma obra que ameaça o ecossistema da zona em que foi construída) e Fernando Gomes tem demonstrado ser um agente nulo no que concerne aos esforços de pacificação que o futebol português carece neste preciso momento.

Esse facto leva-me obviamente a questionar as razões que levaram o actual presidente da UEFA a confiar a pasta da relação institucional entre o organismo e os clubes a um dirigente que não consegue gerir a relação entre a instituição que dirige e os clubes do seu país e que não consegue por “ordem na casa” quando a casa está literalmente a arder. Qual foi o critério que levou alguém a ponderar entregar tal missão a um agente que não consegue lidar com os problemas internos que o seu futebol atravessa? Qual foi a bússola que norteou a escolha de um dirigente que parece ser incapaz de por ordem na sua própria casa? Se o presidente da FPF não consegue lidar convenientemente com uma situação como a do Canelas, terá capacidade para lidar com os interesses instalados no organismo de um Barcelona?

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