Primoz Roglic vence no País Basco


Na chegada a Bilbao, na etapa que antecedeu a etapa rainha da prova basca, o esloveno Primoz Roglic voltou a confirmar a razão que leva muitos analistas da modalidade a considerá-lo uma das grandes surpresas deste início de temporada. O vencedor da geral individual da edição de 2017 da Volta ao Algarve (e 4º classificado da geral da última edição do Tirreno-Adriático) conseguiu terminar da melhor forma uma etapa que voltou a ser marcada por um fortíssimo final e por uma data de azares de alguns ciclistas.

A fuga do dia foi protagonizada por 4 ciclistas. O veterano Amael Moinard da BMC era de longe o mais perigoso do quarteto em fuga. Apesar do pelotão, comandado essencialmente pela Astana (a trabalhar para a vitória na etapa de Luis León Sanchez) e pela equipa do líder David de La Cruz (Quickstep) não terem colocado um ritmo de perseguição alto no pelotão, conseguiram alcançar os escapados bem antes da subida final.

Com a corrida lançada na primeira passagem pela linha da meta, vieram os primeiros azares para os candidatos. O primeiro grande azar teve novamente o dedo “criminoso” da organização – à semelhança do que aconteceu em 2015 na queda que quase terminou com a carreira de Peter Stetina, a organização da prova voltou a colocar mecos na estrada para impedir que condutores menos precavidos deixassem os seus carros no tempo de intervalo entre as duas passagens dos ciclistas na aproximação ao centro da cidade de Bilbao. O erro por parte da organização custaria uma queda colectiva que causou “vítimas” para a competição. Na queda, 2 chefes-de-fila (Dani Navarro da Cofidis e Stephen Cummings da Dimension Data) acabaram por desistir da corrida e Alberto Contador acabou por escapar da queda sem graves lesões. Este não seria o único contratempo para o espanhol na etapa. Pelo meio, sem me aperceber a razão pela qual já estava atrás do pelotão, Julian Alaphillipe voltou também a ter o azar à porta. O francês, acompanhado por Martin Velits, ainda tentou recolar ao pelotão num primeiro esforço

Esta não foi a única falha da organização. Vi por exemplo que pouco antes da primeira passagem pela meta por parte do pelotão, a organização abriu um corredor de passagem para que vários peões pudessem atravessar a via em que iam passar os ciclistas. Outro dos pormenores pouco conseguidos pela organização verificou-se por exemplo no acesso à subida final. A via de acesso na curva de ligação ao início da escalada era de um espaço muito limitado, rodeada de ambos os lados por vigas que usualmente são utilizadas nas estradas como separadores de faixa. Se algum ciclista menos precavido não conseguisse realizar bem a viragem corria o risco de se espetar contra uma viga, o que decerto não seria bonito de se ver.

Com a Astana na frente, nos primeiros metros da subida final foram marcados pelo segundo contratempo de Alberto Contador quando o espanhol parou devido a falha mecânica. A prontidão de Julien Bernard na cedência da sua bicicleta salvaria a prova a El Pistolero. Com a bicicleta do companheiro, o espanhol teve que pedalar pelo meio de meio pelotão em acto de descolagem para poder chegar lá a frente. Em boa hora o fez porque a subida final viria a ter vários ataques por parte dos candidatos à vitória.

A Quickstep de David de La Cruz foi obrigada a tomar as rédeas da prova face aos diversos ataques que a subida foi proporcionando. O primeiro grande ataque foi o do campeão Irlandês Nicholas Roche da BMC. O irlandês aproveitou a liberdade que lhe foi concedida para atacar em virtude da sua posição muito atrasada na geral mas o ataque haveria de dar muita parra e pouva uva. Roche haveria de ser alcançado para posteriormente chegar inclusive a descolar do grupo dos favoritos. Com os colombianos Sérgio Henao (Sky) e Rigoberto Uran (Cannondale) à espreita, foi a vez dos homens da Orica passar ao ataque. Na ponta final da subida, tanto Adam Yates como Roman Kreuziger manifestaram vontade de arrancar para diminuir o gap cavado para os homens da frente na geral. Se até lá era o líder da prova quem ia respondendo aos ataques, a partir do ataque de Yates (o ciclista inglês ainda passou em primeiro no alto da 2ª categoria) foi o “rei da festa” Alejandro Valverde quem teve que ir lá dizer quem manda. Primoz Roglic também deu um ar da sua graça quando tentou atacar no início da descida que ligava a última dificuldade do dia a Bilbao, numa altura em que o grupo principal já estava reduzido a 25 unidades.

O esloveno foi alcançado mas não perdeu a ideia de ganhar a etapa. A 2,8 km da meta, lançou um ataque decisivo e foi ganhando metros, metros que efectivamente foram muito valiosos para vencer a tirada face ao sprint lançado por Michael Matthews e conquistar a liderança da prova. Se o chefe-de-fila da Sunweb tivesse aguentado a subida final da etapa 3 como aguentou a de ontem, ainda estaria com a camisola amarela vestida na entrada para as etapas em que se vai decidir a vitória na geral individual.

Na chegada à recta da meta, como não há 2 sem 3, Alberto Contador viria a estar envolvido em outra queda, escapando novamente ileso. O espanhol acabaria por terminar a etapa com uma enorme descontracção, pese embora o facto de ter ficado com o jersey da equipa rasgado na zona dos ombros.

À entrada para a etapa rainha da Volta ao País Basco é este o cenário da classificação geral individual:

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