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gastão elias

Federação Portuguesa de Ténis

Num dia tão movimentado no plano desportivo, com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, desde o Paris-Roubaix (a minha prioridade do dia) até ao futebol internacional, passando indispensavelmente pelas contas do nosso campeonato, por vezes esquecemos os grandes feitos que se vão realizando noutras modalidades. Não me esqueci porém da nossa selecção de Ténis. A selecção portuguesa de Ténis jogará o playoff de acesso à zona mundial da Taça Davis.  23 anos depois, a equipa (leia-se jogadores e treinadores) que é curiosamente capitaneada e treinada por dois dos tenistas (Nuno Marques e Emanuel Couto) que conseguiram há 23 anos atrás o feito inédito de disputar pela primeira vez o acesso ao topo da mais antiga competição por selecções do mundo, está de parabéns! João Sousa, Gastão Elias, João Domingues, Pedro Sousa e o suplente Frederico Silva estão a um passo de gigante de poderem conquistar aquilo que ao longo de vários anos parecia impensável.

Indiferentemente do resultado que a equipa venha a obter no playoff, o importante é que já demos um passo significativo para lá chegar. Isso é efectivamente sinal que o nosso ténis está finalmente a trilhar o rumo certo, ou seja, o caminho para o topo. Contudo quero aqui deixar uma nota direccionada para a Federação Portuguesa de Ténis que me parece pertinente face a outros exemplos de menor aproveitamento do mediatismo conquistado pela presença num determinado patamar (competição) de excelência: sei que o ténis nacional está a passar por uma fase de expansão muito interessante ao nível da formação. Na cidade onde resido, Viseu, existe uma oferta (pública e privada) infra-estrutural muito interessante quer para a prática amadora (de lazer) quer para a prática federada. Os courts (principalmente os do Politécnico e os do Fontelo) estão sempre ocupados, sendo difícil conseguir marcar uma hora para praticar. O que acaba por ser bom sinal. Também tenho notado que a comunicação social local tem dado mais destaque à modalidade, publicando esporadicamente os feitos dos atletas da formação dos clubes\escolas existentes na cidade. Tal facto remete-me para uma ideia muito particular: são estes feitos, aqueles que devem ser capitalizados (optimizados se calhar é a palavra mais correcta) ao máximo como móbil para promover uma maior e melhor divulgação da modalidade, esforço que decerto trará os seus frutos ao nível do aumento do número de praticantes.

Por outro lado são estes os feitos que permitem aos dirigentes de uma determinada modalidade ganhar um certo “estatuto” para reivindicar melhores condições para essa mesma modalidade junto dos decisores políticos. Ao contrário de outras federações que não aproveitaram os momentos de glória das suas selecções (como é o caso da Federação Portuguesa de Rugby) para melhorar as condições infraestruturais existentes, para criar mais infraestruturas de raiz, para criar um centro de alto rendimento moderno (preferencialmente para uso exclusivo), para se modernizar ao nível técnico ou ao nível dos equipamentos de treino, para dotar os clubes de mais verbas de forma a torná-los mais sustentáveis e mais eficientes, e para ajudar à criação de novos clubes, tentem aproveitar a onda para angariar condições e recursos para formar mais e melhor. Só assim poderemos continuar a reduzir os handicaps em relação às grandes potências da modalidade.
Temos actualmente dois grandes tenistas no top 100 mundial. Se tudo correr bem em breve teremos 4 tenistas no top 200. No entanto, os nossos bem mais cotados tenistas (João Sousa e Gastão Elias) não foram formados cá por falta de condições para poderem evoluir para o nível de competitividade que actualmente apresentam, e para chegar onde chegaram no mundo do ténis tiveram que sair do país a expensas das suas famílias, sem ter contudo a garantia que um dia chegariam ao verdadeiro e rentável profissionalismo.

Quero com isto dizer que é um privilégio termos atletas tão completos e tão capazes quanto o são actualmente João Sousa e Gastão Elias. Mas, as conquistas do ténis portugueses serão mais saborosas quando formos capazes de conseguir formar a 100% (dentro de portas) este tipo de atletas. Quando esse dia chegar, saberemos que conseguimos evoluir e estar ao nível das grandes potências da modalidade. Aproveitem o momento e muitos parabéns! Venha lá essa eliminatória decisiva!

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