Aquele momento em que te apercebes que a defesa do Arsenal bateu no fundo!


Má cobertura dos espaços de defensivos, concentração de vários jogadores num curto espaço de terreno, facilitando o trabalho ao adversário na procura de espaços nas zonas do terreno que estão despovoadas (principalmente nas laterais porque os laterais do Arsenal colam-se aos centrais), falta de intensidade na pressão a meio-campo (Mohammed El Neny é um jogador sem qualidade alguma para estar num clube como o Arsenal; Granit Xhaka continua sem me convencer; para o Borússia de Monchengladbach o suíço foi o negócio do século), dois laterais que defendem muito mal (Bellerin ainda se safa no ataque) e dois centrais sistematicamente apanhados em contrapé porque não sabem o que é realizar uma marcação ao seu adversário directo.

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A coisa vai de mal a pior no feudo privado de Arsène WengerAs suas equipas nunca foram gabadas por serem um primor na atitude defensiva. Antes pelo contrário. Até nos anos em que o técnico francês levou o clube de Highbury a uma ímpar senda de títulos na sua história (13 entre 1997 e 2005) a coisa resolveu-se quase sempre através da colocação de um panzer (Patrick Vieira) à frente de uma dupla de centrais (Tony Adams\Steve Bould; Tony Adams\Sol Campbell) dura de rins e forte no jogo aéreo num sistema de defesa em linha que sempre funcionou com laterais de preponderância ofensiva. Nunca fui fã de nenhum destes centrais porque a estética andava arredada destes como o diabo tenta arredar-se da cruz. Nos primeiros anos de Wenger é legitimo afirmar que o possante médio francês resolvia grande parte dos problemas defensivos do seu compatriota porque era efectivamente um monstro no posicionamento, na pressão, no desarme e no capítulo da intercepção de passes. E não só. Muita da capacidade ofensiva da equipa também se devia facto do francês estar sempre disponível para ir buscar jogo de forma a iniciar as transições, para fazer maravilhosas aberturas e para abrir junto aos centrais de forma a que os laterais se pudessem projectar nos flancos. O resto é o típico W formado a meio-campo no 4x2x3x1

As equipas de Wenger sempre foram conhecidas e elogiadas pela estética do seu futebol ofensivo em qualquer uma das suas versões: na versão pragmática do final dos anos 90 na qual o lançamento em profundidade para os avançados (Ian Wright, Dennis Bergkamp; posteriormente Kanu, Henry) era o processo de jogo mais procurado pela equipa, na versão posterior já optimizada com a entrada de vários jogadores na qual todo o ataque (Pires, Ljungberg, Bergkamp, Henry, Kanu, Wiltord) tinha ordem para soltar toda a sua criatividade e brilhantismo individual e colectivo ou na versão de jogo de controlo do jogo pela posse e pela constante ordem para atacar quando a primeira geração orientada pelo francês saiu de cena para dar lugar à geração de jogadores com Fabregas, Rosicky, Aliaksandr Hleb, Robin Van Persie e Emmanuel Adebayor.

Se a partir de 2005 a equipa nunca mais ganhou algo que se apresente, das “promissoras” épocas que Wenger anunciava ano após ano (aqui está uma analogia que se pode traçar com o meu Sporting; “este ano é que é”) salvou-se quase sempre a qualidade do futebol à falta de outros argumentos, principalmente nos jogos grandes contra os outros candidatos ao título da Premier League. Os constantes fracassos dos gunners nos jogos contra os outros clubes grandes e a constante irregularidade da equipa nos momentos em que pode lidar ou esteve perto de poder lidar a prova, levaram o clube a uma seca que já dura há 13 anos no que respeita à Premier League.

O problema que se tem colocado na presente temporada é precisamente esse: a equipa não ganha e está longe de ser a campeã da arte do futebol bonito na Premier League. E a culpa disso mesmo não reside na falta de dinheiro sentida noutras épocas bem recentes, porque desde a entrada da Emirates na vida do clube londrino, o que não falta é dinheiro e o clube já não precisa obrigatoriamente de vender aos outros rivais os jogadores que vai formando ou que vai comprando para desenvolver. Falta sim o talento que Wenger tinha de sobra nos planteis dos seus primeiros anos, falta uma maior sobriedade no scouting face às reais necessidades dos planteis e falta também uma pequena dose de evolução na cabeça do técnico no que concerne à adopção de uma nova filosofia de jogo por contraposição aos fracassos da actual, bem como novas metodologias de treino. Ou seja: os factores que tantos êxitos lhe deram no passado são no presente as suas principais negações. Não podemos de forma nenhuma esquecer e até é bom relembrar que uma quota parte dos êxitos alcançados pelo técnico se deveram à brilhante percepção que este teve do futebol inglês quando o técnico se apresentouno Highbury Park em 1996: haveria uma maior probabilidade de vencer se a equipa fizesse uma ruptura com o tradicional kick and rush do futebol britânico, através da implantação de um modelo de 100% pelo chão por parte de uma equipa composta maioritariamente por jogadores continentais ou de países com um modelo de jogo praticado pelo chão. Inaugurou-se portanto a era dos franceses no Arsenal.

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A Liga Inglesa evoluiu e o futebol da Old Albion também evoluiu. O kick and rush não caiu totalmente em desuso mas neste momento, qualquer equipa da Premier não sobrevive na Liga se adoptar um modelo de jogo exclusivamente baseado no penaste lá para frente e o avançado que corra… O único que não parece ter evoluído durante este período foi precisamente o treinador do Arsenal. Wenger comporta-se no clube londrino como aquele ressacado que está sempre a comprar droga para ver se consegue repetir aquela moca. Mas a droga que lhe é vendida já não é tão boa como a primeira e o corpo já não se contenta com pouco e quer mais. Quero com isto dizer que para além da estagnação ideológica e metodológica, Wenger tem uma sempre idealização romântica de certos jogadores que não corresponde à realidade: Alexis nunca será um Bergkamp; Coquelin nunca será um Gilberto Silva quanto mais um Patrick Vieira, Granit Xhaka nunca será um Fabregas ou um Rosicky; Oxlade-Chamberlain nunca será um Robert Pires, Nacho Monreal nunca será um Ashley Cole, Danny Welbeck nunca será um Ian Wright e por ai adiante… mas, por outro lado, um Iwobi tem talento para chegar a um nível próximo de um Thierry Henry.

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