Tudo é possível para o Mónaco de Leonardo Jardim?


Repetir exibições na Champions? Muitos dizem que dois jogos, ainda para mais a este nível, raramente são iguais. Repetir exibições numa fase final da Champions? Muitos dizem que é muito improvável senão mesmo impossível! Repetir 3 exibições tiradas a papel químico contra adversários como o Manchester City e Borussia de Dortmund, 2 delas a jogar na casa do adversário? Sim, o Mónaco de Leonardo Jardim tem a resposta: Oui, nous pouvons! Yes, we can! Querer é poder e eu começo a desconfiar que pela tranquilidade que esta equipa têm apresentado, pela concentração, pela personalização de todas as unidades (todos os jogadores do Mónaco sabem perfeitamente qual é o seu papel em campo), pela qualidade de jogo e pela bem armada estratégia face a todos os contextos de jogo, os monegascos desejam ardentemente jogar a final de Cardiff! E merecem-na jogar por toda a insolência que tem demonstrado na casa dos tubarões do futebol europeu!


Cobardia! Sim, a cobardia dessa gente!

Matar pelo prazer de matar. Matar pelo prazer de ver sofrer. Matar para aliciar jovens sem esperança nem futuro. Esta é a cobardia dos nossos dias, o rosto invisível que também ajuda a abalar uma Europa já de si fragilizada pela inoperância e pela hipocrisia dos líderes dos estados-membros e dos decisores das Instituições Europeias. Qualquer ataque, seja em Alepo, em Estocolmo, em Dortmund, em Paris, em Bagdad, em Cabul ou em Ankara vale exactamente o mesmo quando o que está em causa é a vida de inocentes. Morra 1 inocente ou 100 mil temos que lutar todos os dias para erradicar esta erva daninha que ameaça a paz.

Apesar dos contratempos (Thomas Tuchel foi obrigado a mexer na defesa perante a ausência de Marc Bartra; pese embora eu ainda não tenha compreendido a razão que leva o treinador a utilizar o lateral Piszczek a central e Matthias Ginter a lateral; assim como tem utilizado por vezes Schmelzer a central; a equipa hoje modificou por completo quando entraram Raphael Guerreiro e Pulisic) a equipa do Dortmund conseguiu recuperar do choque e lutou com todas as suas forças. A bem da verdade na análise, até porque não concordei o tempo dado pela UEFA para a realização do jogo (na minha opinião fazia mais sentido adiar a partida para a próxima semana para que os jogadores do Dortmund pudessem recuperar mentalmente) a equipa até poderia sacado mais da partida não fossem os 4 erros defensivos que ditaram os 3 golos dos monegascos (mais a situação da grande penalidade a abrir), não tirando contudo mérito à grande exibição dos monegascos, dominadores em vários capítulos do jogo. É certo que para isso também tem contribuído a gestão que Leonardo Jardim tem feito do seu plantel e a quase total inexistência de lesões nesta fase da temporada.

Altius, Citius, Fortius

O lema que poderia encaixar neste Mónaco de Leonardo Jardim. Encarar qualquer equipa nos olhos no seu reduto não está ao alcance de qualquer equipa, muito menos de uma equipa recheada de jovens como é a do treinador madeirense. Leonardo Jardim voltou a apresentar em Dortmund as “marcas de água” desta equipa: pressão média\alta ou até mesmo alta em alguns períodos a morder os calcanhares aos 3 centrais para criar dificuldades na saída a partir de trás dos alemães, uma linha média bem colada à linha da frente para recuperar a posse e capitalizar no erro (Fabinho que diga quantas bolas voltou a recuperar), critério na transição, velocidade dos homens da frente (principalmente de Bernardo Silva), muita mobilidade dos avançados (principalmente de Mbappé na vertical) para estender o jogo e criar\responder a situações de golo assim como para abrir espaços para a entrada de outros jogadores. Exemplos desta última característica: os 2 golos alcançados na primeira parte. No primeiro, a aceleração de Bernardo Silva na transição é excelente mas são as movimentações dos avançados (falsa desmarcação) que fazem toda a diferença e que indicam ao português a entrada de Thomas Lemar pela esquerda para assistir Kylian Mbappé (em posição irregular) para o golo. No 2º mais do mesmo. O engodo é criado no centro para que a bola fosse passada para a entrada do italiano Raggi na esquerda, com todo o tempo do mundo e sem oposição para meter o cruzamento que leva o “chorão” Sven Bender a errar.

Menos choro, mais futebol e mais criatividade

A estratégia ofensiva do Dortmund versou dois processos: a colocação de passes a rasgar para as entradas de Aubemeyang e Dembéle sobre os centrais e a tentativa (expressa através da colocação de 3 homens no eixo defensivo) de projectar em profundidade os laterais. Se Ginter é um perfeito disparate de Tuchel na direita, Marcel Schmelzer teve oportunidades para fazer melhor que o seu colega de selecção na esquerda. O lateral parece-me claramente passado, não sendo mais aquele jogador que consegue desequilibrar no 1×1. Raphael Guerreiro provou-o no 2º tempo (já com Moussa Dembelé a apoiar mais Shinji Kagawa no corredor central) ser o elemento que dá vida ao jogo ofensivo do Dortmund.

O que é certo é que os alemães foram altamente perdulários nas 2 oportunidades de golo tidas nos primeiros 45 minutos: desmarcado na área com um passe vertical a rasgar de Piczczek pelo corredor central, Aubemeyang ganhou bem a posição a Glik mas rematou por cima e Shinji Kagawa conseguiu falhar a dois palmos da baliza na única situação interessante que Matthias Ginter criou na partida.

Contextos de jogo e a fotocópia do comportamento tido contra o Manchester City

Após o intervalo, a turma de Jardim voltou a apostar na gestão da vantagem através do recuo de linhas e da linha de pressão, voltando a sair da redoma quando viu a vantagem em perigo. Tal estratégia já tinha sido posta em prática nos dois jogos contra o City apesar de na primeira mão o Mónaco ter sofrido 3 golos quando já não havia pernas para ir ao último reduto dos citizens.

Remetendo-se ao seu meio-campo a equipa voltou a confiar que era possível dar ao adversário um doce (o controlo da posse de bola) sem sofrer qualquer golo. O Dortmund respondeu bem ao insucesso. Empolgados pelos seus fervorosos adeptos no muro desenhado com as letras iniciais do nome do clube no famoso topo do Signal Iduna Park\Westefallen Stadium, os alemães ganharam vida com as entradas de Christian Pulisic e Raphael Guerreiro para os flancos. Ambos foram mais criativos que os jogadores que tinham substituído ao intervalo e com a preciosa ajuda de um super criativo Dembelé no miolo foram mais incisivos no ataque. Os alemães também vieram a ser mais rápidos a cair sobre os jogadores do Mónaco, triunfando no departamento da recuperação da bola. O 1-2 viria num lance em que Pierre Emerick Aubemeyang faz uma assistência prodigiosa para os pés de Kagawa que por sua vez dá o golo a Dembéle. Este foi o primeiro momento de brilhantismo do jogador nipónico. Não fosse o erro que viria a custar o golaço de Kylian Mbappé para o 3-1 (numa altura do jogo em que a equipa de Leonardo Jardim sentiu necessidade de voltar a subir as linhas sem contudo abdicar do lançamento em profundidade dos seus homens da frente para sacudir a maior pressão e até a maior intensidade que o Borussia punha no seu jogo) e Kagawa teria colocado o estádio em delírio quando sentou Jemerson para fazer o 2-3.

Ganhou o futebol. A eliminatória vai em aberto para o Stade Louis II. Estou certo que teremos um jogaço para decidir quem segue para as meias-finais.

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