Análise – Liga Europa – Quartos-de-final – Ajax 2-0 Schalke 04


De banhinho (de futebol) tomado com direito a massagem tailandesa e várias passagens de shampoo pela cabeça! Foi assim que os talentosos meninos do Ajax, já retratados em duas ocasiões neste blog por mim e por um dos nossos autores convidados, o Miguel Condessa, trataram os seus convidados desta noite na Amesterdam Arena no jogo a contar para a 1ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Sem uma única ideia na cabeça para contrariar o belíssimo futebol dos jovens holandeses, o Schalke o4 de Marcus Weinzierl foi completamente subjugado pela equipa treinada por Peter Bosz e muito dificilmente irá passar dos quartos-de-final. Bom ambiente no estádio do Ajax. O exigente público holandês está ciente que esta equipa poderá voltar a devolver o clube ao mais alto patamar de excelência do futebol europeu. Talento e vontade não lhes faltam!

A ausência de 5 jogadores influentes (Johannes Geis, Breel Embolo, Sead Kolasinac, o avançado Choupo-Moting e o central Naldo; a juntar a outras lesões como a dos laterais Coke, Uchida, Sasha Rieter e do avançado Franco Di Santo)  na equipa alemã explicam muita coisa mas não explicam tudo: uma coisa que não explicam foi o laxismo dos 11 que a equipa alemã apresentou hoje. Parecia literalmente que os jogadores do Schalke estavam a fazer um frete ocasional. Isso explica muito do comportamento irregular apresentado ao longo desta temporada pela explica, mas, não explica a derrota. Do lado do Ajax, o carregador de piano Lasse Schone cumpriu na bancada a sua suspensão de 1 jogo por acumulação de amarelos e o jovem maestro Kasper Dolberg ficou no banco em virtude do facto de ter recuperado recentemente de uma lesão.

Como é que joga este Ajax?

Pressionar alto e bem (com critério, posicionamento ou atitude sobre o portador) de forma a que o adversário pura e simplesmente não saia a jogar e para recuperar a bola em terrenos que permitam o lançamento imediato do contragolpe.

Os lançamentos em profundidade para a criatividade dos extremos (quer com passe longo, quer através dos movimentos de vai e vem do avançado internacional pelo Burkina Faso junto aos centrais, soltando a bola no tempo exacto para os extremos: Bernard Traoré aparece muitas vezes a apoiar por dentro das suas acções, garantindo linha de passe segura para a tabela ou até para a triangulação com recurso a outro jogador).

A criatividade no passe de Hakim Ziyech, extremo de origem que está a ser adaptado subtilmente a médio centro, podendo também jogar como um médio interior.

A criatividade dos extremos Amin Younes e Justin Kluivert (sim, o filho de Patrick Kluivert!). O primeiro é um jogador mais individualista. Fortíssimo no drible, na finta e no cut inside, é destemido a atacar espaços, mesmo aqueles que são ocupados por 2\3 jogadores. Não se intimida por estar em situações de inferioridade numérica e até agradece visto que é um jogador que consegue entrar muito facilmente em slaloms. O segundo alia a criatividade a uma calibrada capacidade de cruzamento.

A projecção dos laterais por dentro. Joel Veltman sobre mais que Danny Sinkgraven.

Mais eficácia na pressão no momento de perda de bola. Neste capítulo assumiram especial importancia no jogo de hoje o maestro Davy Klaasen (recuperou, desarmou, ganhou bolas sem fim, lançou e ainda teve forças para ir à área uma data de vezes colocar-se em zona de finalização) e o jovem trinco de 19 anos Donny Van de Beek.

Constante dinamismo posicional. Do meio-campo para a frente esta equipa está completamente mecanizada para alterar posições a qualquer momento. A versatilidade de vários jogadores, pedra basilar da fundação e aplicação da estratégia holandesa de futebol total, permite-lhes suprir necessidades urgentes que a equipa possa ter por lesão e alterar por completo a forma de jogo a meio de um jogo.

Esmagadores

Num jogo que foi completamente inclinado pela equipa da casa para o meio-campo dos alemães desde o apito inicial, o Schalke chegou por 2 vezes à baliza defendida por André Onana em 90 minutos. A única situação de perigo criada pela equipa germânica acabou por nem o ser quando na primeira parte Benedikt Howedes (passou um suplício com o irrequieto Traoré) executou um pontapé de bicicleta que foi de fácil encaixe para o guardião Camaronês do Ajax. Nem mesmo quando Marcus Weinzierl fez entrar Yehven Konoplyanka e Klaas-Jan Huntelaar (para ovação de pé do seu povo!) na segunda parte e mandou a equipa avançar linhas, o Schalke criou uma jogada com pés e cabeça. O trio de médios (Nabil Bentaleb, Max Meyer e Leon Goretzka) do Schalke fizeram uma exibição desapontante. Do criativo internacional alemão pouco ou nada se viu enquanto do seu colega mais recuado, meia dúzia de passes para as subidas de Aogo foi o melhor que fez na partida para além de defender e perder os duelos nas divididas contra o superior trio de médios do Ajax.

Nem Guido Bursgtaller, o móvel avançado austríaco da equipa de Gelsenkirchen, jogador que trocou a meio da temporada o Nuremberga da Bundesliga 2 (competição na qual era o melhor marcador na presente temporada) pela equipa de Gelsenkirchen, conseguiu tirar muito do jogo. Sozinho no ataque, a equipa ainda procurou na primeira meia-hora tentar lançá-lo em profundidade nas alas. Mais forte, o central colombiano do Ajax Davinson Sanchez não perdeu uma única dividida para o austríaco.

Do outro lado do rectângulo era Amin Younes quem puxava dos galões para que a equipa pudesse chegar ao golo. Seria ele a desencantar pelo meio de 2 (o lateral Tilo Kehrer, uma nódoa e o extremo Alessandro Schoepf na ajuda) o penalty que deu vantagem aos homens da casa. Destemido e sem qualquer ponta de medo de partir para a finta perante a cobertura de 3 adversários, o extremo viria a causar muitos problemas na 2ª parte.

Segunda parte que teve Ralf Fahrmann como principal protagonista. O guardião do Schalke fez 8 extraordinárias defesas a juntar a outras 2 que já tinha feito no primeiro tempo. Se não fosse as suas magníficas intervenções (3 na cara de Traoré e 2 na cara de Younes; 1 bomba de Van de Beek que o alemão defendeu para a trave) o Schalke teria saído com uma derrota de fazer corar de Amesterdão. Os jogadores da equipa da casa trabalharam para isso. Bertrand Traoré continuou a fazer o movimento desequilibrador que o caracteriza, Amin Younes continuo a entrar sistematicamente em acções 1×1 e 1×2 e pelo meio ficou-me na retina um lance em que o internacional sub-21 alemão consegue escancar-se na cara de Fahrmann ao entrar pela área pelo flanco esquerdo depois de uma vistosa triangulação com Ziyech e Klaassen.

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