A vitória de Sonny Colbrelli na Brabants Pijl


Sonny quê? Brabants quantas? Não, não é um post sobre o filho de Don Corleone mas sim um extraordinário corredor de clássicas italiano e trocando por miúdos, a Brabants Prij ou Fleche Brabançonne é uma das provas mais importantes do calendário velocipédico belga que atravessa duas regiões totalmente diferentes (na língua, cultura, tradições) dentro do mesmo país. A prova parte (Leuven) e termina dentro da região do Brabante Flamenco (Holandês) depois de passar por parte do território do Brabante da Valónia (parte francófona). Pelo meio os ciclistas tem de ultrapassar 26 colinas divididas por um traçado corrido com uma ponta final corrida em circuito fechado. Não é portanto uma prova qualquer e até é valorizada e apreciada pelo belgas ao mesmo nível do Tour de Flandres por exemplo.

Fazendo a ponte entre as clássicas do pavé e as clássicas das colinas que se seguem dentro de dias com a realização da Amstel Gold Race na Holanda, a prova belga é por norma a última prova de preparação para todos aqueles que tem aspirações a vencer a Amstel Gold Race, a Flèche Wallone e a Liège-Bastogne-Liège.

A prova que este ano contou com a participação de Phillip Gilbert, o vencedor do Tour de Flandres, e ciclistas como Petr Vakoc, Sonny Colbrelli, Enrico Gasparotto (vencedor em 2016 da Liège), Stijn Devolder (vencedor por 1 vez da Tour de Flandres e 3 vezes campeão nacional belga de estrada), Ben Hermans (BMC), Tim Wellens (Lotto-Soudal), Simon Gerrans (um dos grandes candidatos aos actos que se seguem), Jens Keukeleire (Orica), Michael Matthews (Sunweb), Adam Blythe (Aqua Blue Sport), Enrico Barbin (Bardiani) e Pim Lighart, já teve vencedores ilustres no passado como foram os casos de Eddie Merckx (1972),  Michele Bartoli (1994), Johann Museeuw (1996, 1998 e 2000), Michael Boogerd (2001 e 2003), Oscar Freire (2005, 2006 e 2007) Sylvain Chavanel (2008), Phillipe Gilbert (2011), Thomas Voeckler (2012, 2014), Peter Sagan (2013), Ben Hermans e Tomas Vakoc, respectivamente, os últimos vencedores.

Feita a introdução ao largo historial da prova, vamos à corrida deste ano.

Na chegada ao circuito final juntou-se na frente da corrida um grupo muito interessante de 13 corredores composto entre outros por Sonny Colbrelli e Grega Bole (Bahrein-Mérida), Dries Deveyns (Quickstep), Silvain Dillier (BMC), Bert Lindeman e Victor Campanaerts (Lotto-Jumbo-NL), Pierre-Luc Perichon, Stijn Devolder (Vérandas Willems). Com ColbrellI, Deveyns e Devolder na frente, o sinal de alarme tocou no pelotão.

Se num primeiro momento foi a Direct Energie de Bryan Coquard (prova que assenta que nem uma luva às características do corredor francês) quem fez pela vida para anular a diferença que oscilava entre os 20 e os 30 segundos para o grupo da frente, após a tentativa de ataque que este viria a efectuar para sair do pelotão (muito animado pelos ataques de Tosh Van der Sande da Lotto-Soudal, ataques que visavam incentivar as equipas dos sprinters presentes a absorver os fugitivos) seria a Cannondale a assumir a perseguição com 4 unidades de forma a colocar Simon Clarke em condições de atacar a subida e o sprint final. Lá na frente começava também a corrida por eliminação. Com um ataque de Silvain Dillier, o grupo desfez-se logo de 3 corredores (entre os quais Perichon da Fortuneo-Vital Concept) e várias foram as tentativas de descolagem por parte de Bert Lindeman. Numa senda de ataques e contra-ataques creio que os dois homens da Bahrein-Mérida acabaram por conseguir enganar toda a gente com a sua estratégia dúbia. Com Sonny Colbrelli (mais explosivo para finalizar em ascensão) a lutar mais na frente pela manutenção da situação presente, e Grega Bole mais recuado e menos colaborador, creio que toda a gente pensou que o italiano estaria a trabalhar para aquele que é considerado por muitos um sprinter que passou ao lado de uma grande carreira.

Bem colocado dentro do pelotão estiveram sempre Petr Vakoc e Phillipe Gilbert (Quickstep). Não interessando de forma alguma à equipa belga mexer com a frente do pelotão devido à colocação de um homem competente na frente (Deveyns), o campeão belga nem se fez ao piso quando viu o seu colega checo a responder a Tim Wellens no momento-chave da etapa. Wellens sentiu que ou atacava ali ou não teria qualquer hipótese de chegar à frente da corrida. Vakoc foi com o homem da Lotto-Soudal para defender o seu título e, outra das razões que poderá explicar a saída do checo pode explicar-se pela mudança de leitura da corrida que foi feita ao longo da prova. Os belgas estariam porventura à espera que Deveyns se conseguisse livrar de uma forma ou de outra de Stijn Devolver e de Sonny Colbrelli nas colinas finais visto que ao sprint poucas hipóteses teria de vencer frente a estes dois ciclistas ou a Grega Bole, ciclista que entretanto viria a perder todas as forças na aproximação à inclinação final.

O esforço do duo (Vakoc e Wellens) viria a ser recompensado com a entrada no grupo da frente. No entanto, o checo não respeitou os “metrinhos” de repouso que deveria dar aquando da entrada no grupo para poder ganhar forças para sprintar em condições, tentando atacar de imediato para surpreender toda a gente. A compostura do checo naquele momento haveria de o trair na ponta final, com Colbrelli a ser mais forte que a concorrência.

A vitória do italiano é um bom prenúncio para o que aí vem no fim-de-semana. Se eventualmente se repetir a história, o italiano poderá ser um dos favoritos à vitória no muro do Cauberg.

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