Classy Phillippe Gilbert


4! 4 vitórias na Amstel Gold Race, 2 nas 3 clássicas já realizadas das 5 que compõem esta fase da temporada. O campeão belga está com “pernas” para qualquer adversário. Venha lá quem vier, Phillippe Gilbert é o melhor a atacar longe da meta, a atacar perto da meta, a gerir vantagens para perseguidores e a finalizar este tipo de provas. O veterano ciclista campeão belga está a ter uma época de sonho, conseguindo triunfar em todas as provas que lhe foram apontadas ou que apontou como objectivos de temporada.



O belga não teve um dia fácil. A Team Sky fez uma prova fantástica. Em primeiro lugar porque o seu director desportivo tomou a decisão de se afastar da frente do pelotão quando estava a ser feita a perseguição aos escapados do dia (entre os quais o chefe-de-fila da Lotto-Jumbo-NL Lars Boom; um perigo que chegou a ter vários minutos de vantagem sobre o pelotão), entregando esse ónus às equipas de dois dos principais favoritos à conquista da prova, ou seja, à BMC de Greg Van Avermaet e à Movistar de Alejandro Valverde. Em segundo lugar porque o ataque capital da prova (antes da última passagem) pelo Cauberg foi feito por Sérgio Henao. Em terceiro lugar porque Gilbert teve sempre que jogar com a presença de dois Sky no grupo principal. Por último, o belga soube resistir aos ataques que os Sky tentaram nas colinas e conseguiu ser mais forte que Michal Kwiatkowski (o vencedor da prova em 2014) no sprint final.

A animação começou quando faltavam precisamente 40 km para a meta. Anulada a tempo a fuga do dia (o último a resistir foi um ciclista da Direct Energie) foi na aproximação ao Kruijsberg (a 2ª colina mais importante do dia; 1000 metros de extensão a uma pendente média de 6%, máxima de 10%), numa altura que a BMC aumentava o ritmo da corrida para eventualmente lançar um ataque de Greg Van Avermaet, que Sérgio Henao decidiu mexer com a mesma. A resposta foi imediata por parte de Gilbert (a Quickstep não participou na perseguição aos fugitivos mas teve o cuidado de colocar bem o seu líder na frente do pelotão) e de outros candidatos como Bert Lindeman (Lotto-Jumbo-NL), Victor Campanaerts, Michael Albasini (Orica), Nathan Haas (Dimension Data). Só os últimos dois ficariam no grupo que disputou a corrida.

Creio que o ataque de Henao teve o condão de enganar a leitura de corrida que estava a ser feita pelos homens da BMC. A equipa de Greg Van Avermaet, assim como a Movistar de Alejandro Valverde pensaram que o ataque do ciclista colombiano teria somente como objectivos um certo provocar de desgaste nas equipas dos favoritos de forma a que estas fossem obrigadas a trabalhar na perseguição e “abandonassem” os seus líderes à sua sorte na última volta ao circuito final. A BMC acabou por não colocar ninguém na fuga e mesmo apesar de lá morar Phillipe Gilbert, a Movistar haveria somente de lançar Rojas (o seu plano de recurso) e não Alejandro Valverde, na companhia de Jon Izaguirre da Bahrein-Mérida. A cartada de Henao era outra. A Sky visava conseguir colocar o colombiano e Kwiatkowski num grupo reduzido (eliminando assim parte da concorrência) que pudesse chegar junto aos km finais para aí talvez surpreender com ataques.

Retalhando o pelotão em 3 grupos (lá atrás formou-se um grupo de perseguição com Valverde, Avermaet, Bob Jungels, Rui Costa, Warren Barguil, Fabio Felline) com Bryan Coquard (Direct Energie) e Michael Matthews (Sunweb) e o vencedor da edição do ano passado (Enrico Gasparotto; o italiano haveria de ficar totalmente arredado numa queda com Rom Kreuziger e Ben Hermans da BMC) a ficarem irremediavelmente arredados da discussão da prova num desorganizado pelotão, a fuga de Henao veio-se a constituir num grupo fortíssimo pela cooperação que foi dada por todas as unidades que o constituíam, ao contrário do grupo de trás, grupo em que ao princípio só trabalhavam Valverde e Van Avermaet. Michal Kwiatkowski e Tim Wellens haveriam de sair para alcançar o grupo da frente. O polaco da Sky conseguiu, juntando-se a Henao. Já o belga da Lotto não conseguiu voltando para o grupo de GVA.

Quando a diferença passou os 20″, Rui Costa (bafejado pelo azar quando faltavam 60 km para a meta) também veio para a frente mas já era tarde. Assim que o grupo onde estava o português da Team UAE deixou de ter o grupo da frente no seu campo de visão, este ganhava mais força e subia no jogo das probabilidades.

Alejandro Valverde, Greg Van Avermaet e Rui Costa deram tudo para alcançar o grupo da frente. O português haveria de pagar bem caro o esforço despendido aquando da avaria que teve quando faltavam 60km para o fim da etapa. Mais uma vez, a equipa deixou o seu chefe-de-fila sozinho. Nessa situação concreta, o ciclista luso teve que re-entrar praticamente sozinho no pelotão num cenário de corrida adverso pelo incremento de ritmo que a BMC estava a dar à prova. Mais uma vez, a equipa falhou.

A situação de corrida na frente manteve-se até aos 7km finais. Com todos os envolvidos empenhados no esforço de corrida, o único que não quis um cenário de corrida disputado em sprint foi Michal Kwiatkowski. A presença de homens com uma ponta final mais forte como Albasini, Gilbert e Rojas não favorecia o polaco, apesar deste também ter uma forte ponta final. Foi portanto nas últimas duas inclinações que o polaco, campeão do mundo em 2014, tentou eliminar a concorrência. No Bemelberg, Kwiat testou as pernas dos adversários. Todos responderam. Gilbert testou no contra-ataque e os dois acabaram por deixar a concorrência para trás, disputando isolados o sprint final, sprint onde o ciclista belga deixou o polaco lançar para o ultrapassar nos 100 metros finais.

O grupo de trás acabou por ser absorvido pelo pelotão. Rui Costa acabaria por ser 38º. O português demonstrou que tem capacidade para andar na frente. Isso é extremamente positivo visto que teremos já na quarta-feira outro duro teste na fantástica chegada ao Muro de Huy na Flèche Wallone.

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