Não houve remontada!


Inconsolável no final da partida, Neymar foi confortado pela carraça que lhe fez a vida negra nos 180 minutos disputados. Em lágrimas, foi o amigo e antigo companheiro Daniel Alves que deu o seu ombro ao craque brasileiro do Barça.

A tarefa era difícil e Luis Enrique previu-o na perfeição na conferência de imprensa quando afirmou que os seus jogadores estavam a fazer contas para terem que marcar 5 golos porque decerto que teriam que contar com uma Juventus ofensiva à procura de fazer um golo para tornar a tarefa mais complicada. As declarações do técnico não andaram muito longe da realidade do que se foi passando nos primeiros minutos de jogo. O técnico dos catalães foi mais longe até quando afirmou que para preparar bem o jogo teria que levar o plantel durante 1 mês para as Maldivas, afirmação que teve um significado muito nítido: esta equipa do Barça está nos limites da saturação (física, mental, relacional entre as várias unidades). O Barça cumprirá no próximo defeso o seu natural reset. A fórmula é a mesma há muitos anos, a idade começa a pesar nas pernas de alguns jogadores, e as contratações também, por outro lado, não são as melhores para substituir as unidades que vão saindo. Os catalães necessitam forçosamente de refrescar a sua máquina com novas ideias, com um novo treinador e quiçá até com uma nova filosofia de jogo.


Os catalães deram tudo o que puderam dar à partida desta noite. Se há culpado desta eliminatória, o culpado é o próprio Luis Enrique. A aposta em Jeremy Mathieu na primeira mão custou caro aos culés. E isso notou-se quando vimos a diferença defensiva e ofensiva entre Mathieu no jogo da primeira mão e Jordi Alba no jogo da 2ª. O internacional espanhol deu muito mais largura e profundidade ao jogo dos catalães e foram dos pés dele que nasceram praticamente todas as oportunidades de golo. Se Messi tem conseguido acertar na baliza naquele autêntico penalty que dispôs na primeira parte, não tenho dúvidas que outro galo cantaria no desfecho final do jogo e da eliminatória.

No lado da Juve, injusto será, no meio de tantas grandes exibições, e na peculiaridade das funções que todas as peças executaram na perfeição dentro dos planos de jogo traçados por Allegri, destacar uma unidade. Contudo, injusto também será não destacar uma, a mais importante peça a engrenagem: Giorgio Chiellini. O central italiano fez (em conjunto com o seu colega de sector) talvez as melhores exibições da sua longa e frutífera carreira. Foi a solidez defensiva dos centrais da Juve (solidez para a qual conta obviamente a segurança que Gigi Buffon transmite à sua defesa) que ajudou a equipa transalpina a dar uma masterclasse de defesa ao Barcelona. Nas duas mãos, não existe um único erro que possa ser assinalável ao central. Chiellini foi efectivamente sólido que nem uma rocha, fiável e um verdadeiro líder dentro de campo. Foi quem ele quem comandou lá atrás uma defesa sólida, extremamente compacta, com poucas falhas na cobertura de espaços, pressionante q.b, assertiva nos alívios e matreira no contra-ataque.

Foi na assertividade e na atitude defensiva e na matreirice do contragolpe em que Maxi Allegri fez tombar o gigante. E só não venceu o jogo de hoje porque os seus jogadores sempre olharam mais para as acções de transição para o contra-ataque (em diversas vezes em superioridade numérica perante o adversário, com um centrocampista rápido a conduzir como o é Pjanic e 2 setas, Dybala e Cuadrado, apontadas à baliza adversária) como uma ferramenta válida para aliviar a pressão ofensiva que estava a ser realizada e bem pelos catalães, tirando a posse do esférico à turma da casa.

Turma da casa que na primeira parte tentou de tudo. Desde o habitual jogo de tabelas com Suarez (sempre escondido no meio dos centrais) e Neymar (sempre acompanhado de perto pela sombra chamada Dani Alves) que visava colocar Messi ou Iniesta na carreira de tiro, passando pelo correcto flanqueamento do jogo para as subidas e cruzamentos de Jordi Alba. Se pelo ar, os catalães teriam poucas hipóteses de finalizar em virtude do fortíssimo jogo aéreo dos centrais italianos e da presença de muita gente dos bianconeri na área, o lateral chegou a tentar o cruzamento rasteiro para a entrada de alguém na zona de penalty. O 10 argentino oscilou entre a direita e o miolo como é habitual (a procurar as entrelinhas semi-abertas pela presença de 2 homens da Juve na pressão à construção) e terminou o jogo a ter que vir atrás lançar o jogo numa fase em que a equipa naturalmente já jogava com o coração para ver se dava a alegria da vitória (pelo menos) aos seus adeptos.

Os processos de paciência do Barça deram os seus frutos e vários foram os lances em que os catalães poderiam ter reaberto a eliminatória. Messi na primeira parte em duas ocasiões, na segunda parte noutra ocasião, Sergi Roberto num remate executado dentro da área que saiu ao lado e Neymar numa jogada individual em que conseguiu dentro da área fintar Daniel Alves e atirar ao lado, podiam ter dado outra cor ao jogo. Um dos sinais evidentes da perfeição táctica e defensiva dos italianos foi quando o Barça, em sinal de desespero, começou a praticar um futebol mais directo, para tentar capitalizar com a presença de várias unidades (Alcácer, o próprio Piqué; o central tentou empurrar a equipa para a frente, ficando Umtiti e Busquets responsáveis por realizar o indispensável trabalho defensivo sempre que a Juve os chamava para o efeito) dentro da área.

Quis o destino que esta Juve tivesse saído imaculada do Camp Nou. Cumpriu-se justiça face ao excelente comportamento demonstrado pela equipa de Allegri nas duas partidas e face aos erros cometidos pelos catalães no jogo do Juventus Stadium.

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