Quem mais poderia ter vencido senão Alejandro Valverde?


E vão 5 para Alejandro Valverde no muro de Huy! O espanhol da Movistar venceu com muita classe a 81ª edição da Fleche Wallone, numa prova em que a Movistar de Eusébio Unzué revelou uma maturidade e uma inteligência táctica fenomenal.


Anulada a fuga do dia, fuga onde esteve o sempre perigoso Yoan Bagot (da Cofidis), a principal interessada na corrida, a Movistar de Eusébio Unzué, soube sempre assumir a postura mais correcta em todos os momentos da prova para garantir que Alejandro Valverde chegaria ao Muro de Huy em condições de disputar a prova. A equipa espanhol controlou o pelotão até ao preciso momento em que o deveria controlar, ou seja, até ao final da primeira fuga do dia, voltando apenas à frente do pelotão na aproximação ao muro de Huy.

Assim que alcançados os fugitivos, Unzué retirou a equipa da frente do pelotão, entregou o trabalho a outra das principais interessadas, a Orica de Michael Albasini e à Sky de Michael Kwiatkowski, fazendo portanto questão de não voltar a pegar na perseguição. Até quando outras equipas lhe lançaram provocações (casos da BMC e da Quickstep) em forma de ataques (Alessandro DeMarchi; Bob Jungels) para ver se a equipa espanhola ia para a frente desgastar-se e obviamente perder unidades que poderiam ser preciosas no lançamento de Valverde nos primeiros metros do Muro de Huy, a Movistar decidiu (Unzué aprendeu claramente com o erro cometido na Amstel quando não deu ordens a Valverde para acompanhar Philippe Gilbert; já agora aproveito para dizer que o belga ficou de fora da prova em virtude de um problema num rim despoletado por uma queda na prova holandesa) não entrar para a frente do pelotão e lançar sempre que possível Carlos Alberto Bettancur, ciclista cujas características também se adaptam bem à explosiva chegada ao Muro de Huy.

De todos os ataques que foram realizados nos 50 km (Tosh Van der Sand; Lilian Calmejane com Romain Sicard numa movimentação conjunta; Alessandro DeMarchi, Bob Jungels), aquele que mais água pela barba deu foi o ataque do belga. Numa situação de corrida já de si muito complicada pela presença de um razoável trepador na frente da corrida (DeMarchi) com 20 segundos de avanço, a saída de Jungels na descida após a primeira passagem pelo Muro de Huy (a Quickstep veio para a frente do pelotão em peso nessa primeira passagem para dar a entender que Dan Martin estaria com “ganas” de se intrometer na discussão pela prova; a ideia veio-se a provar um verdadeiro bluff) veio soar todos os alarmes visto que o campeão luxemburguês é um ciclista que rola muito bem e que ultrapassa bem dificuldades como a Cote d´Ereffe ou a Cote de Cherave. Jungels veio num primeiro momento dar muita qualidade ao trabalho que tinha sido iniciado pelo ciclista italiano da BMC, abandonando-o na aproximação às últimas dificuldades antes do muro de Huy. Foi após a passagem pelo Cote de Cherave que se percebeu que a Quickstep tinha jogado ali uma fantástica cartada na ausência de corredores como Phillippe Gilbert ou Julian Alaphillipe. Bob Jungels tinha nada mais, nada menos que 31 (chegaram a ser 50″) segundos de vantagem sobre o grupo principal, grupo onde ainda seguia o nosso Rui Costa.

Alguém tinha obrigatoriamente que mexer com a corrida para anular o crescente tempo que Jungels ia ganhando km após km. Se o belga tem chegado com 1 minuto de diferença ao muro de Huy, tenho a certeza que tinha ganho a prova. A tarefa coube a Rafal Majka. O ataque do Chefe-de-fila da Bora no Cherave teve o condão de puxar a Sky de Kwiatkowski para a frente, pertencendo aos ingleses o ónus de terem anulado a investida de Jungels já dentro do km final.

Com o cenário ideal de corrida para Alejandro Valverde nos metros finais, o espanhol só teve que voltar a demonstrar a sua ponta final mais forte. Com uma concorrência de topo à sua volta (Kwiat, Henao, Michael Woods, Diego Ulissi), o espanhol desarmou o ataque do jovem Bretão de 20 anos da Française des Jeux David Goudu (apontem este nome porque estará aqui o principal candidato a destronar os feitos de Valverde nesta prova; Goudu é um ciclista de uma região francesa recheada de muros deste grau de dificuldade) e sprintou para a sua “manita” de vitórias na prova.

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