Breve análise: Manchester United 2-1 Anderlecht


Este elenco do Manchester United é o elenco mais estranho, senão mais bizarro que vi nos últimos 15 anos do trabalho de José Mourinho. Escrevo-o abertamente e sem rodeios. É para mim um facto inacreditável ver que o português, treinador que privilegia o rigor, a atitude, a disciplina, a construção de um plano de jogo sólido, mesmo que tais opções lhe custem andar arredado dos lugares cimeiros, chegou ao final da temporada neste clube (indiferentemente do lote de jogadores que possui e das lacunas da equipa, existem aqui jogadores que são apostas para o futuro)  sem conseguir formar um onze, sem ter planos de jogo devidamente trabalhados, sem conseguir “tirar” proveito de vários jogadores e sem conseguir evoluir mais que 2 ou 3 jogadores deste plantel. Em abono da verdade, só tenho visto evolução em 3 jogadores desta equipa do United: Bailly, Herrera e Rashford. Em variadíssimos casos (Pogba, Blind, Rojo, Valência, Martial, Ashley Young) só tenho visto regressão. Quando assim acontece, e quando o técnico português é obrigado a vir constantemente a público criticar a atitude e o profissionalismo de vários jogadores, de nada valeu o ano zero em Manchester. Mourinho terá que voltar a construir tudo de novo na próxima época com a entrada de várias unidades.


Foi basicamente o que aconteceu ontem contra o Anderlecht. Os belgas também não facilitaram a coisa. René Weiller mereceu o sinal positivo que Mourinho lhe fez assim que a partida terminou. O técnico suíço assentou a performance da sua equipa em 3 eixos de actuação:

1. Solidez defensiva para poder enfrentar o “inevitável” jogo directo que é praticado pela equipa de Manchester quando as coisas não estão a correr bem (os centrais Kara Mbodj e Uros Spajic foram na minha opinião os melhores em campo; os laterais Obradovic e Appiah foram extremamente agressivos a defender).

2. Índice de trabalho e produção a meio-campo. Os dois médios centros da turma belga, Dendoncker e Tielemans foram incansáveis na cobertura de espaços, na marcação a Paul Pogba (o médio foi exemplar no capítulo do passe mas mais uma vez demonstrou que não possui velocidade de execução para o pace que esta equipa quer impor nos jogos), no desarme, no lançamento para o ataque e para o contra-ataque, aparecendo por vezes Tielemans bem adiantado no terreno (à entrada da área) na carreira de tiro, um dos fortes do seu jogo. A propósito: se dúvidas existissem acerca do talento deste jovem de 19 anos, ontem foram dissipadas. Estamos perante um verdadeiro box-to-box que terá um futuro muito promissor no futebol europeu.

3. A velocidade e criatividade dos extremos Chipciu e Acheampong e a capacidade de luta pela posse do esférico demonstradas por Hanni (a jogar no esquema 4x2x3x1 como o homem atrás do ponta-de-lança) e pelo próprio ponta-de-lança Teodorczyk, jogadores que apresentaram bastante dinamismo sempre que a equipa os tentou solicitar para carregar o jogo para o último terço adversário. Se Chipciu fez uma exibição francamente má, Acheampong está na origem de todas as situações de perigo que os belgas criaram na partida. O extremo de 23 anos, internacional pelo Gana, é um jogador fortíssimo na finta 1×1, hábil a procurar a desmarcação para as costas do lateral (Valência) de forma a criar situações de passe de ruptura pelo espaço que é deixado aberto entre o central e o lateral adversário e, é um jogador com uma combatividade fantástica, nunca dando um lance como perdido.

A atitude irreverente que os belgas tomaram na partida, acrescida a outros factores como a exibição do seu guarda-redes Rúben Martinez, a inexistência de corredor direito na equipa de José Mourinho (Mkhytarian teve novamente de ir muitas vezes ao meio pegar no jogo de forma a acelerá-lo visto que Carrick e Pogba não são jogadores com características para o fazer), a falta da necessária lateralização de jogo para a criatividade de Rashford no flanco esquerdo (que tantos frutos deu na partida quando o jogador pode receber na esquerda e aplicar as suas incursões em drible para o meio, ou até quando proporcionou boas situações de cruzamento ou até de entrada na área a Luke Shaw) levou Mourinho a ter que colocar Fellaini em campo. E a entrada do médio belga não visou dar superioridade a meio-campo, visou sim, clarificar o plano de jogo até aí pouco coerente, para um plano de jogo pragmático e mais vocacionado para o lançamento de bolas longas para a área à procura de Zlatan e do forte jogo aéreo do belga. Foi nessa estratégia que o Manchester United conseguiu criar situações de perigo e levar a equipa belga de vencida (numa fase em que os belgas naturalmente já acusavam um extremo desgaste físico) mas não é uma estratégia que se possa garantir como sustente de um futuro melhor que o presente.

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