Hipocrisia é com o Liedson!


«É difícil arriscar um placar. Vai ser duro, o Benfica é forte, um derby é sempre muito imprevisível. Não arrisco um resultado certinho, para não dar má sorte, mas como sportinguista até à morte que sou arrisco uma vitória nossa, é preciso jogarmos bem, confiantes, atentos, acho que essa vai para nós sim.» In, A Bola, 21-04-2017

Se recuarmos na máquina do tempo, em declarações ao site do Porto, reproduzidas pelo Jornal de Notícias, aquando da sua chegada a Portugal para representar o clube, disse o jogador a 24 de Janeiro de 2013:

“Foi a oportunidade que surgiu agora. Na verdade, era um desejo de há alguns anos mas apenas se concretizou agora. Estou feliz por o FC Porto ter acreditado novamente em mim e dar-me esta oportunidade. Espero retribuir da melhor maneira esta confiança”

Quando nas conversas sobre futebol digo a alguém que não vejo Liedson como um jogador notável da história do Sporting ou como um símbolo do clube, refiro-me precisamente a isto, a esta forma de ser do homem. O “Sportinguista até à morte”, o jogador que meteu o Sporting e a sua seguradora associada em tribunal por alegadada incapacidade física quando ainda trabalhava (e bem, sem limitações, no rival), o homem que já tinha “o desejo de jogar no Porto” quando era o mais bem pago do plantel do Sporting e o jogador mais idolatrado pela massa adepta do clube, o homem que deve tudo ao Sporting, desde a principesca fortuna que acumulou em Portugal e que de resto não teria se tivesse continuado no futebol brasileiro, até ao cenário que foi gentilmente acedido pelo Sporting para ir, a meio de uma temporada dramática (2010\2011) na qual ainda estávamos a lutar por objectivos para o Corinthians por razões financeiras, é afinal um homem hipócrita, mal formado, infame e ingrato.

Um ser deste calibre não pode ser, por mais exibições que nos tenha dado, por mais golos decisivos que tenha marcado, por mais títulos que tenha ajudado o clube a conquistar, um símbolo do Sporting. Para se ser um símbolo do Sporting é preciso ser muito mais: a escola do Sporting é uma escola de ensinamento de valores humanos e desportivos. A vertente da formação de homens no Sporting é uma vertente muito mais importante que a formação desportiva. É essa vertente que consubstancia em grande parte a essência e a actividade do clube.

Ser portanto um símbolo da história do Sporting não está ao alcance de qualquer um. É uma meta que só está ao alcance daqueles que enchem de suor uma camisola, daqueles que colocam brio, solidariedade, amor, amizade, lealdade em todas as acções que praticam, daqueles que demonstram gratidão para com as centenas de pessoas que neles apostaram, que os ensinaram, que os mimaram e que guiaram as suas vidas. Ser um símbolo da escola do Sporting é ter a capacidade de reconhecer tudo aquilo que se ganhou do Sporting e ter a capacidade de retribuir perante o clube e perante a sociedade todos os ensinamentos, todos os valores e toda a experiência adquirida. Símbolos do futebol do Sporting existem poucos. Mas felizmente existem. Homens como Hilário, Francisco Stromp, Morais, Mascarenhas, Juca, Osvaldo Silva, Jorge Vieira, Fernando Mendes, Pedro Gomes, Jesus Correia, Albano, Travassos, Fernando Peyroteu, Manuel Fernandes, Héctor Yazalde, Jordão, Vitor Damas, Oceano, Pedro Barbosa, Ricardo Sá Pinto, António Oliveira, Diego Capel, Beto, Nani, Cristiano Ronaldo, Anderson Polga, Alberto Acosta, Ivone Di Franceschi, Ivaylo Iordanov, esses sim, são símbolos do Sporting. Liedson bem como outros não figuram nem podem figurar na lista.

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