Mais um sinal claro e indicador da degenerescência jornalística que paira pelo Jornal Record


Para nosso contentamento, uma das coisas positivas que este país ainda possui é o facto de podermos tomar um café e dar uma passagem de olhos pelas gordas (e também pelas pequenas, aquelas onde por vezes se esconde a surrealidade noticiosa!) de todos os jornais, em praticamente todos os cafés, pela módica quantia de 60 ou 65 cêntimos. Em tal hábito praticado por milhões de portugueses, não nos podemos queixar de não retirarmos um pequeno benefício deste autêntico custo de oportunidade face à escassez de verbas que existe nos nossos bolsos. Nos dias que correm, comprar religiosamente o jornal desportivo todos os dias (como faz o meu querido avô há mais de 5 décadas) face à qualidade das notícias, pode-se mesmo apelidar de “pequeno grande luxo” que retira ao consumidor 30 euros mensais, e, encaremos os factos, não o torna mais informado e mais esclarecido, antes pelo contrário.

Hoje quando tirei a minha pausa para passar os olhos pelo Record deparei-me com este infograma de oitava categoria retirado pelo jornalista de uma fonte de informação mais ou menos fiável, o site Transfermarkt, fonte que utilizo amiudemente apenas para ver o valor real pago por determinadas transferências, quase sempre a título acessório quando a minha RAM me falha. Fora tal facto, as temporárias e voláteis cotações dadas pelo site são ridiculamente imperceptíveis, até para os pressupostos que guiaram Adam Smith a criar a sua “universal” lei da mão invisível.
Esta infografia bem como a notícia de cordel associada, para não lhe chamar notícia de bordel, exposta numa das páginas nucleares do jornal, visava vejam lá, a tentativa de traçar uma analogia entre a qualidade do derby lisboeta e a qualidade do clássico espanhol, através da comparação dos valores dos onzes titulares de Benfica, Sporting, Real Madrid e Barcelona, tendo como base os valores altamente aleatórios que o site transfermarkt atribui aos passes dos jogadores. Ainda para mais, na equipa do Barça, o títularíssimo e valioso Neymar estava sob a condição de “suplente” para a entrada de André Gomes, como se André Gomes fosse um titular indiscutível do Barça e um inquestionável (vejam aqui o que é que os jornalistas catalães pensam de André Gomes). Mais uma vez a Gestifute tem o seu dedo na coisa.

Esta peça jornalística é medonha. É mais um sinal da degenerescência em que caiu irremediavelmente o jornalismo desportivo português. Para além de não cumprir a sua função, que é informar com base em factos verídicos, a fonte é fraca, o que torna a analogia que o jornalista tentou extrapolar uma analogia assente em suportes de pés de barro, e é uma peça que em abono da verdade não interessa nem ao menino jesus.

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