Tour of the Alps – Resumo da 3ª e 4ª etapa


No Alto de Funes San Pietro (subida na extensão de 8 km) Geraint Thomas foi mais forte que toda a concorrência. Partindo no último km de um 2º grupo, grupo que estava a 20 segundos dos homens da frente (o colega de equipa da Sky Mikel Landa e o chefe-de-fila da AG25 Doménico Pozzovivo, ciclistas que tinham atacado a meio da corrida), o galês da Team Sky não só teve pernas para conseguir anular a diferença como ainda acabou a atacar nos metros finais, cortando a meta lado-a-lado com Landa.


A etapa trouxe uma lição de bom ciclismo por parte da Sky. Na primeira abordagem difícil à montanha em solo italiano, a equipa inglesa preparou muito bem o caminho ao ataque dos seus líderes. Para anular o último dos fugitivos do dia, Davide Orrico, da Sangemini, e promover a aceleração da corrida nos primeiros km da subida para dificultar a vida a todos os candidatos e poderem promover um ataque eficaz por parte de um ou até mesmos dos dois líderes, a equipa de Geraint Thomas e Mikel Landa utilizou toda a massa que dispunha para o efeito. Na parte final da etapa, destaco obviamente a cadência altíssima que foi imposta quer pelo ciclista suiço Philip Deignan quer por Kenny Elissonde.

O altíssimo ritmo imposto pelo Sky naturalmente que causou grandes dificuldades aos candidatos à geral individual. O nosso campeão nacional José Mendes (Bora) foi um dos que sentiu mais dificuldades para continuar a militar no grupo principal. Sempre posicionado em grandes dificuldades na cauda do grupo, Mendes foi um dos primeiros a perder o contacto assim que o ciclista britânico Hugh McCarthy (Cannondale) decidiu abrir as hostilidades. A estratégia seguida pela Cannondale com o lançamento do ciclista britânico ao ataque visou essencialmente abrir a corrida, corrida que esteve sempre muito truncada (os ciclistas perfilados por equipa numa única linha) enquanto a Sky tomava a dianteira do pelotão.

O ataque do ciclista da Cannondale acabou por virar-se contra as pretensões dos seus líderes Davide Formolo e Davide Villela, visto que teve a resposta directa de Mikel Landa, Dario Cataldo (Astana) e Domenico Pozzovivo (AG2R). O primeiro e o último seriam os ciclistas que iriam aproveitar o momento para ir em busca da vitória na etapa. No caso do ciclista espanhol, vencedor da edição de 2016 da prova, para além da vitória da etapa, motivava-o o facto de estar a 33 segundos de Thibault Pinot (presente no grupo principal, mas, a sentir algumas dificuldades para permanecer no grupo perseguidor) na geral individual.

Dividida a corrida em dois grupos (Landa e Pozzovivo no primeiro; num 2º grupo ciclistas estavam grande parte dos favoritos, ciclistas como Thomas, Pinot, Scarponi, Formolo, Villela, Egan Bernal da Androni; Rohan Dennis da BMC foi a única ausência no grupo dos favoritos; o australiano averbou 4 minutos de atraso na etapa) foi um ataque inicial de David Formolo na tentativa de chegar ao grupo da frente em que Geraint Thomas se apoiou para fazer aquele quilómetro final demolidor no qual conseguiu chegar ao grupo da frente e arrancar para a vitória na etapa, deixando Pozzovivo para trás. Tal facto valeu ao ciclista galês a liderança da prova com 16 segundos de vantagem sobre o ciclista da AG2R.

No final da etapa, José Mendes caiu para a 18ª posição com 1:48 de atraso para Geraint Thomas. Uma boa prestação no dia seguinte ainda poderia permitir ao campeão nacional de estrada em título a subida ao top 10.

4ª etapa

A expressão “morrer na praia” é a expressão que ilustra na perfeição o trágico desfecho obtido pelos fugitivos do dia na 4ª etapa. Stefano Pirazzi (Bardiani; já tinha tentado atacar na 2ª etapa para tentar vencer no Muro de Hungerberg), Killian Frankiny (BMC) e sobretudo Hubert Dupont (AG2R) deram o litro para vencerem escapados a tirada que ligou Bolzano a Bozen-Cles na distância de 165,3 km. Apanhados os fugitivos a 1 km da meta, a corrida culminou num sprint massivo no qual sobressaíram actores muito pouco habituados a estas andanças como Thibault Pinot, José Mendes ou Rohan Dennis.

Na entrada para os 20 quilómetros finais, ultrapassada que estava a última contagem de montanha das 2 previstas para a jornada, a situação de corrida estava bastante favorável para o duo que rodava na frente (Pirazzi e Frankiny) e para Hubert Dupont, o veterano ciclista de 36 anos da AG2R que tentava juntar-se aos homens da frente a partir de uma posição intermédia entre o grupo da frente e o pelotão, comandado como não poderia deixar de ser pela Sky, a equipa do líder da prova.

Com uma ponta final de dificuldade média (algumas inclinações não categorizadas, pouco extensas, de dificuldade média) e sem grande vontade por parte da Sky em ver anulada a fuga dado o significativo atraso na geral dos 3 fugitivos, o esforço protagonizado pelos 3 da frente (Dupont foi hérculo na sua missão de tentar anular os 10\15 segundos de vantagem que tinha para os homens da frente) fazia crer que a fuga poderia ter condições para chegar à meta. Restava portanto saber se o sprint seria disputado por 2 ou por 3 corredores.

A 5,4 km da meta, depois de um esforço incansável durante 15 km, Hubert Dupont conseguiu chegar aos da frente. 1500 metros mais à frente, numa altura em que Stefano Pirazzi já dava mostras de algum cansaço, o ciclista francês atreveu-se a tentar esboçar um ataque que lhe permitisse livrar-se do duo e chegar isolado à meta. Foi precisamente nesta altura que a Sky endureceu o ritmo com o intuito de não ser surpreendida pelos principais rivais de Thomas na luta pela geral. O esforço do ciclista espanhol (esclarecendo a sua posição na equipa como gregário de Geraint Thomas depois do da situação de corrida gerada no final da 3ª etapa) acabaria por redundar numa cenário de corrida que permitiria a algumas equipas (como a Astana, equipa que colocou imediatamente Dario Cataldo a trabalhar na frente de forma a promover o cenário de uma chegada ao sprint, cenário no qual Luis León Sanchez poderia ter uma palavra a dizer) tomar a dianteira do pelotão de maneira a poderem anular a fuga e lançar as suas cartadas. De um momento para o outro, a Cannondale, a Française des Jeux (os 10 segundos de bonificação de uma eventual vitória interessavam e de que maneira a Thibault Pinot para reduzir a diferença na geral para Geraint Thomas) e a BMC (a trabalhar para Rohan Dennis; como Dennis venceu a 2ª etapa ao sprint, a equipa suiça presumiu que o australiano tinha fortes probabilidades de voltar a vencer) tentaram colocar os seus trunfos na melhor posição possível na abordagem ao sprint final, sprint onde o nosso José Mendes (Bora) voltou a participar, terminando a etapa num honroso 5º lugar.

No sprint final, Matteo Montaguti foi mais forte, conquistando em cima da linha de meta a sua segunda vitória em etapas da carreira. A última e única vitória do ciclista transalpino em etapas tinha sido no ano 2010 no Giro Della Provincia de Reggio Calabria, prova cuja geral individual também venceu nessa edição.

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