Um empate amargo


Num jogo tão equilibrado, tão disputado e com tantas divididas a meio-campo, a haver destaque para um jogador esse destaque vai obviamente para o capitão Adrien Silva. No meio do desnorte que William revelou em determinados momentos da partida e nas mil e uma falhas cometidas pelo Sporting na transição (foram incontáveis os passes falhados que deram origem a situações de contra-ataque do Benfica) Adrien conseguiu manter sempre o norte e carregar a equipa para a frente quando tinha que o fazer.

Do físico e batalhado jogo de Alvalade, ficámos com uma certeza: o Benfica está a um passo de se sagrar tetra campeão. Não acredito que o Benfica cometa um deslize até ao final da temporada. Com um inédito livre, cobrado com magistralidade pelo sueco Victor Lindelof a castigar uma verdadeira estupidez (uma das muitas) de Alan Ruiz no jogo, o Benfica passou o teste de Alvalade.

Em termos de jogo jogado, o Sporting foi a equipa que mais situações de golo criou (4 foram as criadas pelos leões contra 0 da parte do Benfica) mas não praticou um futebol extraordinário, antes pelo contrário. Os múltiplos erros provocados nas transições por clara intranquilidade de várias unidades (Schelotto, Ruiz, o próprio William) poderiam ter custado caro se o Benfica tivesse desenvolvido melhor os bónus que a turma leonina lhes ofereceu. Por outro lado, se Bas Dost tivesse carimbado as 3 oportunidades golo que lhe foram literalmente oferecidas na 2ª parte, estaria aqui decerto a narrar uma vitória do Sporting. O Benfica foi uma equipa mais obreira, mais pressionante a meio-campo e mais inteligente na gestão dos vários contextos que o jogo ofereceu, levando para casa o tão desejado pontinho ambicionado certamente pelo seu treinador na preparação para este jogo.

“30 minutos iniciais vibrantes” – os 15 iniciais de cada parte. Sem qualquer tipo de pressão, a equipa do Sporting assumiu o jogo como lhe competia como a equipa da casa frente a um Benfica instruído para moldar as suas linhas defensivas consoante os momentos do jogo. Se em determinados momentos de pressing ofensivo por parte do Sporting, a equipa teve de recuar linhas, noutros, os encarnados montaram o seu bloco (sempre bem pressionante; jogadores sempre em cima do seu oponente directo) no meio-campo de forma a condicionar a construção Sporting, ou seja, impedir que Adrien entrasse no jogo e pusesse critério na construção do Sporting.

Sempre a procurar dar largura ao seu jogo nos primeiros minutos da partida, a equipa voltou a ter uma fantástica interligação entre o miolo e o flanco direito, flanco onde Gelson fez a vida negra a Grimaldo – quase todas as jogadas construídas pelo Sporting nasceram dos pés do internacional português. Nas duas situações em que o extremo português ganhou a linha, na primeira tentou servir a habitual entrada de Alan Ruiz na zona de penalty e na segunda ofereceu o golo a Bas Dost, que por sua vez, a deixou seguir porque pensava que iria aparecer Ruiz na zona de penalty. O holandês esteve em dia não. No flanco esquerdo, Bruno César concedeu muito espaço a Nelson Semedo para receber e progredir com o esférico (conseguiu porém ser agressivo na disputa) e ofensivamente não teve pedalada para conseguir ganhar os duelos individuais no 1×1 que tentou realizar contra o lateral direito do Benfica.

Até ao momento em que Ederson borrou a pintura toda numa fífia colossal. Falhas são falhas mas um guarda-redes que tem uma falha destas num lance completamente controlado, ainda não está preparado para ascender a um grande do futebol europeu nem pode ser tão pouco considerado como um dos grandes guardiões do futebol europeu.

O precoce golo alcançado pelos leões na partida abriu por completo o jogo. Tal situação, leva-me até a suspeitar que o próprio Jorge Jesus não acreditava que a equipa pudesse marcar tão cedo na partida. Sei que o técnico leonino quereria decerto baixar as linhas e dar a posse de bola aos encarnados assim que a equipa pudesse alcançar o primeiro golo mas não previa que a sua equipa pudesse marcar nos primeiros 10 minutos. Tal estratégia, face às recentes dificuldades que o Benfica tem exibido no ataque organizado nas últimas partidas fora de portas a contar para o campeonato (veja-se as dificuldades que os encarnados tiveram em Moreira de Cónegos) seria o plano de jogo mais óbvio e mais profícuo para poder eventualmente chegar ao 2º golo através de uma jogada de contra-ataque. O golo abriu portas para a batalha entre as unidades de meio-campo (Sálvio foi muitas vezes ajudar ao miolo; Bruno César também o fez em certa medida, deixando algum espaço para Nelson Semedo progredir sempre que Pizzi variava o jogo para o flanco direito) batalha que foi ganha claramente pelo Benfica em virtude de um certo desnorte e da habitual lentidão de processos de William Carvalho.

A facturar pelo seu temível flanco direito, a equipa encarnada tentou procurar Mitroglou quer através de passes de profundidade, quer através do simples processo que já é habitual na equipa de Rui Vitória nas situações em que Pizzi ou Sálvio tentam colocar cruzamentos de uma posição mais interior no flanco direito. Pode-se dizer que quase todas as intentonas dos encarnados na primeira parte esbarraram na assertiva e concentrada dupla de centrais do Sporting. Em 80 minutos, o grego só teve condições para executar um remate à baliza de Rui Patrício. Isso diz muito da exibição dos centrais do Sporting no jogo desta noite.

Como plano B aos seus habituais processos, o Benfica também procurou lançar em profundidade as entradas no processo ofensivo de Grimaldo no flanco esquerdo. Foi numa dessas incursões do lateral até ao último terço que considero ter existido motivos de reclamações para os encarnados – Schelotto faz efectivamente falta sobre o lateral esquerdo do Benfica, existindo razões para a marcação de uma grande penalidade.

Os primeiros minutos da 2ª parte pareceram tirados a papel químico dos primeiros minutos da partida. Mais uma vez desequilibrou o flanco do Sporting (há que dizer com franqueza que Schelotto conseguiu realizar praticamente bem todas as acções que lhe competiam excepto a acção de cruzamento, capítulo onde foi horrível; do outro lado, Jefferson sofreu do mesmo mal e só tirou 1 cruzamento de jeito; no entanto, fica registado o carácter abnegado e lutador que o argentino ofereceu ao jogo) e mais uma vez, o Benfica conseguiu retirar frutos da pressão que realizava a meio-campo, obrigando Adrien muitas vezes a ter que ir aos flancos receber o jogo para poder garantir aquela preciosa qualidade na progressão do futebol leonino. Quando mais impiedosa foi a marcação sobre o centrocampista do Sporting, mais Adrien cresceu na partida. Na 2ª parte, esteve simplesmente em todo o lado. O problema da equipa leonina não foi o futebol do seu capitão, foi o caminho percorrido pela bola até chegar ao seu capitão. Com muitos passes e acções falhados\falhadas, William, Alan Ruiz e Schelotto abriram caminho a uma data de contra-ataques por parte dos encarnados, resultando num deles o lance que originou o golo do Benfica.

Jorge Jesus e Rui Vitória mexeram nos seus onze titulares. Se no lado do Sporting, Daniel Podence ainda tentou mexer com a partida (um lindo túnel a Luisão que obrigou o central a travar o jovem internacional sub-21 com ostensividade; várias tentativas de combinação com Schelotto na direita) e Bryan Ruiz pouco acrescentou ao futebol do Sporting (precisava de ter acrescido mais fluidez mas acabou a agudizar a lentidão de processos pré-existente), do lado do Benfica, nem Carrillo nem Jimenez conseguiram dar dar mais objectividade aos contra-ataques que foram desenvolvidos.

A arbitragem de Artur Soares Dias

O árbitro da AF do Porto teve duas caras ao longo da partida. Se na primeira parte assumiu um comportamento mais liberal, interrompendo a partida em menos ocasiões do que as consideradas normais no seu estilo autoritário (e ameaçador) e deixando passar várias faltas cometidas em contexto de contra-ataque sem mostrar o cartão amarelo, na segunda, o árbitro natural de Vila Nova de Gaia decidiu parar a partida por tudo e por nada, não assinalando uma última infracção cometida pelos encarnados no seu último reduto.

Soares Dias assinalou correctamente a grande penalidade cometida por Ederson mas deixou passar semelhante falta no lance acima referido entre Schelotto e Grimaldo na área do Sporting. Na 2ª parte, notou-se claramente que tentou empurrar o Benfica para o ataque, não assinalando uma catrefada de faltas cometidas pelos jogadores encarnados no seu meio-campo e assinalando faltas ofensivas inexistentes aos jogadores do Sporting.

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