Breves notas sobre a vitória do Chelsea sobre o Tottenham


As duas equipas que melhor futebol praticam em Inglaterra (em conjunto com o Everton, na minha modesta opinião) deram um fantástico espectáculo de futebol a quem pode assistir. Com o campeonato totalmente em aberto quando faltam 6 jornadas para o fim (o Chelsea tem neste momento 4 pontos de vantagem na tabela sobre os Spurs e um calendário bem mais agradável até ao final da prova, no qual a deslocação mais difícil será ao terreno do Everton; já os Spurs terão jogos difíceis em White Hart Lane frente a Arsenal e Manchester United e 3 difíceis deslocações aos terrenos do Leicester, West Ham e Crystal Palace) os Blues eliminaram os Spurs nas meias-finais da Taça de Inglaterra no jogo disputado esta tarde em Wembley. O pace a que foi disputada a partida foi simplesmente frenético em várias partes do jogo , quase todos os jogadores demonstraram uma intensidade incrível na disputa pela bola e os espectadores ainda ganharam vários brindes de oferta com os golaços de Willian, Marco Dele Alli, Hazard e Nemanja Matic e com as fabulosas assistências (e exibição) de Christian Eriksen.

Um facto curioso que me tem suscitado algum interesse nas últimas semanas prende-se com a utilização de esquemas tácticos similares ao que é utilizado por António Conte no Chelsea por parte das equipas que os londrinos tem defrontado. A utilização do esquema 3x4x2x1 (alguns consideram que o esquema táctico é um 3x4x3; Willian e Pedro não actuam como extremos puros mas antes como dois médios ofensivos nas costas do ponta-de-lança visto que o Chelsea projecta sempre os seus alas no ataque, alas que são devidamente cobertos pelos centrais que tem a missão de fazer a cobertura defensiva das faixas) por parte de alguns treinadores (Slaven Bilic do West Ham, Eddie Howe do Bournemouth e agora por parte de Maurício Pocchettino do Tottenham) são explicados pela necessidade de promover uma maior adequação das equipas ao sistema de Conte, “encaixando” mais as marcações que se pretendem realizar ao longo da partida.
Com o habitual plano de jogo desenhado e mecanizado ao nível de processos pelo técnico italiano (alas bem projectados, saída em transição rápida por intermédio dos velozes Pedro e Willian ou através de passes em profundidade para a rápida subida dos alas no terreno; aparecimento de Ngolo Kanté e Nemanja Matic em zonas adiantadas do terreno; primeira linha de pressão, média\alta composta pelas 3 unidades mais avançadas do terreno, ficando Matic e Kanté mais recuados no terreno de forma a anular o jogo nas entrelinhas e\ou a cortar profundidade ao jogo do adversário, guarnecendo o sector central visto que neste esquema de 3 centrais, os centrais que jogam pelas faixas são encarregues de fazer a marcação aos médios alas ou extremos adversários), os Blues capitalizaram no contra-ataque e dificultaram a criação de jogo dos Spurs. Willian e Pedro criaram muitas dificuldades ao trio de centrais dos Spurs pela forma simples e prática em como conduziram as transições rápidas, procurando desequilibrar em acções individuais (mais o espanhol) ou servir bem Michy Batshuai (mais o jogador brasileiro).

Marco Dele Alli não conseguiu receber a bola em condições de acelerar o jogo como tanto gosta nas suas incursões em drible e a Christian Eriksen foi negada a possibilidade de colocar os cruzamentos do centro do terreno e da interior direita, aqueles em que o dinamarquês faz estragos. A equipa de Pocchettino foi então obrigada a ter que circular a bola a toda a largura do terreno (Moussa Dembelé e Victor Wanyama foram obrigados a ter que lateralizar muitas bolas nos primeiros passes da transição para o ataque) para terem condições para encontrar espaços para progredir no terreno.

Os Spurs só conseguiram pegar na batuta do jogo quando Christian Eriksen fugiu ao raio de acção de Ngolo Kanté – até aos dois golos dos homens de White Hart Lane, em dois lances saídos da capacidade de cruzamento (pura técnica) do médio nórdico, o médio internacional francês esteve pura e simplesmente irrepreensível na leitura do jogo, no desarme e na intercepção de passes, correndo quilómetros para ajudar na pressão alta quando a equipa tinha que o fazer para tentar recuperar bolas na saída de jogo dos Spurs e para descer assim que a equipa visse a sua primeira linha de pressão rompida. Assim que o dinamarquês sentiu a existência daquele espaço que ficou vazio na interior direita entre os médios defensivos (Nemanja Matic, Marcos Alonso e Nathan Aké) os alas e os centrais, desatou a criar o seu jogo de cruzamentos. As duas assistências do antigo jogador do Ajax para os golos de Harry Kane (que finalização soberba, baixando-se para pentear aquela bola, garantindo-lhe um aumento de velocidade e direcção) e de Dele Alli (fantástica colocação de bola por parte de Eriksen para uma zona em que tradicionalmente nenhum guarda-redes se sente motivado a sair e\ou não tem rapidez suficiente para sair a punhos, ainda para mais quando no lance Courtois não esperava que David Luiz perdesse a sua posição para o movimento interior de Dele Alli) foram absolutamente soberbas.

O golo do empate (Dele Alli, 2-2) provocou, ou melhor, aguçou a Conte a necessidade da entrada de Eden Hazard no jogo. Conte necessitava claramente que o belga mexesse na partida, num jogo disputado a um ritmo muito convidativo para o high pace do 10 internacional belga. Como o jogo iria ficar tendencialmente partido a meio-campo, Hazard teria mais espaço (menos pressão e menor frescura nas pernas por parte do duplo pivot do meio-campo dos Spurs) para poder acelerar em drible nas transições. Conte estava acerto. Com a entrada de Hazard, o Chelsea voltou a recuperar o seu precioso contra-ataque e o belga acabaria por ser decisivo para o desfecho final do resultado com o golo que marcou e com a assistência para o torpedo de Nemanja Matic.

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