Valverde: uma máquina a fabricar títulos!


5 triunfos na Flecha da Valónia, 4 triunfos na  13ª vitória nas ardenas belgas, 15ª vitória nos “5 monumentos do ciclismo” e 23ª em clássicas desde que se tornou profissional em 2001. Utilizando os slogans bastante conhecidos de uma marca de agentes imobiliários do nosso país, se há máquina de conquistar títulos na última década no ciclismo mundial, essa máquina é Alejandro Valverde! Nas ardenas escusam de atacar, de acelerar a corrida, de o convidar a desaparecer, de lhe negar a sua presença e companhia nos grupos, ou de tentar fazer a vida negra à Movistar. O veterano ciclista espanhol é como o rigor da matemática: na horinha de acertar as contas, não falha!

O dia de hoje ficou obviamente marcado pela tristeza sentida por todos os corredores em relação ao óbito de Michele Scarponi durante o dia de ontem. Muito acarinhado por todo o pelotão em virtude da sua alegria contagiante e da amizade existente com muitas unidades do pelotão internacional, vários foram os ciclistas que trataram de homenagear o italiano nas suas páginas nas redes sociais e até mesmo no prólogo da prova, iniciando a corrida de hoje com um honroso minuto de silêncio em memória do corredor italiano, corredor que sempre fez boas corridas nesta prova em questão, conquistando vários top10. Com a equipa Astana perfilada em linha à frente de todos os participantes na linha de partida, vários foram os ciclistas que foram às lágrimas durante o minuto de silêncio. O rosto mais visível da tristeza acabaria por ser o do dinamarquês Jakob Fuglsang, homem que trabalhou lado-a-lado com o ciclista italiano em prol de Vincenzo Níbali.

Como a melhor forma de homenagear Scarponi seria correr e dar um grande espectáculo, a caravana seguiu para a última das grandes clássicas da primavera E o espectáculo dado nos últimos 40 km por vários corredores deverá ter conseguido tirar um belo sorriso ao ciclista italiano lá no alto dos céus.

O dia começou por ser marcado pela fuga dos aventureiros do dia. Mal se deu o tiro de partida, 8 ciclistas (o nosso Tiago Machado da Katusha; Anthony Perez e Stephane Rosetto da Cofidis, Mekseb Debesay da Dimension Data, Bart deClerq da Lotto-Soudal, Nick van der Lijke da Rompoot, Aaron Gate da AquaBlue e Fabien Grellier da Direct Energie) receberam ordens para avançar, para tentar a sua sorte ou na melhor das hipóteses para complicar a vida a toda a gente com objectivos no pelotão.

Foi o que todos fizeram. A 50 km da meta, o solidário grupo da frente, já sem uma unidade, dispunha de 6 minutos e meio de vantagem para um pelotão em completo passeio, apesar da presença na frente do pelotão de elementos da Movistar, da Quickstep e da Orica.

A corrida só começou a ser movimentada, como de resto é habitual na aproximação à primeira das grandes dificuldades previstas para os 40 km finais, o “côte de la redoutte”, inclinação de 2 km de extensão (8,9% de pendente média) estacionada a 36,5 km para a meta. Se na côte anterior, a “du maquisard” as equipas com pretensões começaram a acelerar o ritmo no pelotão, foi na aproximação a la redoutte que começaram a surgir os primeiros ataques de ciclistas minimamente importantes para a prova. Alessandro DeMarchi (BMC) voltou a estar muito interventivo, voltando a desempenhar o papel de batedor da BMC para obrigar a Quickstep, Movistar e a Sky a irem desgastar-se na frente do pelotão. Contudo, tanto a Quickstep como a Movistar voltaram a responder rapidamente com a colocação de unidades no grupo, casos de Gianluca Brambilla ou do “sempre pronto a embarcar” Carlos Alberto Betancur. Omar Fraille e Nathan Haas fecharam uma investida que não durou mais de “um par de quilómetros”. Outros ataques de ciclistas bem mais importantes para o possível desfecho da prova se seguiriam.

Com o grupo da frente desfragmentado a partir dos 30 km para a meta (Anthony Perez tentou o seu solo, sendo acompanhado posteriormente pelo colega de equipa Rossetto), foi a Movistar quem fez parte do trabalho para apanhar o ciclista francês, reduzindo consideravelmente a diferença para a casa dos 3:30 no preciso momento em que a Quickstep também se interessou pela questão e colocou 4 homens na frente do pelotão a trabalhar para uma vitória de Daniel Martin.

Foi precisamente a 19 km da meta (na subida a Saint Roche aux faucons) que se deu uma das investidas mais importantes da prova quando Sérgio Henao tentou mexer com a corrida. A Sky, arredada da frente como tem sido habitual nestas clássicas, voltou a usar o colombiano como arma de arremesso para perturbar a corrida da Movistar. Como todos os favoritos, a mal ou a bem, acompanharam a investida do colombiano, o ataque deste deu imediatamente azo a um contra-ataque de Roman Kreuziger, ataque que fez imediatamente um rasgo de lés a lés no pelotão como que a fazer uma selecção das unidades que iriam disputar a prova na Rua Naniot em Liège. Com Kreuziger trataram de sair Giampaolo Caruso, Alexis Vuillermoz (AG2R) e Tim Wellens e homens da Cannondale, equipa que esteve particularmente interventiva na parte final com a saída da sua dupla de Davides (Formolo e Villela), homens que durante esta semana rodaram muito bem no Tour of the Alps. A ideia que a equipa norte-americana transpareceu quando ordenou o ataque de várias unidades nos quilómetros finais visava, creio, em primeiro lugar tentar surpreender com um ataque das suas lanças (Formolo, Villela, ou Michael Woods) para poder desgastar os adversários e assim preparar caminho a um ataque de Rigoberto Uran nos metros finais. O colombiano andou sempre bem escondido dentro do grupo principal mas esteve sempre à espera que o momento ideal pudesse aparecer.

De todo esse lote, apenas Wellens (atacou muito no conjunto de clássicas que se disputaram nas últimas semanas) conseguiu chegar ao homem da frente, Stephane Rossetto. A poucos quilómetros da linha de chegada, numa altura em que a prova se aproximava das imediações do estádio do Standard de Liège, o duo da frente, com Wellens a marcar o ritmo como se um timoneiro se tratasse, ainda chegou a ter 22 segundos de vantagem sobre o pelotão, agora já comandado pelos “aceleradores” Rojas (Movistar) e Moscon (Sky).

Foi no comando do italiano que a prova chegou ao seu destino, ou seja, às rampas finais dentro da cidade de Liège. Aos 6,2 km Tim Wellens viu o seu solitário (entretanto despediu-se de Rossetto por falta de pilhas do escapado da Cofidis) desfeito e mal o homem da Lotto foi apanhado, David Villela executou o seu ataque, ataque ao qual num primeiro momento responderam de imediato Jon Izaguirre (Bahrein-Mérida) e Romain Bardet (AG2R). Villela ganhou alguns metros de vantagem mas rapidamente foi absorvido pelo lote dos favoritos. A Cannondale não desistiu e lançou Formolo. Mais uma vez, a equipa norte-americana viu um dos seus ciclistas ganhar uma ténue vantagem, esbatida no último km quando uma série de movimentos lá atrás (outra vez Omar Fraille da Dimension Data e Dan Martin nos últimos 500 metros) consolidaram o cenário de sprint, onde Alejandro Valverde, com uma peugada impressionante foi mais forte que Dan Martin. O polaco Kwiatkowski foi terceiro.

Nota final: Na sua clássica favorita, Rui Costa quedou-se pela 14ª posição a 10 segundos de Valverde. O português mostrou-se uma ou duas vezes para as objectivas nos quilómetros finais mas não teve pernas para conseguir discutir a corrida na parte final. A participação do nosso melhor ciclista nas clássicas das ardenas consumou-se numa tremenda desilusão. Apesar de ter compreendido que o estágio de altitude serviu essencialmente para começar a preparar as provas de 3 semanas, esperávamos que o ciclista da Póvoa do Varzim pudesse estar em melhor forma do que a que apresenta actualmente.

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