Diego Costa, um outro jogador?


Não! Chelsea: um outro bloco de meio-campo, mais criativo, mais energético, mais rápido a chegar no apoio e mais próximo.

Quando José Mourinho chegou a Stamford Bridge pela 2ª vez na carreira, face a um problema chamado El Niño Torres, o português foi obrigado a idealizar um novo Drogba, ou seja, um jogador possante, batalhador e finalizador, capaz de dar profundidade na frente quando carregado de bolas longas vindas essencialmente do sector defensivo, de correr e batalhar pelo esférico, capaz de ombrear com 2\3 adversários, de os fintar, de aguentar as duras cargas dos defesas ingleses, de segurar a bola à espera que cheguem os apoios e de finalizar de todos os cantos e esquinas.

A solução para esta necessidade, motivada por outra necessidade, de cariz defensivo (que visava sobretudo ter uma equipa de linhas mais recuadas) estava precisamente em Espanha. Olhando para o perfil de Drogba, quando comparado com o perfil de Diego Costa, exceptuando numa outra característica particular (Drogba era mais pragmático quando recebia a bola, partindo imediatamente para a solução de remate; Diego Costa é um jogador mais forte no dribbling) e  e numa ou noutra especialidade (o costa marfinense batia bem bolas paradas), os jogadores acabam por ser facilmente equiparáveis porque possuem skills semelhantes.

Se atentarmos aos números que o  hispano-brasileiro realizou na temporada e meia que passou com o técnico português e se excluirmos que o seu terrível (eu por acaso acho-o engraçado e estou certo que não sou o único a achar engraçados os seus laivos de raiva) temperamento foi, é e continuará a ser o mesmo até ao final da sua carreira, os números desta época (com António Conte) não andam muito longe dos números realizados nas épocas anteriores (pequena nota: as estatísticas do jogador em todas as temporadas podem ser pesquisados no fundo da página). O número de jogos somados é mais ou menos o mesmo, o tempo de utilização é mais ou menos o mesmo, o número de golos marcados por temporada não destoa de ano para ano, o número de assistências também é similar bem como o número de remates realizados, de remates à baliza, de faltas cometidas e de cartões amarelos averbados.

O que é mudou então?

A rapidez com que a linha média do Chelsea sobe no terreno quando o brasileiro é solicitado com passes em profundidade e a maior proximidade existente entre o internacional espanhol e jogadores como Willian, Pedro ou Eden Hazard, facto que beneficia o jogador (já não é obrigado a entrar em batalhas campais contra vários defesas nas investidas 1×3 a que era obrigado por falta de apoio) e que beneficia também o futebol dos jogadores do departamento de criatividade do Chelsea. Com Mourinho, como estes jogadores eram obrigados muitas vezes a defender nos últimos 30 metros, demoravam mais tempo a chegar à área adversária e até mesmo ao meio-campo adversário, e obviamente, esgotavam-se mais rapidamente, já não chegando ao encalce de Diego Costa nas melhores condições físicas. Não posso também esconder que um dos factores que veio permitir uma maior subida das linhas do Chelsea com Conte deve-se obviamente ao papel que exercem os trincos da equipa e à sua influência no capítulo defensivo.

E tal aspecto tem sido visto com nitidez nos últimos jogos dos londrinos, em especial, no de ontem frente ao Southampton, jogo no qual foram incontáveis as vezes em que o jogador, recebendo a bola no último terço, rodeados de defesas, em situações nas quais muitas vezes tinha de executar uma rotação ou movimentos para se enquadrar com o posicionamento dos colegas, tinha ali o belga a dois palmos de distância para dar continuidade aos lances. A proximidade do belga é fulcral para decidir aqueles lances que naturalmente se vão perder (desarmados pelos defesas) por falta de rapidez na chegada de um apoio e os lances que são transformados em golo, como foram os casos dos golos de Hazard e do próprio Diego Costa naquela maravilhosa tabela executada com o belga e com Pedro Rodriguez.

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