Análise: Manchester City 0-0 Manchester United


Ao 3º encontro, o empate! Mourinho jogou para o empate e a equipa deu-lhe o empate. Depois de 2 jogos em que cada um dos treinadores pode sorrir, ao 3º, veio um empate que deixa tudo na mesma no que respeita à luta directa pelos lugares de qualificação directa e indirecta para a Champions League. O empate foi o resultado que mais castigou a única equipa que quis vencer a partida, o Manchester City de Pep Guardiola.

Com baixas de vulto registadas em ambas as equipas (Zlatan, Rojo e Pogba no lado do United; John Stones, David Silva e Nolito na equipa de Guardiola) ambas as equipas apresentaram-se com os melhores onzes disponíveis para atacar ester derby. Para colmatar a ausência do avançado sueco, José Mourinho decidiu fazer ascender ao onze titular para a esquerda do ataque Anthony Martial, movendo Marcus Rashford para a frente de ataque. Foram precisamente estas as duas unidades que conseguiram trabalhar os raros lances que a equipa dispôs no último terço do City. Com um começo de jogo muito agitado, tanto Martial como Rashford deram muita água pela barba aos seus marcadores directos (Pablo Zabaleta e Nicolás Otamendi) nos lances em que conseguiram isoladamente (muito isoladamente em contra-ataque) criar desequilíbrios através do seu fortíssimo drible e da sua velocidade. Em alguns dos lances, os dois homens mais adiantados do United obrigaram os seus marcadores directos a ter que cometer algumas faltas para os travar bem como Vincent Kompany a ter que fazer dobras aos seus companheiros para travar as suas incursões. Fora isso, o United criou apenas 2 ocasiões de perigo no jogo, uma delas flagrante quando Ander Herrera não conseguiu bater Cláudio Bravo com um cabeceamento ao 2º poste no final da primeira parte. Estas linhas resumem o parco comportamento ofensivo do United em toda a partida, numa partida em que os médios e avançados serviram essencialmente para defender e “perder bolas atrás de bolas na transição”.


A equipa do City teve 70% da posse de bola da partida e esteve mais de 30 minutos com o esférico nos 30 metros finais do adversário, com o adversário totalmente remetido atrás da linha da bola. Contudo, a excelente partida realizada pelos citizens de nada valeu porque a equipa de Pep Guardiola não conseguiu finalizar com êxito nenhuma das jogadas que os seus variados processos (e soluções de jogo) de jogo foram tentando criar.

Uma partida de várias nuances de índole posicional e ajustamentos

Matriz base do comportamento ofensivo da equipa de Pep Guardiola foi sempre a construção a partir do corredor central. Adiantado no terreno para não deixar que a equipa do United pudesse transitar para o contra-ataque em velocidade, Fernandinho e Yayá Touré foram sempre obrigados a assumir o jogo e jogaram (em vitude do recuo das linhas por parte dos homens do United) sempre bem dentro do meio-campo dos Reds Devils. Perante a forma em como José Mourinho estendeu as suas unidades na cobertura dos espaços defensivos e perante a necessidade evidenciada pelo português em nunca deixar as alas expostas em inferioridade numérica (creio que nunca vi Anthony Martial passar tanto tempo a defender, acompanhando sempre de perto as subidas e movimentações do lateral argentino Pablo Zabaleta no seu corredor) Kevin de Bruyne foi obrigado a vaguear pelo último terço entre a linha média e a defensiva do United, procurando aparecer entrelinhas quer no corredor central quer nas alas de forma a “ajudar” à criação de um leque de soluções de jogo. Se na alas, em especial no corredor direito, o belga queria de certa forma facilitar a interligação de jogo entre os seus dois actores (Zabaleta e Sterling) através de triangulações que permitissem a linha de fundo a Sterling num contexto no qual Darmian não dava tréguas na marcação ao extremo, na ala esquerda, tentou fazer o mesmo com Leroy Sané de forma a tentar colocar bolas para a área para Kun Aguero. O argentino poderia ter marcado aos 12″ a cruzamento do belga na direita.

Enquanto o belga dava mais apoio nas alas (na 2ª parte veio a fixar-se em definitivo em ambos os flancos), o argentino tentava com as suas movimentações de antecipação aos centrais ter bola no corredor central. Puxando atrás a fita para arrastar consigo um dos centrais, inúmeras foram as vezes em que o avançado argentino, conseguiu receber o esférico à entrada da área de costas para a baliza de forma a trabalhar a rotação perante vários opositores (o United povoou sempre a área e a entrada da área com várias unidades) e o seu apurado remate à entrada da área. Em todas as tentativas efectuadas, a bola saiu quase sempre invariavelmente por cima.

Por outro lado, nos flancos, sempre que tinham a bola de frente para a baliza, tanto Raheem Sterling como Leroy Sané tentavam as investidas individuais no drible contra os laterais do United. Tanto um como o outro conseguiram criar um par de jogadas vistosas coroadas com remates… para fora!

A equipa do United demorou a assentar o seu posicionamento defensivo. Enquanto a equipa conseguiu incomodar a baliza de Bravo nos primeiros minutos, notou-se que Yayá Touré e Fernandinho tinham todo o à-vontade para construir jogo visto que o bloco de meio-campo estava desalinhado e demasiado vasculante, seguindo o sentido da bola. Assim que Fellaini e Herrera encostaram (encaixaram) aos dois médios do City, acabaram por facilitar mais a vida a Michael Carrick no controlo do espaço existente entrelinhas à entrada da área, espaço onde Kun Aguero tentava receber para criar os seus habituais movimentos de rotação e remate.

Na 2ª parte, nada do que acabei de relatar se alterou significativamente. Aliás, a equipa do United fechou-se ainda mais e saiu ainda menos vezes para o contra-ataque, talhando um jogo perfeito para a assertividade dos seus centrais devido à quantidade de bolas que Kevin DeBruyne despejou para a área. O “monstro” Eric Bailly e Daley Blind não cometeram qualquer falha na abordagem a uma solução de jogo que não foi profícua para a equipa de Guardiola visto que Aguero passou mais tempo a jogar no exterior do que a jogar no interior. Foi aí que o técnico espanhol se apercebeu que teria de colocar mais uma unidade na área e um homem mais capaz no capítulo do cruzamento. O espanhol apostou portanto nas entradas de Jesus Navas e Gabriel Jesus para os minutos finais. O combativo internacional brasileiro precisou pouco tempo para mostrar serviço quando a cruzamento de Aguero, numa hábil jogada trabalhada pelo argentino, introduziu a bola nas redes de David DeGea. No entanto, o lance foi correctamente invalidado pelo auxiliar de Martin Atkinson que…
Dá cá, dá cá, e não digas que não, dá cá essa turrinha ó seu belga brincalhão…

… teve de puxar da cartolina encarnada para mandar Marouane Fellaini para outro planeta depois do belga ter dado uma turrinha amigável ao seu “amigo” Kun Aguero na sequência de 2 faltas cometidas pelo belga em apenas 5 segundos sobre o avançado argentino. Se na primeira o internacional belga tinha visto o primeiro cartão do jogo (aos 83″) passados 5 segundos voltou a carregar o argentino, respondendo a mais uma das suas subtil provocações (os dois já tinham andado pegados noutros jogos do passado; num Aguero abriu uma ferida na perna ao belga, noutro o argentino queixou-se de ter sido cuspido pelo médio) com uma turrinha marota que nem deve ter doído nada ao argentino porque a cabeça do belga é fartamente almofadada pela sua trunfa.

O experiente árbitro inglês teve uma arbitragem serena na qual, apercebendo-se previamente que seria um jogo em que os artistas poderiam cair para o chão por tudo e por nada para tirar o máximo número de vantagens sobre o adversário, deixou seguir a partida nos lances de maior dúvida. Os citizens reclamaram a existência de uma grande penalidade na área do United por empurrão sobe Yayá Touré quando este tentava cabecear uma bola na sequência de um canto mas, vendo a repetição pareceu-me não existir um toque suficientemente desequilibrador.

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