Análise: Braga 2-3 Sporting – O suspeito do costume


Jogo muito agradável de seguir em Braga. Bas dost resolveu o difícil, num jogo em que o “difícil” o foi por culpa própria do quarteto defensivo do Sporting (em especial do seu defesa esquerdo Marvin Zeegelaar) e pela extrema eficácia do Braga no contra-ataque, capitalizando em lances de perigo todos os erros cometidos pelo Sporting nas transições para o ataque. O avançado holandês recuperou com o seu hat-trick 3 dos 5 golos que detinha de atraso em relação a Lionel Messi, relançando a sua luta particular pela Bota de Ouro Europeia.

Abel foi mais uma vez apanhado a meio de uma reformulação de equações no Braga. Como já tinha acontecido na primeira volta em Alvalade (jogo com desfecho positivo para o lateral que alinhou nos dois clubes e que actualmente orienta a equipa B dos bracarenses) o treinador voltou a ser chamado para fazer trabalho de sapa, poucos dias após a 2ª chicotada psicológica da temporada na turma bracarense. Com o rumo ainda indifinido na tabela classificativa, os bracarenses precisavam de vencer a partida para para poderem recuperar 3 pontos em relação ao 4º lugar do Vitória de Guimarães e solidificar a 5ª posição depois de terem conhecido o desfecho negativo do jogo do Marítimo.

O Sporting entrou melhor na partida. Desde cedo se percebeu que a estratégia de Abel visava sobretudo condicionar a fase de construção do Sporting a meio-campo colocando um autêntico anel em redor de Adrien e William. Com dois avançados prontos a pressionar logo à entrada do meio-campo, a equipa bracarense pretendia levar os dois médios a falhar passes, de forma a poderem recuperar a bola e surpreender no contra-ataque. No entanto, a equipa bracarense acusou até aos 20 minutos pouca agressividade na pressão ao Sporting, deixando a turma leonina circular bem o jogo até à ala direita, ala que voltou a ser muito pró-activa (ao contrário da outra) graças às triangulações entre os seus membros com a ajuda de Alan Ruiz, e às investidas no 1×1 de Gelson frente a Marcelo Goiano. Pelo lateral esquerdo, jogador que costuma realizar bons jogos contra a equipa de Alvalade começou-se a explicar a queda dos bracarenses na 2ª parte.

Se o argentino estava a ajudar à construção de desequilíbrios no último terço, quando era chamado a vir atrás buscar jogo para lhe dar velocidade, mais uma vez se provou que não essa não é de todo a sua habilidade. Daniel Podence revelou posteriormente que consegue dar mais velocidade às transições do Sporting… e não só, funcionando a toda a largura do terreno, no miolo, na esquerda e na direita, como um pequeno dínamo criador de jogo, activo nas triangulações com os homens dos corredores (aproveitando os espaços existentes entre os centrais e laterais adversários) para lhes dar boas situações de cruzamento, para lhes oferecer passes de ruptura (situação que o internacional sub-21 proporcionou em 2 ocasiões a Gélson; numa delas no lance que originou a grande penalidade cometida por Marcelo Goiano) e, acima de tudo, muito activo no 1×1 contra os centrais adversários, situação que granjeou por exemplo o primeiro penalty a favor da turma leonina no jogo de ontem.

Feito este “à parte” que demonstra mais uma vez a casmurrice do treinador do Sporting face à qualidade do jogador no jogo que Jesus quer para aquela posição, como referi lá atrás, o Sporting entrou melhor. E Gelson criou duas oportunidades de perigo que Marafona resolveu. Mas, seria o Braga no entanto a marcar o primeiro golo numa falha de quem? Sim! Do mesmo! Do suspeito do costume! De Marvin Zeegelaar! Flanco inteiro aberto (que o diga Pedro Santos, jogador que andou sempre ali à vontade) para a aceleração de Battaglia, ninguém saiu na pressão ao jogador argentino (grande exibição, diga-se; foi um chatinho a incomodar a organização de Adrien) e este colocou com facilidade para a entrada de Rui Fonte na pequena área junto a Paulo Oliveira. Como o ponta-de-lança enviou a bola ao poste e Gelson marimbou-se para a história porque “estava a ver o golo”, a bola acabou por ser ressaltada do poste para os pés de Ricardo Horta, com o extremo do Sporting a chegar tarde ao lance.

Com o golo, o Braga finalmente começou a causar problemas a meio-campo equilibrando a partida. Alan Ruiz sai do jogo e é Podence que vai mexer com a estratégia bracarense, colocando-se entre linhas a criar jogo. Minuto e meio após a sua entrada, o pequeno avançado do Sporting sacou imediatamente uma grande penalidadade indiscutível a Rosic, desperdiçando Adrien da marca dos onze metros com um remate demasiado puxado.

Na 2ª parte o Sporting subiu todos os standards na sua exibição. William foi mais batalhador e mais recuperador a meio-campo, Adrien criou mais e Podence mexeu (na ausência total dos elementos do flanco esquerdo; o flanco esquerdo do Sporting foi durante os 90″ um flanco moribundo que pouco ou nada contribuiu para o jogo da equipa quer no capítulo ofensivo, quer no capítulo defensivo; Bryan Ruiz não veio alterar em nada este cenário ; a única excepção foi o redondinho cruzamento de Marvin Zeegelaar para o golo de Bas Dost, “anulado” posteriormente pela passividade com que o lateral esquerdo abordou o seu o seu oponente directo no lance do 2º golo do Braga; parecia mesmo uma jogada tirada a papel químico do comportamento do holandês frente a Jesus Corona no lance do 1º golo do Porto no jogo do Dragão)  com o último terço, protagonizando um duo dinâmico com Gelson Martins. Se no primeiro lance, num corte para dentro (nova dinâmica), Podence assistiu a entrada de Gelson que por sua vez deu um “penalty” a Bas Dost que foi magistralmente cortado por um carrinho de Ricardo Ferreira, no 2º, Marcelo Goiano foi obrigado a cometer falta (fora-de-área) sobre o extremo, originando o penalty que iria dar o golo do empate.

Seguiu-se o show de área do holandês

em duas imponentes impulsões\cabeçadas no esférico sobre os centrais do Braga, a cruzamentos redondinhos de Zeegelaar e Schelotto. Se o primeiro foi uma das poucas virtudes do lateral no jogo, o segundo provou que o argentino está a melhorar no capítulo do cruzamento bem como no capítulo da decisão das suas acções no jogo, facto que já venho a constatar desde há algumas semanas a esta parte.

O holandês conseguiu resolver pela 7ª vez nesta temporada um jogo que ameaçava ruir nos minutos para os lados de Alvalade. Com o 2-2 do Braga, o jogo ameaçava partir a qualquer momento. Com um “ávido” Alan em campo a pegar nas transições para o contra-ataque, naquele contexto de jogo partido em que o brasileiro ainda é tão importante nesta equipa bracarense, se o holandês não tem feito o 2-3, o Braga poderia ter vencido a partida, resultados que seria deveras injusto para o caudal ofensivo criado essencialmente pela dupla Podence\Gelson.

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