Simon Yates vence no espectáculo de Richie Porte na Romândia


Na etapa entre Domdidier e Leysin (165,2 km), as subidas finais de 1ª categoria ao Col de Pillon e Leysin (em teoria 6 km de subida, sendo apenas 4,8 os contabilizados para a categorização do Prémio da Montanha; o último quilómetro apresentava uma inclinação média de 6,5%) assumiam-se à partida para a etapa (e até para a prova) como os momentos ideiais para os trepadores realizarem diferenças na montanha. Num duelo entre Simon Yates (Orica; atacou primeiro no final do Pillon) e Richie Porte (atacou logo na início da subida final para ir em busca do grupo que rodava na frente e assim estabelecer diferenças para os mais directos concorrentes), o ciclista da Orica levou a melhor, partindo para a etapa final, um contrarelógio, com 19 segundos de avanço para o ciclista da BMC. 

Vários foram os ciclistas que tentaram fugir ao longo dia. O líder do prémio da montanha Sander Armée (Lotto-Soudal) voltou a sair do pelotão para ir buscar mais uns pontos para a classificação que será sua no final da prova, carimbando os pontos necessários para fugir à mais directa perseguição de Simon Yates. Conjuntamente com Armée saíram Simon Clarke (Orica), Pavel Kochetkov (Katusha), os seus colegas Tosh Van der Sande e Thomas De Gent, Mickael Cherel (AG2R),  Youcef Reguigui (Dimension Data) e Andrea Pasqualon (Wanty). O grupo chegou a ter perto de 4 minutos de vantagem a meio da etapa nas montanhas categorizadas de Zumholz e Jaunpass. Foi precisamente em Jaunpass que a Sky de Christopher Froome passou para a frente do pelotão, cortando algum tempo aos da frente sem contudo colocar um andamento alto no pelotão, pelas razões relacionadas com a forma actual de Christopher Froome, como mais tarde se veio a perceber quando o ciclista britânico passou mal no início da subida para Leysin assim que a corrida começou a ser esticada por vários ciclistas.

Com um ataque tímido de Ilnur Zakarin (ao qual Froome deu resposta) começaram as hostilidades entre candidatos que levariam ao ataque de Simon Yates a sensivelmente 19 km para a frente (ainda no Pillon), numa altura em que o pelotão estava a cerca de 1:30 de Mickael Cherel, homem que já se tinha destacado ligeiramente de remanescente grupo de 4 corredores envolvidos na fuga inicial: Kochetkov, Armée e Simon Clarke. Dos 4 apenas Cherel (18″) ameaçava a liderança de Fabio Felline (Trek) que ainda conseguia resistir no grupo da frente, apresentando até alguma tranquilidade na roda dos BMC, que por sua vez, marcavam directamente os Sky.

Com Simon Yates, acabaram por conseguir ir homens importantes como Emmanuel Buchmann (Bora), Rigoberto Uran (Cannondale) e o campeão nacional de estrada marroquino Ait El Abdia (Team UAE), ciclista que viria a ser uma das surpresas da etapa final. Com uma ligação algo perigosa entre o Col do Pillon e Leysin (muita água na estrada) na descida a alta velocidade, o grupo da frente conseguiu aguentar-se, chegando aos 6km finais com 55″ de vantagem para o pelotão, comandado e acelerado durante a descida pela Bahrain-Mérida de John Izaguirre.

O início da subida para Leysin seria determinante em ambos os grupos: se na frente, Yates, Buchmann e El Abdia rapidamente fizeram a pré-selecção entre o “trigo” e o joio, lá atrás, no pelotão, a Bahrein entrou a galope na subida para promover um ataque de Jon Izaguirre (subitamente os seus gregários ficaram a olhar para trás porque o espanhol não conseguiu dar seguimento ao trabalho de aceleração promovido) que foi aproveitado por Richie Porte para atacar, no preciso momento em que Christopher Froome aparecia nos ecrãs “a olhar para a bicicleta” naqueles momentos suspeitos nos quais, a cair do grupo principal, ninguém percebe se o super corredor da Sky está a passar por dificuldades sérias ou por dificuldades temporárias. Como já vimos noutras ocasiões Froome a passar por dificuldades em etapas que viria a ganhar com corridas de trás para a frente, este poderia ser mais um “trick” do corredor britânico. No final da etapa, o minuto averbado por Vroome Vroome, indicou que o britânico passou efectivamente por dificuldades, não obstante o seu esforço em tentar voltar à companhia dos favoritos por entre o retalho de pequenos grupos em que se tornou o pelotão após o ataque de Porte.

Nas suas 7 quintas, num ataque que foi planeado ao pormenor, Porte foi em busca dos homens da frente, não dando quaisquer hipóteses num primeiro momento aos mais directos perseguidores (Reichenbach da FDJ, Roglic da Lotto-Jumbo-NL, Zakarin, Van Garderen, Louis Mentjes da UAE) e a Buchmann e El Abdia num segundo momento, quando levou Yates com ele até à meta. Com uma tentativa de aumentar o ritmo no quilómetro final para conseguir ver se descolava Yates, o australiano acabou por ter que ir ao sprint com o fininho trepador da Orica, ciclista que tem melhor ponta final que o ciclista da BMC. 30 segundos depois chegava Emmanuel Buchmann à meta.

As diferenças estabelecidas

Tanto Porte como Yates estabeleceram diferenças significativas para vários dos contenders, trabalhando para uma efectiva luta a dois no contrarelógio amanhã:

Tejay Van Garderen chegou com 43″ de diferença.

Rigoberto Uran liderou um grupo que chegou com 52″ no qual vinham ciclistas como Ulissi, Pierre-Roger Latour (AG2R), Louis Mentjes, David Goudu (FDJ), Primoz Roglic, Jon Izaguirre, Wilco Keldermann (Sunweb), Bob Jungels, Ilnur Zakarin, Roman Kreuziger (Orica), o “amarela” Fábio Felline, Natnael Berhane (Dimension Data), Ait El Abdia, David de la Cruz (Quickstep) e os movistar Jesus Herrada e Andrey Amador.

Logo a seguir chegaram a 1:03 Pelo Bilbao (Astana), Alexis Vuillermoz (AG2R), e Sebastien Reichenback.

A 1:05 chegaria o chefe-de-fila da trek Jarlinson Pantano.

A 1:15 Christopher Froome e Robert Gesink (Lotto-Jumbo-NL) e Simon Spillak (Katusha)

E a 1:32 chegaria o nosso José Gonçalves (Katusha) com um tempo que o fez sair do top 10, mais concretamente da 7ª posição, não tendo o português capacidades para voltar no contra-relógio de amanhã.

Situação de corrida para o contra-relógio de amanhã

Tendo em conta o traçado inicial do crono de amanhã (17 km; 8 dos quais na sua fase inicial numa ligeira crono escalada na qual os ciclistas subiram dos 374 para os 663 metros de altitude) e as actuais diferenças de tempo na geral, é provável que Simon Yates se possa defender na fase inicial do crono face ao maior poderio na especialidade de Richie Porte. Assim à vista grossa, os 18 segundos de diferença poderão ser facilmente anuláveis pelo ciclista da BMC. No entanto, os 35 segundos de diferença de Porte para Primoz Roglic (um dos ciclistas mais fortes entre os ciclistas presentes no pelotão) também podem ditar uma luta entre o australiano e o ciclista esloveno se este conseguir anular 15 a 20 segundos ao australiano no primeiro sector.

Fabio Fellini por sua vez também anda por perto. Apesar de não ser um contra-relógio à sua medida, o vencedor do prólogo poderá intrometer-se pelo menos na luta pelos lugares do pódio se enfrentar a prova com a garra com que segurou a amarela durante 3 dias.

A luta pelo pódio será bastante interessante. Não crendo que Tejay, Izaguirre, Bob Jungels ou Roman Kreuziger consigam anular as suas actuais diferenças para os da frente, penso que todos podem fazer perigar o 3º lugar de Emmanuel Buchmann. O alemão não é de todo um especialista na luta contra o cronómetro e os 18 segundos que o separam de homens como Izaguirre ou Jungels podem ser facilmente anuláveis por estes, desde que obviamente façam melhores tempos que Fabio Felline.

Outra luta irá travar-se na discussão pela vitória na etapa. Assim à primeira vista vejo um lote de candidatos: o próprio Richie Porte (o estado psicológico do ciclista conta por vezes mais que a especialidade naquele departamento) e os vários especialistas que se encontram na Romândia. Os dois movistar Jonathan Castroviejo e Alex Downsett são para mim os mais fortes candidatos à vitória na etapa. Primoz Roglic tem condições para lutar pela etapa e quer efectivamente fazer um bom tempo para ainda ameaçar os lugares cimeiros. Alex Edmondson (Orica) já provou que pode fazer bons cronos. O antigo campeão do mundo de contra-relógio Vasili Kyrienka estará decerto nos 7 melhores tempos.

Numa 2ª linha poderão aparecer surpresas como Andriy Grivko (Astana), Stefan Kung (BMC) ou Victor Campanaerts (Lotto-Jumbo).

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