Roglic foi o mais forte no contra-relógio mas a vitória na Romândia pertenceu a Porte


No lançamento do crono que marcou o final da edição de 2017 da Volta à Romândia, apontei um conjunto de favoritos à conquista da etapa que teve o seu final em Lausanne e tracei um conjunto de conjecturas possíveis na classificação geral individual final face ao desfecho da geral individual após a etapa de ontem. Do lote de favoritos nos quais “apostei” (Richie Porte, Primoz Roglic, Jonathan Castroviejo, Alex Downsett, Jon Izaguirre, Alex Edmondson, Vasili Kyrienka, Andriy Grivko, Stefan Kung, Victor Campanaerts) existiram ciclistas que confirmaram o “favoritismo” que lhe atribuí (Roglic venceu a etapa, Porte foi 2º, Izaguirre 4º, Castroviejo 7º) enquanto outros casos, como os de Kyrienka, Downsett ou Edmondson desiludiram por completo. 
Apesar dos 53 segundos de atraso para Simon Yates e dos 34 para Richie Porte (ciclista do mesmo nível na especialidade) o ciclista esloveno ainda tentou correr para ganhar a geral individual. Com uma fantástica primeira parte de percurso, o esloveno garantiu o pódio (3ª posição na geral) escapando-lhe por 5 segundos a 2ª posição, lugar no pódio que ficou entregue a Simon Yates. O britânico da Orica fez o que lhe competia na prova, ou seja, defender-se ao máximo do “ataque cerrado” que Richie Porte iria realizar no seu contra-relógio. Os 40 segundos de vantagem que o australiano da BMC conquistou nos 17 km em relação ao tempo do britânico foram mais que suficientes para anular os 18 segundos de diferença que o ciclista da Orica tinha à entrada para a última etapa.

A 34 segundos de Roglic fecharam com tempos na mesma casa de segundo, por esta ordem de sequência na classificação final da etapa Tejay Van Garderen (BMC), Jon Izaguirre (Bahrein-Mérida) e Fabio Felline (Trek). Se o primeiro conseguiu com o seu tempo ascender 8 posições na geral, subindo da 14ª para a 6ª posição, os dois últimos também defenderam bem as suas posições no top 5 (o aguerrido Felline manteve o seu 4º lugar; Emmanuel Buchmann caiu de 3º para 10º, Roglic subiu de 6º para 3º) e o espanhol da Bahrein-Mérida até conseguiu galgar do 7º para o 5º lugar.

Num top 10 de etapa em que Chris Froome chegou a dizer um “olá” depois da hecatombe registada pelo britânico na etapa de ontem (9º a 46 segundos de Roglic), o ciclista da Sky fechou a prova no 18º lugar a 1.55 de Richie Porte.

Eis o top 20 final da geral individual da prova suíça:

Destaques pela positiva:

1 – O meu primeiro destaque 4º lugar de Fabio Fellini. Nunca pensei que o italiano pudesse aguentar tantos dias com a amarela assim como também não acreditei que pudesse suportar tão bem a etapa rainha de ontem. O ciclista italiano da Trek ganhou pontos de experiência para futuras ocasiões em provas de 1 semana, revelando-se capaz de lutar pela vitória em provas por etapas de média montanha se conseguir realizar bons prólogos de abertura como aquele que realizou aqui.

2- O meu 2º destaque vai obviamente para Primoz Roglic. As prestações do esloveno na actual temporada tem demonstrado que o ciclista de 27 anos da Lotto-Jumbo atingiu finalmente a maioridade no ciclismo e tem condições para poder vencer muitas provas de 1 semana por etapas daqui em diante visto que é explosivo e ofensivo nos ataques que realiza na média montanha e é um exímio contrarelogista. Contudo, ainda restam algumas ressalvas quanto ao seu potencial para provas de 3 semanas, mistério cujo desvendar poderá ser desvendado em breve se o esloveno for convocado para liderar a equipa. Com apenas 7 elementos fechados para a prova italiana, os responsáveis da Lotto-Jumbo quiseram testar Roglic e Gesink na prova suíça de maneira a perceberem qual dos dois devem levar à prova italiana. Acreditando de antemão que a equipa não levará como chefe-de-fila Enrico Battaglin face ao actual momento de forma de Roglic, creio que teremos o esloveno a alinhar para a semana na prova italiana. Poderá ser um candidato ao pódio.

Pela negativa:

1- Rigoberto Uran – fraca prestação do colombiano (21º) numa prova que estava ao alcance do seu melhor rendimento.

2 – Louis Mentjes – O sul-africano da UAE ainda se mostrou durante a etapa de ontem mas é outro dos ciclistas que está a passar por um mau bocado dentro da equipa de Rui Costa. Terá literalmente que dar ao chinelo nos 2 meses de preparação que restam até ao Tour.

3 – Pello Bilbao e Jarlinson Pantano (Astana e Trek) – Liderar equipas não é fácil. Tanto o ciclista espanhol como o colombiano perceberam finalmente a dureza que é ter o estatuto de chefe-de-fila de uma equipa. Ganhar etapas em fugas devido aos seus estatutos de “corredores com carta branca” para entrar nas fugas é uma coisa, liderar uma equipa (o que o obriga os corredores a serem mais cautelosos nas acções estratégicas que tomam) é outra totalmente diferente. Precisam de amadurecer para poderem ser opções dentro das sua equipas para as grandes voltas.

Os portugueses em prova.

Tendo estado bastante discretos nas 6 etapas quando se esperava que pudessem entrar em fugas (José Gonçalves ainda chegou a estar no top 10 até ao dia de ontem fruto do excelente prólogo de abertura que realizou) José Gonçalves (Katusha) fechou a prova na 26ª posição a 2:36 do vencedor enquanto André Cardoso (Cannondale) terminou na 56ª posição a mais de 7 minutos.

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