O inegável talento de Bruma


Confesso que há 4 anos atrás fui um dos que afirmou (por mágoa, porque efectivamente todos depositávamos muitas esperanças neste jogador) aquando da conflituosa saída do jogador do Sporting (situação onde se provou praticamente que o jogador não teve uma única palavra a dizer em relação ao assunto, sendo movido pela ganância dos seus agentes) que este jogador poderia ter perdido uma oportunidade de ouro para poder ser trabalhado de maneira a alcançar, mais tarde ou mais cedo, o estrelato do futebol europeu. Os primeiros anos no Galatasaray comprovaram-no, apesar de considerar que o talento de Bruma é inegável. Se conhecerem um jogador no futebol mundial com maior explosividade no drible que o luso-guineense, avisem-me.

A falta de aposta no jogador por parte dos diversos treinadores que passaram pela formação de Istambul, as nítidas diferenças de qualidade entre o futebol português e o futebol turco (no futebol português existe menos espaço para jogar e o pace a que são disputados os jogos é mais alto que no futebol turco; as equipas portuguesas tem uma rigidez táctica e uma organização defensiva superior) a lesão complicada pela qual passou logo no primeiro ano ao serviço do clube turco, o empréstimo à Real Sociedad (e onde o jogador foi suplente utilizado na esmagadora maioria dos jogos) e o facto de não lhe terem sido trabalhadas algumas competências importantíssimas ao nível da adequação das suas características individuais ao jogo do colectivo, da capacidade de decisão e da própria visão de jogo (esta última, uma característica importantíssima para um jogador que é capaz de criar tantos desequilíbrios com as suas acções) levaram-me a crer durante algum tempo que o jogador iria perder-se. Felizmente, parece que estamos a ver algum retrocesso nessa marcha.

No meio do fracasso que estão a ser estas últimas duas temporadas do Galatasaray, vejo que finalmente alguém está a conseguir colocar este jogador a trabalhar em prol do sucesso da equipa, de cabeça levantada e com objectividade. Consigo reparar nos vários vídeos que vi dos jogos do Galatasaray nesta temporada que o jogador já joga de cabeça levantada à procura dos colegas para dar seguimento aos fabulosos desequilíbrios que consegue criar, quer para os assistir quer para procurar continuar as acções (individuais) quando chega a um determinado momento em que não consegue retirar qualquer vantagem objectiva dessas mesmas acções. Um dos pormenores que tem marcado essa diferença é a constante procura pela tabela com Wesley Sneijder e Lukasz Podolski nas situações em que se vê rodeado de jogadores. O “individualista” Bruma que conhecemos ao longo dos últimos anos jamais tomaria a opção de tabelar nos lances em que tabelou no jogo com o Bursaspor. Esse pormenor, no capítulo da decisão faz toda a diferença entre um jogador talentoso mas estéril no seu futebol (um brinca na areia) e um jogador objectivo que coloca todo o seu virtuosismo em prol do sucesso da equipa.

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