Antevisão à edição 2017 do Giro de Itália – o traçado da edição deste ano


Quando faltam poucas horas para o início da primeira das três grandes provas de 3 semanas do calendário velocipédico internacional, decidi iniciar uma sequência de 3 posts que visa essencialmente servir como guia para aqueles que vão seguir a grande prova italiana. Para iniciar esse mesmo guia, decidi neste primeiro post (os outros 2 serão relacionados com as figuras que irão participar na prova) escrever sobre o traçado da edição de 2017.

Ao contrário do que sucedeu nas últimas edições da prova transalpina, com o arranque marcado para um local no estrangeiro com a realização de prólogos de abertura, os responsáveis pela organização da prova que atinge em 2017 a sua 100ª edição, decidiram iniciar a mesma em território italiano, mais concretamente na belíssima ilha da Sardenha, com a realização de uma etapa em linha que será decerto finalizada ao sprint.

Nas primeiras 3 etapas estou certo que em princípio teremos chegadas em sprint massivo, excepto se uma fuga vingar ou se por exemplo existir um ataque de uma segunda linha de uma equipa na 2ª etapa. A 2ª etapa na prova tem uma ligeira subida de média montanha de 2ª categoria estacionada a 60 km da meta. As ténues rampas da subida a Genna Silana não deverão ser suficiente dissuasoras para afastar os sprinters que irão correr a prova mas poderão ser atacadas por um ou mais aventureiros que queiram tentar vencer a etapa em Tortolí. Os trepadores terão que esperar pela 4ª etapa para começarem a jogar as suas cartas na competição…

… logo com uma chegada em alto ao topo a um dos flancos laterais do conhecido reactor vulcânico do Monte Etna. A subida final de 17 km até aos 1892 metros de altitude, não será antecipada por um cenário fácil para os ciclistas na etapa que será corrida na região da Sicília. Pelo meio, os ciclistas terão que passar por vários sectores de paralelo em várias localidades e por uma 2ª categoria bastante dura na Porta della Femma Morta a meio da etapa.

A etapa 4 deixa uma certeza: a liderança da prova vai passar de mãos e os contenders terão nesta equipa a primeira oportunidade para estabelecer as primeiras diferenças na prova. Quem vencer no Monte Etna terá daí em diante o ónus de comandar a prova. A subida ao Monte Etna não será pêra fácil para qualquer ciclista. Para além da normal rarefacção do oxigénio no ar atmosférico a partir dos 500 metros de altitude, os ciclistas poderão ter que lidar com a emissão de fuligens vulcânicas do próprio vulcão. Para termos uma noção do que é a subida ao Etna, fiquemos elucidados com a passagem da caravana pelo local em 2011, numa etapa que foi conquistada por Alberto Contador:

Na 5ª etapa voltará a tranquilidade. Contendo apenas 1 montanha categorizada de 4ª, a etapa que ligará a Messina só causará problemas pelas inúmeras passagens que os ciclistas terão que realizar em vários centros de localidades da Sicília. A fase final da etapa será corrida em circuito fechado de 2 voltas na distância de 6,3 km por volta.

Na 6ª etapa, ligação que conduzirá os ciclistas entre Reggio Calábria e as termas de Luigiani, apesar da etapa conter duas montanhas categorizadas “inofensivas” (uma de 4ª e outra de 3ª) logo no início da longa tirada (217 km) os ciclistas terão que enfrentar 40 km finais de sobe e desce, com duas subidas não categorizadas e um chegada prometedora ao estilo dos muros da flandres. Os últimos km são muito duros com rampas que chegam aos 10% em algumas zonas. A pendente média é de 5,3%. A chegada às termas poderá ser atacada pelos puncheurs presentes ou até por um dos contenders, podendo o vencedor chegar a estabelecer na melhor das hipóteses 10 a 15 segundos se atacar bem a subida desde o início. Fiquemos com uma noção do final através da passagem da caravana pelo local na edição de 1999.

Constituíndo-se a etapa 7 (Castrovilari para Val D´Itria) um pêssego para todos os corredores (mais uma etapa para terminar em sprint massivo), saltamos imediatamente para a etapa 8, uma etapa que poderá ser muito complicada pelas dificuldades que apresenta na sua parte final.

A ligação entre Molfetta (recebe pela primeira vez a linha de partida de uma etapa do Giro) e Peschici trará um final explosivo. Com duas contagens de montanha que não estão colocadas num momento decisivo da tirada, a chegada a Peschici será pelo que indica o roteiro da prova, fantástica, com uma subida no km e final com rampas que podem chegar aos 12% numa via estreita pavimentada com paralelo de apenas 7  metros de largura. Esta etapa será portanto mais uma oportunidade para as equipas que tenham puncheurs.

Na etapa 8 termina a “moleza” da prova. Eis a alta montanha em todo o seu esplendor

Os (em teoria) 26 km de ascensão ao longo Blockhaus prometem. Serão, a contar de Roccamorice (13 km para a meta), 13 km com uma pendente média de 9% e rampas que chegam aos 14% em vários pontos na parte final. A estrada até ao alto faz várias curvas. Os ciclistas só terão algum descanso nos 500 metros finais da tirada. Em 2009 e 2013, foi Franco Pellizotti, actual ciclista da Bahrein-Mérida (não irá correr a edição de 2017 do Giro) quem deu a vitória de etapa à Liquigás e à Androni-Giocatolli:

Hora para o contra-relógio

Separado o trigo do joio, é hora de lutar contra cronómetro na 10ª etapa. Foligno recebe o tiro de partida de uma etapa que termina 40 km depois em Montefalco. No crono, os ciclistas enfrentarão uma estrada “ondulada” que não será nada fácil. Com uma parte complicada nos primeiros 20 km (vários km a 4\5% de pendente), duas descidas muito técnicas entre o ponto de cronometragem intermédio 1 e 2 e uma ligeira ascensão na parte final, o crono será um desafio para todos os contenders para todos os contrarelogistas puros que se apresentarem em prova.

Seguido de uma viagem louca aos Apeninos que pode trazer complicações a toda a gente

Firenze dá o arranque para uma curtinha mas durinha etapa “rasga pernas” de 161 km pela cordilheira dos Apeninos sem contudo existir uma passagem pelo Monte Terminillo na província de Rieti, icónica ascensão que faz parte do calendário do Tirreno-Adriático.

No entanto estão presentes nos 161 km subidas de dureza considerável como a do Monte Fumaiolo (2ª categoria), ascensão muito longa com 13 km de extensão que terminará a 26 km da linha de chegada.

A corrida segue para a Emília Romagna, mais propriamente para duas etapas que se constituirão decerto como uma das últimas oportunidades para sprinters. A tirada de 229 km entre Forlí e Reggio Emília, terá um final bastante fácil, apesar de ter uma contagem de 2ª e outra de 3ª pelo caminho. A etapa seguinte, a 13ª, entre Reggio Emília e Tortona é totalmente plana.

Rumamos a norte, para o Vendaval no Vale do Pó

A curta tirada entre Castellana e Oropa (Biella) é mais uma daquelas etapas em que o melhor está guardado para o fim. Na subida final, de 11 km, os ciclistas encontrarão até bem perto da meta, rampas de 13%. Na edição de 1999, quem venceu no Santuário de Oropa foi o “pirata” Marco Pantani, ciclista que nos deixa obviamente muitas saudades!

Sem travar a marcha para as etapas decisivas na alta montanha, a etapa 15 (Valdengo – Bergamo), etapa que será corrida na lindíssima região da Lombardia, os 40 km finais reservam duas contagens (uma de 2ª e outra de 3ª) que decerto serão corridas na frente por um grupo altamente limitado. Poucos serão os sprinters capazes de aguentar a passagem por Miragolo San Salvatore, uma subida que chega a ter partes de 8% (6% de pendente média).

Chegamos à monstruosidade que é a 16ª etapa, tirada que chegará na clássica estação de Ski de Bormio. Esta será a etapa das etapas pelo grau de dificuldade que possui. 3 contagens de montanha (duas de 1ª categoria e uma abismal categoria especial a meio da tirada) no Passo Dello Stelvio a 2758 metros de altitude depois de sensivelmente 22 km a subir (a categoria) fazem desta etapa uma verdadeira aventura para guerreiros. Será o momento de todas as decisões neste Giro. Para que os leitores tenham uma ideia do que é o Passo dello Stelvio deixo-vos os km finais da etapa de 2012, etapa que foi ganha pelo “sensacional” Thomas DeGent, no seu “momento alto” da carreira.

O cenário mantém-se duro na 17ª etapa. Com 3 contagens de montanha (duas de 2ª e uma de 3ª categoria), a prova chega a Canazei (Val di Fassa). Mesmo apesar de não ter qualquer ascensão categorizada na parte final, os ciclistas continuarão a correr acima dos 1000 metros de altitude numa generosa fatia da etapa.

Nem dá para descansar. A 18ª tirada é novamente uma doideira. Começa com uma 1ª categoria, tem 2 2ªs e uma 3ª categoria pelo meio e termina numa primeira categoria na subida até aos 1103 metros de altitude de Ortisei\St Ulrich (Val Gardena). 4 mil metros de desnível numa etapa de 137 km com rampas de aproximadamente 15% na primeira categoria, 13% na última 1ª categoria e 10% nas 2ª categoria faz desta etapa um autêntico carrossel que será disputado em grupo restrito desde bem cedo.

A 19ª etapa, com chegada ao alto de Piancavalo conta com 3 contagens de montanha. Os ciclistas terão que ultrapassar duas contagens de categoria inferior até sensivelmente ao meio da etapa e uma subida muito dura nos últimos 15 km. No Piancavallo, subida que foi ganha por Marco Pantani em 1998, os primeiros 11 km serão feitos essencialmente em pendentes nunca inferiores a 9% com uma pendente máxima de 14%, seguido-se uma breve descida quando faltarem 5 km para a meta, descida que conduzirá os ciclistas a mais 4 km de sofrimento com uma pendente média de 8%.

A decisão ou os últimos acertos na geral individual

A última tirada na alta montanha, na ligação entre Pordenone e Asiago, não terminará em alto. No entanto, as duas 1ªs categorias que os ciclistas terão que enfrentar o sempre complicado Monte Grappa (24 km extenuantes nos quais Nairo Quintana alicerçou a sua vitória na edição de 2014) e os 7% de inclinação média da ascensão ao alto de Foza, alto que está colocado a 15 km da linha de chegada. O final da etapa será corrido em plano.

Para o último dia de prova está marcado o tradicional contra-relógio na chegada ao Duomo de Milão. Com partida no autódromo de Monza, os 29,3 km de ligação até à cidade milanesa será a derradeira oportunidade para os ciclistas recuperarem tempo em relação aos seus mais directos adversários ou defenderem o tempo acumulado na alta montanha.

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