Antevisão ao Giro de Itália 2017 – As equipas e os corredores (1ª parte)


Com vários vencedores e ciclistas que conseguiram alcançar o pódio nas últimas edições presentes, o vencedor de 2016, Vincenzo Nibali será o principal alvo a abater! Feita a apresentação do desenho da prova no post anterior, vamos apresentar neste e noutro post que há de surgir mais logo as figuras que irão correr nas próximas 3 semanas no certame italiano.

Muitos tem afiançado que perante a ausência de Chris Froome, Alberto Contador, Alejandro Valverde e Richie Porte, a edição de 2017 poderá gerar uma luta feroz nas montanhas entre Vincenzo Nibali, Nairo Quintana e Thibault Pinot. Não poderei ser de todo tão redutor quanto a este post, face à massiva presença da nata do pelotão mundial na prova italiana. Por outro lado, para além de não termos visto Nibali e Quintana correr na Volta a Romândia (o italiano preferiu ir à Croácia fazer a sua preparação, vencendo a Volta daquele país) e de termos visto na prova suiça um Thibault Pinot que decerto não se apresentará na máxima forma no Giro, creio que poderemos ter surpresas. A Cannondale tem por exemplo 3 ciclistas que poderão marcar a diferença porque se encontram em grande forma (a dupla de Davides, Vilella e Formolo e o canadiano Michael Woods). Outra das surpresas poderá ser Geraint Thomas. O ciclista galês da Sky parece-me neste momento da temporada em melhor forma que Mikel Landa. Bauke Mollema (Trek) também poderá ter uma palavra a dizer numa edição em que não terá Alberto Contador por perto. 

Sem Romain Bardet no elenco (estará decerto mais preocupado em trabalhar para o seu grande objectivo da temporada que é o Tour), Doménico Pozzovivo é o grande ponta-de-lança das aspirações da AG2R à geral individual. A jogar em casa, em crescendo ao nível de forma (foi 3º recentemente no Tour of the Alps, prova que somou às classificações no top-10 no Tirreno-Adriático e na Volta a Abu Dhabi), o italiano parece-me em condições para tentar lutar novamente pelo top-10. O 5º lugar alcançado na edição de 2014 é a bitola que o guia para um resultado melhor e eu estou certo que Pozzovivo irá dar cartas na montanha. Não sendo um dos principais favoritos à conquista da prova, num dia bom, pode lançar um ataque muito eficaz que lhe permita cirandar pelos lugares de pódio ou até mesmo vestir a maglia rosa.

A equipa francesa tem outros pontos de interesse. Perceberemos logo na 4ª tirada se Alexandre Geniez (9º) em 2015 estará em condições para andar junto dos melhores na montanha ou se será por exemplo uma boa alternativa para a equipa tentar uma vitória na etapa, colocando o veterano francês nas fugas que irão decerto existir nas etapas de montanha. Matteo Montaguti poderá intrometer-se num ou noutro sprint assim como Hubert Dupond, ciclista que está talhado para realizar longas fugas.

Luis León Sanchez é o chefe-de-fila da Astana, uma equipa que ainda chora a morte de Michele Scarponi. A equipa casaque ficou completamente a nu com a morte do trepador. O veterano estava a subir de forma e poderia em condições absolutamente normais lutar por um lugar no pódio da prova. Com ciclistas como Luis León Sanchez, Paolo Tiralongo e Dario Cataldo (eventualmente as únicas esperanças da equipa em relação à geral, mas para uma posição dentro do top20), Tanel Kangert e Pello Bilbao, a equipa casaque apresenta um vasto leque de soluções para as fugas nas etapas de montanha, mas creio que no global a sua participação não visará vencer mais do que uma classificação (a da montanha) e uma etapa na prova.

Tejay Van Garderen é neste momento uma grande incógnita. Com um rendimento mediano na Romândia, o Norte-Americano não me parece estar actualmente a passar por um bom estado de forma física. No entanto, as primeiras etapas poderão ajudá-lo a ganhar andamento na montanha, sendo certo que a route da prova não o prejudica nesse sentido ao colocar nas primeiras etapas várias etapas de flat.

A acompanhar o norte-americano estará Rohan Dennis (candidato aos dois contra-relógios que se irão disputar) o incansável Silvain Dillier (também o veremos escapado em uma ou duas etapas, em especial, nas etapas de montanha; só não o fará se Van Garderen mostrar desde início capacidade para lutar pela vitória; nesse cenário Dillier terá que participar nos esforços colectivos da equipa), Ben Hermans, Manuel Quinziato e Francisco Ventoso, num colectivo habituado constantemente a ter que vir para a frente controlar a corrida e reduzir diferenças.

Da Bardiani e de Stefano Pirazzi tudo poderemos esperar num Giro de Itália. Não sendo de todo um ciclista regular na alta montanha (o seu grande defeito), o chefe-de-fila da Bardiani na competição é um dos homens que dá espectáculo em qualquer terreno, principalmente na montanha. De Pirazzi poderemos efectivamente esperar tudo! Poderemos tê-lo abertamente na discussão pelo top10, poderemos vê-lo a perder minutos na montanha e a reagir com um ataque numa fuga logo no dia seguinte e estou certo que o teremos na discussão pelo prémio de melhor trepador e na discussão pela vitória em etapas.

A vitória no máximo número de etapas é o grande desiderato da equipa italiana da divisão UCI Pro Continental. Com duas setas apontadas à vitória de etapas (Pirazzi e Enrico Barbin), estou certo que os ciclistas da equipa italiana não passarão a prova escondidos no meio do pelotão.

Uma auspiciosa vitória na Volta à Croácia garante-nos que o ciclista parte para a prova que já venceu em 2 ocasiões com os indicadores físicos em alta.

A acompanhá-lo nas etapas de alta-montanha terá uma autêntica armada de luxo, escolhida a dedo para o efeito com Valerio Agnoli, Javier Moreno Bazán, Manuele Boaro, Franco Pellizotti (gregário de luxo que terá como missão atacar para desgastar as equipas adversárias ou responder aos ataques em nome do seu líder), Giovanni Visconti e o bielorusso Kanstantin Siutsou. Não tenho a mínima dúvida que Agnoli, Javi Moreno, Pelizotti ou Giovanni Visconti teriam condições para vencer etapas ou até para lutar por lugares no top15 se estivessem com outro papel noutra equipa. Contudo, o facto de terem que correr ao lado de Nibali também pode ser por outro lado a garantia que estarão sempre na frente dos acontecimentos, beneficiando directamente na geral individual com o trabalho que irão realizar para o seu líder. Não será de espantar se por exemplo virmos Visconti no top 20 e Pelizzotti no top 10

Para as etapas iniciais da prova restará, com o estatuto de corredor protegido na primeira fase da prova, Enrico Gasparotto. O puncheur italiano terá decerto uma palavra a dizer em duas ou três etapas que terminam bem ao seu estilo, com subidas curtas em paralelo. Apesar de não estar na máxima forma em virtude de uma queda sofrida na Amstel Gold Race, será sempre um nome a ter em conta para 1 ou 2 vitórias nas etapas iniciais do evento.

A liderar decerto a Bora-Hansgrove estará o nosso campeão nacional José Mendes. Com uma exibição francamente positiva na Volta à Romândia, o ciclista natural de Guimarães partilhará com o austríaco Patrik Konrad a responsabilidade de tentar fechar top 20 na prova italiana. Será bastante difícil para o português mas creio que é uma meta exequível se conseguir aguentar na alta montanha junto dos melhores. O cenário é amplamente mais fácil para o trepador austríaco, ciclista que este já fechou top10 em 3 provas muito importantes (Volta a Múrcia, Abu Dhabi, Volta ao País Basco Num colectivo sem as principais figuras da equipa (Rafal Majka e Peter Sagan), os argumentos do colectivo alemão não se cingem aos seus 2 trepadores.

O sprinter irlandês de 26 anos Sam Bennett será o ponta-de-lança que a equipa irá utilizar para irritar os sprinters presentes em prova (André Greipel, Mauro Richeze, Luka Mezgec, Sasha Modolo, Fernando Gavíria, Caleb Ewan, Giacomo Nizzolo) e Jan Barta será naturalmente um candidato à vitória nos dois contra-relógios e um homem que andará decerto metido em fugas.

A Cannondale-Drapac aparece pela primeira vez em muitos anos sem Rigoberto Urán como chefe-de-fila. Após 5 tentativas falhadas à vitória na prova no qual o trepador colombiano conseguiu finalizar em 2º por duas vezes, 7º em 2 ocasiões e 14º, a equipa norte-americana norte-americana comandada por Jonathan Vaughters e treinada por Charly Wegelius decidiu dar uma folga no Giro a Urán para que este se concentre na preparação para o Tour e para a Vuelta. A estratégia da equipa não passa por ter um chefe-de-fila absoluto (Pierre Roland é um chefe-de-fila fictício) mas por ter um conjunto de corredores capazes de lutar por lugares no top 10, pelo prémio da montanha e por vitórias em etapas.

Para dar show na montanha, a equipa conta com a ofensividade de 3 peças: Michael Woods logo à cabeça, Davide Formolo e Davide Vilella, ciclistas muito ofensivos que estão a passar por um grande momento de forma. A jogar contra Michael Woods está simplesmente o facto de não ter muita experiência em provas de 3 semanas, pese embora a sua idade (30 anos). Davide Formolo vem de boas exibições no Tour dos Alpes. Davide Vilella será um cartada para lançar em fugas na alta montanha.

Porém, a equipa não se esgota apenas nestes 4 ciclistas: o jovem trepador de 22 anos Hugh Carthy poderá ser uma surpresa agradável na montanha pois já provou este ano que está sempre presente junto dos melhores, Alex Howes já ganhou o prémio de melhor trepador do Tour of Utah e da Volta à Catalunha e o holandês Tom Jelte Slagter tem na prova, apesar de ter andado um bocado escondido no pelotão nos últimos 2 anos, uma ou outra etapa com uma ponta final ideal para as suas características.

A polaca CCC-Polsat aparece no Giro na minha opinião com o colectivo mais fraco dos que se irão apresentar. O jovem checo de 26 anos Jan Hirt é a grande cartada da formação polaca para a geral. Com um 3º lugar na última edição da Volta à Croácia na semana passada, Hirt poderá lutar por um lugar no top25. Sem muitas opções para as diversas categorias da prova, a equipa polaca tentará lançar as suas unidades em todas as fugas do dia de forma a lutar por aquele que é no fundo o seu maior objectivo na prova: uma vitória em etapa.

Thibault Pinot é o homem em quem todos os franceses depositam a sua esperança na prova. Sem estar a atravessar um pico de forma ideal, o francês de 26 anos corre pela primeira vez o Giro numa temporada em que apesar de não ter conquistado qualquer vitória numa geral individual já conquistou duas vitórias em etapa na Andaluzia e no Tour of the Alps, já fez pódio nessas mesmas provas e no Tirreno-Adriático e uma boa classificação na Strade Bianchi (9º). O francês terá decerto andado no terreno a conhecer as etapas de montanha para perceber os momentos chave para atacar e fazer diferenças.

Acompanhado pelo seu fiel escudeiro (Sebastien Reichenbach) e pela “tropa do costume” Rudy Molard, Tobias Ludvigson (uma seta apontada aos contra-relógios), Steve Morabito, Jeremy Roy, o ciclista terá a certeza que não será deixado à sua sorte nas etapas de montanha. Resta-lhe portanto não ter o “dia muito mau” que costuma ter nas provas de 3 semanas e que de resto tem vindo a melhorar nos últimos anos, constituíndo-se como um corredor muito mais regular! Os dois contra-relógios são um handicap para as suas características naquele departamento mas se há aspecto que Pinot tem vindo a melhorar no seu jogo é a sua capacidade de defesa na luta contra o cronómetro.

Sergey Firsanov tem a honra de liderar a primeira participação da Gazprom-Rusvelo (nova designação da equipa Rusvelo) na prova italiana. O veterano trepador de 34 anos pretenderá decerto melhorar o 30º lugar alcançado na geral da edição 2016 do Giro, dando um passo em frente para se posicionar nos 15 primeiros e tentar talvez ganhar uma etapa.

O colectivo russo apresenta-se com um conjunto combinado de corredores muito experientes (Sergey Lagutin, Pavel Brutt, Dimitry Kozonchuk, Ivan Rovny) e jovens com algum potencial (Foliforov; já sabe o que é ganhar uma etapa no Giro e poderá repetir a experiência porque é um dos candidatos aos 2 contra-relógios; Evgeny Shalunov) que no seu todo já conquistaram algumas vitórias em etapa nas provas de 3 semanas (2 no Giro por intermédio de Foliforov e Pavel Brutt), gostam de ir para a frente assumir o comando do pelotão (nem que seja para dar lustro ao patrocínio que envergam nas camisolas) e tem em Lagutin um homem que já andou com a camisola da montanha durante 6 etapas na Volta à Espanha.

Os objectivos da equipa russa passarão obviamente por uma vitória numa etapa, por tentar colocar Firsanov nos 15 primeiros da geral e por tentar vencer o prémio da montanha. Para o efeito não nos espantemos se a equipa russa colocar todos os dias um homem em fuga.

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