O estranho caso de Miguel Layun


Ainda hoje ocorreu, numa conversa casual com o Miguel, autor convidado desta casa, trocarmos algumas considerações, onde estabelecemos pontos de vista concordantes, sobre a proveitosa utilidade que teria o lateral mexicano no onze do Sporting face à desastrosa temporada que os laterais esquerdos de Alvalade realizaram sob o mais alto patrocínio (que nos faz assemelhar a portadores do síndrome de Tourette sempre que olhamos para a sua presença no onze) de Jorge Jesus. Enquanto o Miguel me convencia que o nosso clube poderia obter o jogador através de um mecanismo de trocas de jogadores já que este não é uma primeira opção discutível de Nuno Espírito Santo e eu tentava refutar que muito dificilmente o Porto abriria mão do jogador para um rival, muito menos por tuta e meia (infelizmente, o futebol português ainda não é como o italiano, futebol no qual os grandes clubes trocam regularmente jogadores como se de cromos estes se tratassem) convergimos na opinião que nos torna imperceptível a razão que levou o treinador do Porto a abdicar na presente temporada daquele que foi de longe, na nossa opinião, o melhor dos portistas na temporada passada.
Para as 15 assistências (15!) que o jogador promoveu no ano passado, os 6 milhões de euros gastos pelo Porto foram altamente rentabilizados. A contratação de Alex Telles para uma posição já bem salvaguardada face a outros jogadores com qualidade que o Porto já possuía nas suas fileiras (o canhoto Rafa, por exemplo, jogador que fez uma boa temporada de afirmação na Académica) acabou por fazer cair em “saco roto” os números realizados pelo internacional mexicano na temporada passada. Compreendi imediatamente que com a contratação do brasileiro (10 assistências até ao momento; alguns deslizes em momentos chave da temporada, provocados por excesso de impetuosidade na abordagem a alguns lances, como foi o caso da abordagem ao lance que lhe garantiu a expulsão no jogo contra a Juventus) visava essencialmente colmatar uma das lacunas existentes no plantel portista na época passada: a inexistência de uma alternativa credível nas laterais face a possíveis castigos ou lesões dos seus dois titulares. Até por uma questão de competitividade interna, a versatilidade de Layun foi “jogada” pelo treinador portista como uma forma de pressionar Maxi Pereira a ter um rendimento mais alto. O jogador foi arrumado nitidamente desde 19 de Março, estando a situação envolta num profundo e constrangedor silêncio que só Nuno poderá tecnicamente esclarecer.

Não consigo porém compreender a razão que levou Nuno a apostar menos no jogador mexicano, jogador que em último caso também é versátil ao ponto de poder desempenhar com sucesso a função de extremo, pela capacidade que possui em cortar bem para dentro de forma a cruzar com o pé direito. Numa equipa que revela alguns défices ao nível do cruzamento dada a presença regular de dois finalizadores na área (precisamente só Alex Telles se equipara ao jogador mexicano no capítulo do cruzamento, mas não tem nem metade das assistências deste em jogo corrido; 5 contra 11) o treinador do Porto até se deu ao luxo de deixar o mexicano de fora da lista de convocados para o jogo de amanhã frente ao Marítimo, face à ausência de Maxi Pereira por castigo, convocado o jovem internacional sub-21 Fernando Fonseca, jogador que alinha na equipa B dos portistas. A decisão poderá revelar-se muito negativa se considerarmos que frente ao Benfica e frente ao Sporting, a equipa madeirense fechou-se muito bem no último terço, parecendo-me lógico que a equipa beneficiaria com a capacidade de cruzamento do mexicano como uma forma muito válida para desbloquear o jogo.

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