Alvalade – 11 e 45 da manhã


Facto inédito em Alvalade: um jogo marcado para a manhã de um domingo soalheiro de Maio. Sem pressão, sem nada a temer, sem objectivos para conquistar desde o jogo do Dragão, mas com um cenário em que, com um bocado de sorte, a manter-se a bitola exibicional dos dragões nas últimas semanas, em caso de vitória, o Sporting ainda poderia espreitar a qualificação directa para a Liga dos Campeões, facto que por si vale metade do orçamento previsível para a próxima temporada. Os adeptos responderam afirmativamente. Invertendo uma certa lógica do futebol moderno, os adeptos de uma equipa que caiu a meio da temporada, continuam a dizer “sim”, mesmo quando o futebol não é o melhor. Quer queiramos quer não, esta indústria vive de resultados e de espectáculo. Por vezes é o espectáculo que filtra a falta de resultados. Quando não dá espectáculo e não se atingem resultados, os clubes definham porque o consumidor não compra.O futebol nos primeiros 55 minutos contra uma equipa que está a passar por um período de enorme turbulência (agressões dos adeptos a jogadores, esposas de jogadores, dirigentes; adeptos presentes no treino a pedir explicações aos jogadores e treinadores pela sequência de maus resultados e em certa forma pelas péssimas exibições que a equipa tem vindo a realizar) não é bom nem é mau: cumpre. A equipa adversária já não ganha há 7 jogos e já não vence em Alvalade há 62 anos. Não há Gelson nem há Podence. Mesmo que houvesse Podence, Jesus voltou a jogar na casmurrice ao dar a titularidade a um jogador que está claramente em fim-de-linha em Alvalade: Bryan Ruiz. O costa-riquenho é neste momento um jogador sem qualquer ambição. Salva o espectáculo um tal de Matheus Pereira. Um menino que dá muito mais vivacidade ao flanco esquerdo que Bruno César. Quase todas as situações de perigo construídas pelos leões até ao minuto 60 saem dos pés do jovem. Nos últimos 5 jogos em que o brasileiro foi titular na esquerda do ataque, não criou um único. Matheus, criou em 3 em pouco tempo de utilização.

O Sporting não mata o jogo quando deve matar. Jesus marimba-se para o jogo (desde o início, a bom da verdade) e volta a colocar a fórmula do insucesso quando faz entrar Joel Campbell e Luc Castaignos, tirando Matheus da partida só porque este teve a infelicidade de ter os braços abertos no momento do cruzamento do jogador do Belenenses. Bola no braço ou braço na bola? A doutrina diverge consoante a camisola. Se for um jogador vestido de encarnado, os doutos irão dizer que foi “bola no braço” – como o jogador veste de verde e Bruno Paixão até é o “coveiro” de serviço, o assunto ficou novamente tratado.

O descalabro acontece, em virtude de sucessivas falhas de marcação. Uma numa bola parada e outra num lance de futebol corrido. Não é esta a atitude defensiva que Jesus quer para o Sporting da próxima época? Nem eu. Mas, pela terceira ou quarta vez na presente temporada, também devo dizer algumas coisas ao treinador do Sporting enquanto sócio da instituição:

1 – Não é esta a política que eu defendo para o meu clube. Para realizar temporadas deste calibre, prefiro que o Sporting jogue com uma equipa composta por 100% da formação. Tolero mais rapidamente o erro de um jogador de 19 anos a cumprir a sua primeira época ao mais alto nível do que os erros constantes de jogadores que custam milhões ao Sporting. E não falo apenas dos milhões pagos pelas suas contratações ou pelos seus ordenados. Custam milhões nas bilheteiras, nos prémios que o clube não recebe em virtude de não participar na Liga dos Campeões.

2- Não é esta a gestão de recursos que eu defendo para o meu clube. Podence faz um excelente jogo: banco com ele. Joga Ruiz. Podence faz outro excelente jogo: banco com ele. Entra o outro Ruiz. Francisco Geraldes é provavelmente um dos melhores médicos a pensar, decidir e executar neste país. Segundo as valências que Jorge Jesus apontou na conferência The Future of Football, o jogador tem as 3 valências que o distingue dos jogadores maus. Banco e Equipa B com ele, aproveitando apenas as migalhas daqueles que desenharam esta temporada como ela está. Palhinha fez um mau jogo no Dragão quando foi literalmente lançado às feras, sai imediatamente da rotação. Matheus faz jogos muito aceitáveis: equipa B com ele. O que é que há em contrapartida para explicar a razão pela qual o treinador não aposta nos miúdos? Há Markovic, Elias, Campbells, Castaignos. Jogadores que não acrescentaram um chavo à equipa, que não se esforçaram um chavo e que não dignificaram durante um segundo a camisola que vestiram e que lhes pagou chorudos ordenados. Estes foram os autores da nossa miséria na presente temporada. Jesus continua a suportar a miséria, a todo o custo, queimando uma data de miúdos que podem ser muito valiosos para inverter o rumo do clube na próxima temporada.

3 – Pouco paleio e mais trabalho. Tens um ano para tornar esta equipa vencedora. Creio que grande parte dos sportinguistas já não te dão mais margem de manobra. Falas de mais, trabalhas de menos e não há nada nem ninguém a justificar as opções que tomas. É hora de acordar, é hora de mudar.

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