Giro de Itália – Etapa 3 – Fernando Gaviria vence numa manobra táctica genial da Quickstep


Quando muitos apontavam que a 3ª etapa da prova (etapa que antecede o primeiro dia de descanso da prova antes da primeira abordagem à alta montanha na chegada de segunda-feira ao Monte Etna) seria uma etapa muito tranquila na qual se previa uma chegada em sprint massivo, as condições atmosféricas na chegada a Cagliari foram fulcrais para que uma equipa mexesse completamente com a corrida.

No meio da turbulência proporcionada pelas mudanças de vento a cada mudança de direcção nos últimos 15 km finais, a Quickstep de Fernando Gaviria e Bob Jungels viu uma janela de oportunidade instalada no semi-caos em que se tornou o pelotão na aproximação à chegada para “matar” dois coelhos de uma só cajadada com uma mortífera mudança de velocidade quando o vento era contrário ao pelotão, levando o seu sprinter à vitória (a 1ª do explosivo colombiano em grandes provas; confirma portanto a sua ascensão à elite dos sprinters) e oferecendo ao seu chefe-de-fila Bob Jungels (um dos que mais trabalhou para que Gaviria pudesse vencer a etapa, até porque a situação de corrida tornou-se bastante favorável para o campeão luxemburguês ganhar alguns segundos à mais directa concorrência para a geral individual) alguns segundos que lhe darão mais conforto na abordagem à etapa de segunda-feira, a primeira em que se poderão realizar diferenças significativas na geral individual. Até lá, é a Quickstep quem terá o prazer de conservar a maglia rosa na sua posse visto que o colombiano ascendeu com a vitória ao topo da geral individual

Grande parte do pelotão estaria decerto avisado para as dificuldades de um final de etapa que se julgava à priori para ser resolvida num sprint massivo. No entanto, nestas lides do ciclismo, todos sabemos que etapas corridas ou finalizadas junto ao mar podem gerar surpresas em virtude das constantes mudanças de direcção do vento, se este soprar com força. Foi precisamente isso que aconteceu na aproximação à chegada a Caglari.

Nos 148 km da tirada entre Tortolí e a maior cidade da Sardenha, assim que foi anulada a fuga do dia, composta por Eugene Zhupa (Selle Italia; repetiu a acção que já tinha realizado na 1ª etapa), Kristian Sbaragli (Dimension Data), Jan Tratnik (CCC-Polsat) e Ivan Rovny (Gazprom), as equipas dos contenders chegaram-se à frente do pelotão com o intuito de proteger bem os seus líderes relativamente à ventosa fase final da etapa que se fazia prever. A Movistar, a Sky, a FDJ e a Bahrein-Mérida foram as equipas que não tardaram em colocar os seus líderes na frente.

Quando os ciclistas chegaram aos 10 km finais, perante um cenário de instabilidade no pelotão no qual os corredores de várias equipas se entreolhavam na frente em virtude das mudanças de direcção do vento que se faziam sentir, com um fortíssimo avanço massivo de várias unidades, a Quickstep viu na situação de corrida uma janela de oportunidade para endurecer o ritmo de forma a realizar um corte que pudesse colocar os seus dois “targets” (para a etapa e para a geral) à frente de André Greipel e de todos os outros contenders à geral individual.

Com 6 unidades, a equipa belga deu um abanão na corrida ao qual Greipel numa primeira fase conseguiu corresponder. Geraint Thomas (Sky) ficou a meio do caminho numa posição intermédia entre o grupo principal e os vários grupos que se foram formando em perseguição à frente. Assim que Bob Jungels foi informado que o grupo tinha meio minuto de vantagem em relação ao grupo dos principais contenders, o campeão nacional Luxumburguês apercebeu-se que podia atingir dois objectivos na etapa: conduzir Gaviria à vitória e ganhar segundos à concorrência. O campeão nacional luxemburguês tratou imediatamente de passar para a frente do grupo para manter intacto o esforço porque no global da prova era o mais beneficiado com a situação de corrida. No grupo, para além dos 6 quickstep presentes, numa primeira fase também esteve presente o nosso campeão nacional de estrada José Mendes (Bora). O ciclista da Bora haveria de pagar muito caro este esforço visto que acabaria por perder contacto com o grupo da frente e até com o pelotão, perdendo mais de 1 minuto para Gaviria. Nathan Haas (Dimension Data), Rudiger Selig (Bora), Giacomo Nizzolo (excelente prestação depois da péssima etapa que realizou ontem, ficando para trás na passagem pela contagem de montanha de 2ª categoria em Genna Silana) e o bielorusso Kanstantin Siutsou acabaram por conseguir aguentar o ritmo imposto por Jungels e discutir a etapa com Fernando Gavíria ao sprint.

Apesar do grupo ter perdido grande parte da vantagem que tinha conseguido alcançar para o pelotão (entretanto unificado), a Quickstep conseguiu almejar os dois objectivos pretendidos: Gaviria foi mais forte que Rudiger Selig e Nizzolo, conquistando assim a sua primeira vitória em provas de 3 semanas e o direito a vestir a camisola rosa no pódio e Bob Jungels ganhou 10 segundos a toda a concorrência.

Quem perdeu tempo e quanto perdeu?

Exceptuando os 5 minutos perdidos por Rohan Dennis devido a uma queda na parte final, todos os contenders à geral individual acabaram por perder 13 segundos para Fernando Gaviria e 10 para Bob Jungels. Num 2º grupo, Adam Yates (Orica), Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo), Geraint Thomas e Mikel Landa (Sky), Vincenzo Nibali (Bahrein-Mérida), Domenico Pozzovivo (AG2R) Bauke Mollema (Trek), Tom Domoulin e Wilco Kelderman (Sunweb), Thibault Pinot (FDJ), Nairo Quintana (Movistar) Tejay Van Garderen (BMC), Davide Formolo (Cannondale) e Ilnur Zakarin (Katusha) defenderam-se bem nesta parte final, chegando no mesmo grupo.

As classificações. 

Os 23 segundos acumulados por Fernando Gaviria na etapa (bonificações + os 13 segundos de diferença) permitiram-lhe ascender à liderança da prova. Bob Jungels também ganhou 10 segundos a toda a concorrência. Por vezes, são este tipo de pormenores que explicam a posição de um ou outro ciclista no final de uma prova de 3 semanas.

André Greipel manteve a camisola dos pontos. Com alguns pontos somados em virtude de ter sido 9º, o sprinter alemão avançou para os 81 pontos, mais 7 que Daniel Teklehaimanot (Dimension Data) numa etapa em que o eritreu não se fez ao piso. Fernando Gaviria aproximou-se do ciclista da Lotto-Soudal com os 50 pontos somados em virtude da vitória na etapa. O colombiano é agora 3º desta classificação com 72 pontos. Muito perto também está Kristian Sbaragli da Dimension Data. O ciclista da turma sul-africana venceu um sprint intermédio e pontuou no outro, juntando 16 pontos a uma excelente prestação iniciada com a sua presença nos sprints finais nos dias anteriores.

A camisola da montanha continua na posse de Daniel Teklehaimanot. A etapa apenas tinha uma contagem de 4ª categoria a meio do percurso. Esta camisola deverá mudar temporariamente de mãos na próxima etapa visto que quem vencer no alto do flanco lateral do Monte Etna somará pontos suficientes para a retirar do corpo do eritreu da Dimension Data, ciclista que muito dificilmente chegará ao alto daquela montanha siciliana na segunda-feira.

O eritreu é também líder da combatividade e dos sprints intermédios. Contudo, Eugene Zhupa da Selle Italia reduziu a diferença nestas duas categorias ao marcar pontos tanto nos sprints como no prémio da combatividade.

A Quickstep assumiu a liderança colectiva e Fernando Gaviria assumiu a camisola do melhor jovem da prova.

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